sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

QUANDO A VIDA TEIMA EM NOS FAZER CHORAR...





2017 foi um ano mau em demasiadas coisas, talvez que 2018 seja melhor... No entanto, por agora, a vida teima em nos fazer chorar... Por isso, juntemos as forças que às vezes falham, no apoio uns dos outros, e lembremo-nos destas palavras:


"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!" (Machado de Assis)  Por isso, saibamos sorrir apesar dos espinhos que nos podem rasgar as mãos.


"Não chores porque já terminou, sorri porque aconteceu." (Gabriel García Marquez)  Nada termina, se mantivermos a lembrança do bom que foi acontecendo.
 
"Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha." (André Luiz)   Arregacemos as mangas e sequemos as lágrimas, vamos fazer com que hoje valha a pena e possamos sorrir apesar dos espinhos que se nos atravessam...


Jorge V, rei de Inglaterra, tinha emoldurado na biblioteca do Palácio de Buckingham: " Ensina-me a não chorar nem pela Lua, nem diante do leite derramado". De facto, as circunstâncias, só por si, não nos tornam felizes ou infelizes. É a maneira como reagimos ante as circunstâncias o que determina os nossos sentimentos. Para além de que somos mais fortes do que julgamos... Por isso, que possamos sorrir na vez de chorar.




***"Sorria! As estrelas bailam pela magia do seu olhar, se estiver triste elas não sairão do lugar..."***

(Imagem retirada da NET)








quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CANCRO DA MAMA - CINCO MESES DEPOIS DA QUIMIOTERAPIA






Cabelos, pestanas e sobrancelhas caíram durante e depois das sessões de Quimioterapia. O aumento de peso também foi significativo. Alterações nas unhas... Tudo como efeitos secundários de um mal necessário.

Hoje, cinco meses passados sobre a última sessão de Quimioterapia, tudo se vai recompondo. O cabelo cresce normalmente, embora mais encaracolado; As pestanas já emolduram os olhos; e, as sobrancelhas que, curiosamente, caíram numa altura em que já não seria esperado, também vão aparecendo mais alinhadas agora, depois do desalinho em que ficaram.

As cabeleiras ficaram já de parte. __Mas como encaro o novo visual? __Se fosse jovem e bonita estaria perfeitamente à vontade com ele, talvez até mesmo interessante. Não o sendo tanto assim, procuro não me preocupar com a aparência física, tirando o melhor partido que posso daquilo que tenho. É uma questão de aceitação e mentalização... Vivamos mais com o nosso interior e com a alegria de ver crescer de novo o cabelo, as pestanas e as sobrancelhas.

Sim... Cinco meses depois já podemos encarar-nos, não exactamente como eramos, mas com alguma confiança no nosso aspecto físico que, a todos os níveis, se vai reconstituindo. É preciso esperar mais um pouco... E, a alegria de nos sentirmos curadas, compensa qualquer aspecto que nos possa agradar menos...

Falta agora tratar do peso... Ainda não o consegui. Mas não posso atribuir toda a culpa ao tratamento necessário fazer para combater o cancro. Tenho que o atribuir, para além de outros factores, também a uma certa falta de persistência e cuidado. Pois é... Esta será a próxima batalha, já que as outras parecem estar ganhas por hora.

As campainhas tocam e o novo combate começa... O exercício e a dieta que não fiz começarão nesta altura. Vamos ver se também será uma batalha ganha... Uopps!... Só que penso que exigirá mais força de vontade do que foi necessário para vencer alguns dos efeitos secundários provocados pelos tratamentos. A ver vamos... De todo o modo, é preciso acreditar nisto:



(Imagem retirada da NET)





quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

"AS ROCHAS E A VIDA" - DUENDES, FADAS E FANTASIA


"As rochas e a vida" - Pintura a acrílico (Janeiro 2018)(*)

...E são pedras e rochas que representam a vida. Fragmentos partidos cheios de cor e tristezas, alegrias e cinzentos numa alternância de estados que nos permitem voar ou baixar nas asas duma alma inquieta pelas travessuras de duendes e a magia das fadas... 

"Hoje pintámos um poema.
Pusemos-lhe asas. E deixámo-lo voar…



“As fadas… eu creio nelas!

Umas são moças e belas,

Outras, velhas de pasmar…

Umas vivem nos rochedos,

Outras, pelos arvoredos…

Outras, à beira do mar…”


(Antero de Quental in “As Fadas”)

Fadas que nos dão o alento para continuar a voar, apesar das partidas de duendes que estão para nos arreliar...
Contos de crianças, fantasias dos povos?!... Mas que os há, há... se não, como se explicam coisas que acontecem como que por passos de magia?!... Que tão depressa nos dão alegria como nos fazem chorar...


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

QUANDO FIZ ALGUÉM FELIZ?...





"Todos nós fazemos o mais que podemos nas alturas próprias e nem sempre acertamos..." Diz-me, uma vez mais, o bom senso de uma das pessoas que mais me apoiou ao longo da vida. É verdade. E assim deverá ser... Mas será que somos felizes?!...

Mandaram-me um E-mail com as palavras do Papa Francisco que me deixou a pensar: "Quando fiz alguém feliz? Será que sou boa porque não agrido ninguém, ou será que é preciso um pouco mais do que isso?!... Chegou a altura de ser mais do que cordata. Chegou a altura de agir, levar mais do que um sorriso e uma palavra amiga. Foi o que fizeram comigo, está na hora de retribuir e as palavras só não chegam."

Foi toda uma vida de cuidado, de dedicação, de incentivo, de equilíbrio, de aceitação e de profunda amizade. Hoje, são talvez eles, quem  mais precisará... Aconchegaram-nos nos momentos difíceis, acarinharam-nos quando caímos, compreenderam-nos quando estávamos confusos, defenderam-nos quando precisávamos, deram-nos a mão quando nos afundávamos, soltaram-nos quando preciso... Estiveram sempre presentes, sempre na primeira linha, quando os chamámos... Sempre assim foi e continua a ser. É também, agora, a nossa vez.





"Os rios não bebem a sua própria água;
as árvores não comem os seus próprios frutos.
O Sol não brilha para si mesmo;
e as flores não espalham a sua fragância para si.
Viver para os outros é uma regra da Natureza. 
(...)
A vida é boa quando você está feliz;
mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa".


Papa Francisco




(Imagens retiradas da NET)




domingo, 7 de janeiro de 2018

CANCRO DA MAMA - O CABELO NOVO E O NOVO VISUAL



26 de Dezembro / 2017



Quase cinco meses passaram depois que acabei a Quimioterapia. Faz oito meses que o cabelo teve que ser rapado já que caía às mãos cheias como resultado da morte das células dos folículos capilares. Estas, por se tratarem de células jovens, tal como as células cancerígenas, são também elas destruídas com o uso dos fármacos utilizados no tratamento deste tipo de cancro. Foi em Maio, sobretudo devido à acção do Docetaxel, que ocorreu a queda do meu cabelo após a primeira sessão de Quimioterapia.

O primeiro impacto é terrível, mas com o uso dos turbantes por casa e da cabeleira pela rua, torna-se tudo mais fácil. Talvez que pessoas mais perspicazes se possam aperceber da utilização da cabeleira. Mas, na generalidade dos casos, passa despercebida. No entanto, lembro-me da primeira vez que usei uma cabeleira na rua e desesperei. Era um Sábado. Tinha que ir fazer compras ao supermercado. A sensação daquele corpo estranho na minha cabeça era incómoda. No meu pouco à vontade, sentia-me como se estivesse a ser observada por toda a gente... gente que certamente ia concentrada na sua vida e nos seus próprios problemas e que teria mais em que pensar do que reparar em mim e no uso da minha cabeleira... Mas foi muito frustrante. Foi a primeira vez que chorei, desde que tudo começou. O nervosismo de ir fazendo as compras com os cabelos a caírem para os olhos, o "stress" de ter que estar a horas para o almoço, fizeram-me rebentar em lágrimas ao chegar a casa. Foi então que pensei: "Tenho sorte em poder ter uma cabeleira para ocultar de olhares indiscretos a minha cabeça agora calva... Com tanto apoio que tenho recebido, não tenho o direito de chorar". E as lágrimas secaram-se para não mais voltarem. No fundo, no fundo, é tudo uma questão de adaptação. E sem dúvida será... mas, por ridículo que possa parecer, foi uma questão de estética que me fez chorar uma única vez, ao longo de todo o processo de detecção e tratamento da minha doença...  

Durante oito meses usei turbantes ou então uma cabeleira quando saía de casa. Não era desconfortável, suporta-se bem... Sentimo-nos mais à vontade, femininas e naturais. Mas, quando o nosso cabelo começa a despontar de novo cobrindo o couro cabeludo com uma pelagem densa, fina e macia, a vontade de assumirmos o cabelo e a nossa cara como estão, começa a fervilhar. É assim que, hoje, ando com a cabeça descoberta e os meus novos cabelinhos à vista de toda a gente. Se fosse mais nova e tivesse uma cara bonita, até que nem ficaria mal, antes pelo contrário, podia até ficar interessante. Assim, tenho que me contentar em ficar como sou e, já que estamos no Inverno, utilizar golas altas que compõem o pescoço ainda destapado e dão mais volume aos lados da cabeça emoldurando o rosto.

Quando terei o meu cabelo de volta como estava, se é que alguma vez vai voltar a ser como era, não sei. Mas é tudo uma  questão de aceitação e paciência. Podemos acompanhar o seu crescimento com alguma atenção e até curiosidade. Por exemplo, pude constactar que ele não cresce por igual nas várias zonas do couro cabeludo... que o cabelo surgiu mais branquinho e ondulado do que era. Procurar interiorizar que é assim que tem que ser, tirando o melhor partido de como estamos, evita a angústia da nossa vaidade um pouco abalada.

__ "Está(s) tão "gira"..."; __"Parece(s) mais nova"... Dizem-nos. Até que ponto é sincero não o sabemos, mas ajuda a alimentar o nosso "ego" e a sentirmo-nos mais satisfeitas com o nosso novo visual que sabemos ser temporário.

Neste momento, é como se tudo por que passámos não fosse mais do que um sonho. E esta é a sugestão que deixo a quem passe por uma situação idêntica: Vontade e coragem de enfrentar todas as alterações por que tem que passar o nosso corpo e interiorizar que, a única forma de aceitar e continuar em frente, é não nos importarmos com o que os outros possam pensar, porque certamente estarão mais preocupados com os seus próprios problemas do que com o nosso visual. Visual que, para quem nos olha com olhos de amigos, até que poderá estar "giro", e que devemos assumir como prova de termos ultrapassado um cancro que, agora, faz parte do passado.




Fernanda Serrano (NET)


Carla Andrino (NET)


Segundo Fernanda Serrano o descreve no seu livro, esta atriz enfrentou com alguma dificuldade as transformações do seu corpo, mas continuou uma mulher linda depois que o seu cabelo foi crescendo. Carla Andrino foi outro exemplo dentro dos casos conhecidos. Mas quantos números incontáveis de outras mulheres não terão passado pelo mesmo. É um pequeno preço a pagar pelo grande bem que é a recuperação da doença. E, está bem de ver que, a alegria de vermos recuperar o nosso próprio cabelo, não tem preço... 





sábado, 6 de janeiro de 2018

O CANAVIAL E AS CRISTAS DE GALO - RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA




Rio Limpopo

João Belo, Gaza, Moçambique


Anos 60... João Belo, pequena cidade  moçambicana por onde passa tranquilo o Rio Limpopo e que hoje é uma cidade com ruas alinhadas e alguns prédios, era então pequena e nela predominavam casas de um só piso.


Em terras de Moçambique, aquela  casa térrea rodeada por um grande quintal era um manancial de brincadeiras e aventuras. Na pequena horta fértil e semeada por nós cresciam cenouras que, apanhadas directamente da terra, eram lavadas e comidas mesmo ali. No quintal, um dos galhos da frondosa árvore lateral à casa, servia de suporte ao baloiço improvisado pelo nosso pai com cordas e uma tábua e que fazia as delícias da criançada. No galinheiro, ao fundo do quintal, cacarejavam as galinhas acompanhadas do imponente galo que vimos irromper dos ovos com a ajuda da nossa mãe. No outro lado da casa, uma correnteza de limoeiros fornecia-nos os limões que apanhávamos dos seus ramos e comíamos com o açúcar que comprávamos na mercearia do fundo da rua em pacotes de papel pardo, juntamente com os miúdos da vizinhança. Vizinhança nos quintais da qual fazíamos concursos de apanha de nêsperas encarrapitados nas árvores... 

Era o tempo em que nos envolvíamos numa infinidade de brincadeiras e actividades ao ar livre que ainda hoje estão gravadas na minha memória e que partilhávamos com os miúdos da rua. Uma delas era particularmente entusiasmante e até mesmo relativamente arriscada __ era a "pescaria" no riacho que corria por trás das nossas casas, ladeado por canaviais junto à água e onde improvisávamos as nossas "canas" que nada pescavam a não ser a emoção de uma "aventura" um pouco à margem da autorização dos adultos.


Sim... era um tempo em que os miúdos brincavam na rua e partilhavam os seus quintais. Em que os "perigos" não assustavam os pais como hoje acontece quando, muitas vezes, as crianças mal conhecem os vizinhos dos seus prédios ou moradias.


Fica a saudade de um tempo em que brincar fora de casa não fazia temer o coração dos pais que controlavam os movimentos dos filhos q.b. , ainda mesmo com um pequeno curso de água perto de casa ladeado por canaviais. Canavial em que, as cristas de galo nele dispersas, com as sua flores de um vermelho exótico, seriam o único resultado da "pescaria" improvisada... Cristas de galo essas que me despertam memórias de uma infância despreocupada.   



Crista de galo


(Fotos retiradas da NET)




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

ORGULHO FERIDO...



Retrato de Adolf Hitler



Fernando Pessoa pediu num dos seus poemas: (...) "não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades"(...) - 

A verdade é que, grande parte dos males do mundo vêm do orgulho ferido, podendo causar ressentimentos que podem durar uma vida inteira. Por isso, sejamos complacentes, compreensivos e evitemos críticas que possam ferir mesmo quem de nós gostamos mais... Há ocasiões em que dizemos coisas que magoam e depois de ditas, não é possível emendar... Tenho sido testemunha disso ao longo da vida. Eu própria terei ferido, inadvertidamente, até mesmo quem mais gosto .

Quando olho para trás, lembro-me de "saídas" infelizes que marcaram de certa forma até mesmo o meu "ego" ou o de outros e que trouxeram ressentimentos que perduraram no tempo. Hoje, para mim própria, procuro relevar tudo que não interessa e reservar as coisas boas, os incentivos e tudo quanto alimenta a minha fome de ser apreciada e de procurar corresponder àquilo que considero certo e me faz sentir bem comigo mesma. Desejo esse que será o de qualquer ser humano norteado pelo orgulho... o desejo de quem connosco se vai cruzando... o desejo de quem não se quer ferido nesse seu orgulho.

Ao longo da História da Humanidade, muitos foram os casos em que um orgulho ferido mal resolvido se transformou num mal que afectou milhões de seres humanos. Se não veja-se o caso de Hitler. Esse ditador do século XX que foi o reflexo de frustrações na juventude e arrastou a Europa e o Mundo para uma guerra sem quartel. Quem sabe se, o rumo da História não teria sido diferente, se ele não tivesse sido rejeitado aquando da sua pretensa entrada numa escola artística clássica, transformando-se então num artista minimamente realizado e utilizando a sua capacidade de liderança e apreciação da Arte para uma vertente mais construtiva?!...

Este terá sido um caso extremo e dramático. Mas quantos mais não terão ocorrido na história comum de homens e mulheres comuns que foram vivendo geração após geração. Pequenas "guerras" ou "desnortes" que estragaram vidas de homens e mulheres, famílias inteiras, populações... Observações pouco atentas ou até mesmo bem intencionadas, pequenos nadas que se transformaram em torrentes de sofrimento e incompreensão. Não pretendo ser moralista, mas isto faz-me pensar e desejar que possamos resistir à tentação de descarregar as nossas frustrações ou incompreensões sobre quem nos rodeia mesmo que sem intensão. Sim, isso faz mal aos nossos "alvos" mas também a nós mesmos quando já não há retorno...







FAZER ANOS...





"A Rocha e a Vida"
(2ª etapa deste projecto baseado num dos trabalhos de Carol Nelson)(Janeiro/2018) (*)




Fazer anos é passar mais um ano no percurso da vida que o destino nos traçou... Lá longe, fui esperança e regalo de quem mais me desejou. Uma vida cheia de bons e maus momentos. Numa terra longínqua, terra do Sol nascente, vi a luz no primeiro dia da minha vida que vai sendo algo longa já. Sim... nasci numa terra de beleza extrema onde o mar e a terra são uma constante envolta por uma neblina quente que lhe dá um encanto verde carregado do mistério vindo das brumas da montanha... Mistério esse que só é ultrapassado pelo mistério da própria VIDA.

De um bloco informe vão saindo fragmentos que se acumulam com o passar dos anos. Fragmentos variados, coloridos com a cor da esperança, da alegria de viver mas também com algumas cores sombrias das desilusões e tropeços com que a vida nos pode surpreender por vezes... Resumindo: a VIDA é o bloco que vamos talhando com mais ou menos mestria e que vai ganhando formas e "desformas". E, é desse conjunto que resulta a beleza de uma vida, por insípida que possa ser...

Tal como num pequeno regato que desliza sobre calhaus rolados, a água das nossas vidas vai deslizando sobre os fragmentos que são maiores ou menores e que se ganham ou se perdem na correnteza. Assim é também com os amigos e as pessoas que passam por nós __ umas vão, outras vêm; umas ganham-se, outras perdem-se. E é no dia de hoje, o dia do nosso aniversário, que muitas vezes ouvimos as vozes de quem foi mas continua com vontade de ficar...

Como diz o poeta:   

"Durante a nossa vida:
Conhecemos pessoas que vêm e que ficam,
Outras que vêm e passam.
Existem aquelas que,
Vêm, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar..."



Charles Chaplin


Obrigada a quem ficou ou, de novo, voltou. Tchim... Tchim... a uma vida sem escolhos ou à coragem para os ultrapassar!...






quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

BALANÇO DE FIM DO ANO...




"A Rocha e a Vida" 
Primeira fase do novo projecto baseado num trabalho de Carol Nelson (Dezº/2017)(*)



   O fim de mais um ano aproxima-se vertiginosamente... Um ano em que se ultrapassou a doença, mas em que se "despediram" amigos para sempre. Um ano em que nos tocou à porta e se teve que ter força para vencer: o cancro, cirurgias de coluna, do coração, transplante hepático, AVCs, a "partida" de amigos...

   Quando se pensa na Humanidade e nos enormes problemas que a afligem; nas alterações climáticas tão temidas e que hoje já se fazem sentir, também à porta da nossa casa... os nossos problemas pessoais parecem menores, mas são eles que se avolumam nos nossos corações e nos nossos sentidos. São eles que nos enchem de tristeza pela partida de quem já não volta, que nos fazem precisar de ter fé na cura dos males que afligem os nossos corpos, que nos enchem de nostalgia por um passado recente que já faz parte da história de todos nós.

   Nem tudo foi mau... reforçaram-se amizades, desfrutámos do apoio dos que nos são próximos, viveram-se momentos felizes, ultrapassaram-se adversidades, iniciaram-se novos projectos e estamos vivos para podermos apreciar os pequenos nadas que nos podem trazer felicidade...

   Está a chegar o dia 31 de Dezembro, altura em que nos desejamos um ano cheio de coisas boas, de novos projectos, de saúde... a promessa de que 1 de Janeiro seja já um virar de página. Mas, talvez o ponto de viragem devesse estar no dia de HOJE, seja qual for o dia do ano e do mês. É isso, faltam 3 dias para o novo ano... mas porque será um novo ano?!... Porque assim se convencionou e os movimentos da Terra em torno do Sol assim o determinam. Mas o certo, certo é que o DIA não segue convenções, fica marcado pelo nascer e pôr do Sol e é nele que temos que concentrar as nossas atenções, numa rotação completa da Terra sobre si própria, no AGORA que nos é dado viver.

   Por isso, não desejo só um bom Novo Ano, mas, sobretudo, um bom NOVO DIA! Cheio de realizações pessoais e colectivas, de concretização de projectos, e de um ultrapassar das dificuldades que sempre se atravessam na vida de cada um de nós... saboreando todos os pequenos nadas que nos podem fazer felizes e fortes para enfrentar o que teimar em nos causar dissabores. 


    



(Imagem retirada da NET)




sábado, 23 de dezembro de 2017

NO BRILHO DO NATAL






Que no brilho do Natal, não nos esqueçamos de pendurar também a PAZ, a SAÚDE, a ALEGRIA e a AMIZADE...

Que na nossa árvore de Natal possamos pendurar ainda o nome de todos que nos são queridos...

Que, possamos "perder" tempo com os amigos, em vez de perder os amigos com o tempo...


FELIZ NATAL e ANO NOVO! 








quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

CANCRO DA MAMA - TRÊS MESES DEPOIS...



Jardim da Fundação Champalimaud ( Dezº 2017)



O dia é já de Inverno. Cai uma morrinha lá fora e o sol só consegue furar timidamente as nuvens aqui e ali... Hoje, viemos tranquilos. A espera faz-se na sala já tão nossa conhecida. Amplas vidraças, cheia de luz, apesar do dia cinzento. Estava cheia. Gente também ela cheia de dúvidas e esperanças, tal como nós. Mas, hoje, nós, com mais certezas de se estar a controlar a situação. __"Vigilância", é agora a palavra de ordem.

Faz três meses que acabei a Radioterapia... Hoje, foi a nossa despedida deste ano na Fundação. Tanto a Drª J., médica de Oncologia, como o Dr. M. da Radioterapia me deram os parabéns. As consultas de hoje  foram rápidas e bem dispostas. É assim quando felizmente tudo vai correndo bem. É isso... está tudo bem, agora é só fazer um pouco mais de Fisioterapia da mama e voltar daqui a três meses para fazer novos exames e ver se tudo continua mesmo bem...

Uopps!... A cabeleira ia caindo numa das consultas... e isso foi motivo de riso divertido... Agora uso-a porque o cabelo ainda está muito curtinho, mas, já começa a ser tempo de o assumir, como já o faço em casa. É só deixar passar mais um tempinho para que cresça mais um pouquito. E, depois, não há vento ou camisola que me "arranque" o cabelo...

Dieta e exercício... Muito exercício, para reduzir o peso que aumentou consideravelmente... Agora que tudo está normalizando, é altura de os começar a fazer. Recompor os "estragos" feitos!...

E pronto!... Agora só daqui a três meses volto a este local onde passei alguns sustos mas onde também fui fortemente apoiada e ajudada a ultrapassar qualquer momento de maior fragilidade.

Bem hajam todos quantos aqui trabalham e que, não só no aspecto técnico e científico tão bem nos apoiam mas que, do ponto de vista humano, nos fazem parecer que afinal o cancro pode não ser uma situação tão dramática assim, desde que haja uma vigilância que permita uma intervenção atempada.


Obrigada ainda a quem me acompanhou nesta viagem partilhada e hoje se sentou comigo uma vez mais enquanto esperávamos olhando para este jardim adormecido que espera renascer outra vez na Primavera.


Graças a ti, cada etapa foi sendo suavizada até chegarmos ao dia de hoje.
Por isso, uma vez mais:
OBRIGADA, FOI SOBRETUDO A TUA PRESENÇA QUE TORNOU TUDO MAIS FÁCIL!



AGORA, SÓ DAQUI A TRÊS MESES!...







terça-feira, 12 de dezembro de 2017

CAROL NELSON - TRABALHOS ABSTRACTOS EM ACRÍLICO



















Trabalhos em acrílico com técnicas mistas de Carol Nelson
(NET)


Cores fortes, texturas bem marcadas e diferentes numa pintura em acrílico utilizando, frequentemente, técnicas mistas com diversos tipos de materiais como o papel de arroz, metais e médiuns de texturas, caracterizam a pintura de Carol Nelson, uma americana do Colorado.


Carol Nelson
(NET)



Foi paixão à primeira vista. Assim que vi alguns dos trabalhos de Carol Nelson, fiquei encantada e com uma vontade enorme de tentar qualquer coisa parecida. Toca de pegar no pincel, na espátula e em tintas acrílicas e vai de marcar linhas e depositar cores. As linhas negras, os laranjas, os amarelos, os verdes e o azul turquesa... As texturas foram dadas unicamente com depósitos mais abundantes de tinta. Toca e foge... A irregularidade da forma... Adorei fazer este trabalho, mas não ficou descartada a ideia de tentar mais alguma coisa, e, quem sabe, também com técnicas mistas?!... O Futuro o dirá.



(Trabalho a acrílico sobre tela - Julho / 2016)



Teria sido pura coincidência ou as texturas e tonalidades desta pintora do Colorado também podem ter sofrido a influência das paisagens magníficas e únicas do Grand Canyon atravessado pelo Rio Colorado no Estado do Arizona?!... Possivelmente, qualquer semelhança será puro acaso, mas a beleza das cores e das formas destas paisagens multicolores faz lembrar as texturas e algumas das tonalidades dos trabalhos de Carol Nelson, ou será que é o contrário?!...




Rio Colorado e Grand Canyon
(NET)