quarta-feira, 23 de agosto de 2017

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO







"Ao envelhecer, e nos tornarmos mais sábios, lentamente nos damos conta de que: Um relógio de $300 marca a mesma hora que um relógio de $30. Uma carteira de $300 carrega o mesmo dinheiro que uma de $30. A solidão numa casa de 30 metros quadrados ou de 300 é a mesma. Espero que um dia perceba que a sua felicidade interna não vem das coisas materiais no mundo. Não importa se viaja em primeira classe ou económica, você morrerá se o avião cair. Espero que perceba que, quando se tem amigos e irmãos com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira."


CANCRO - A ÚNICA CERTEZA...



Jardim do Instituto Champalimaud - ano de 2017 


Queda do cabelo e dos pêlos, dormência dos pés, cansaço, taquicardia, aftas, a base das unhas esbranquiçadas, vómitos, diarreias, etc, etc, são tudo consequências de um mal necessário da Quimioterapia que também, por si, é o mais variada possível. Quimioterapia, não é mais do que o nome generalizado para um número variadíssimos de fármacos que podem ser ministrados quer por via oral ou via intravenosa... Por isso, é muito difícil dizer como é cada caso específico, até porque, as reacções adversas, também variam de organismo para organismo...

Resumindo: Não interessa estar a fazer descrições, porque cada caso é um caso. Por exemplo, dentro do cancro da mama, há quatro tipos base e, dentro dos quatro tipos, uma variedade também grande. Uns reagem às hormonas e para isso basta-lhes a Quimioterapia oral durante alguns anos, outros como os triplo negativos precisam de intervenção cirúrgica e de Quimioterapia intravenosa para além da Radioterapia... Mas há uma coisa que é garantida e comum a todos eles, a necessidade de apoio de quem nos quer bem, que nos ajuda a ultrapassar mais este obstáculo e  encarrar o Futuro com optimismo, confiança e esperança no Futuro e possibilidades da evolução na Medicina moderna...

"Muitas coisas que consideramos más podem ser convertidas, frequentemente, num tónico bom e revigorante, bastando unicamente para isso, que se transforme uma atitude interior de medo numa atitude de luta..." - William James. Luta essa que tem várias vertentes a começar no próprio doente, nos médicos, investigadores e em todos aqueles que, com um sorriso e humanidade lutam por uma mesma causa: vencer o que ainda é um obstáculo difícil de ultrapassar, porque apesar de todos os conhecimentos e investimento, ainda há muito por descobrir. 

Mais uma vez fui posta à prova pelo destino... mas acabei, agora, a Quimioterapia e, graças àqueles que me apoiaram, fui capaz de ultrapassar mais esta etapa com a maior naturalidade, coragem e esperança possíveis. Hoje em dia, a esperança na Medicina é tão grande quer a nível físico como mental ... Mas é no aspecto humano que os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e auxiliares não podem ser substituídos por mais avançadas que estejam as tecnologias e os fármacos...

"CANCRO!..." Não pode ser palavra tabu, deve ser falado e discutido para que as pessoas a enfrentem com esperança e não tenham medo de algo que desconhecem e certamente, em pouco tempo, tal como muitas doenças mentais, terá sua cura...

É preciso acreditar... Verde é esperança! E como alguém um dia disse: __ " Yes, we can!..."




sexta-feira, 7 de julho de 2017

CANCRO DA MAMA - QUIMIOTERAPIA - INCERTEZAS




Fundação Champalimaud - Junho / 2017


Agora que já fiz o quarto tratamento de quimioterapia e estou no quarto ciclo, li este artigo que me deixou um pouco desconsolada. O facto de já só faltarem dois tratamentos para terminar esta fase do percurso, estava a deixa-me mais satisfeita. Tenho sentido os efeitos adversos de forma mais ou menos intensa, mas vou-os encarando como um mal necessário o que ajuda a ultrapassar este período menos bom com mais ânimo e naturalidade. Só que esta notícia veio colocar-me certas reservas... Será que estes investigadores têm razão?... Nesta altura não há como voltar atrás, e é só o que se pode fazer __ seguir em frente. Mas a dúvida fica a pairar no ar. Esperemos por novas conclusões.

"Um grupo de investigadores americanos analisou o impacto da quimioterapia em pacientes com cancro da mama e concluiu que o tratamento aumenta a probabilidade de as células do cancro da mama migrarem para outras partes do corpo.

A quimioterapia é, muitas vezes, a primeira opção de tratamento para doentes com cancro da mama, em alternativa ou como complemento à cirurgia. No entanto, cientistas da Universidade de Medicina Albert Einstein, de Nova Iorque, estudaram o efeito desta medicação e chegaram à conclusão de que não só esta é uma solução apenas a curto prazo, como pode mesmo revelar-se perigosa e contraproducente.

A investigação sugere que, apesar de promover a redução do tamanho dos tumores, a quimioterapia abre também caminho às células cancerígenas para entrarem na corrente sanguínea, provocando não só o aparecimento de metástases como aumentando as hipóteses de voltar a aparecer e ainda mais forte.

Administrada oralmente ou por via intravenosa, a medicação é vista atualmente como uma forma eficaz de atacar as células cancerígenas que possam ter-se afastado do tumor. Mas este não é o primeiro estudo a alertar que a quimioterapia pode desencadear casos de cancro secundários. Em 2012, um estudo do Centro Fred Hutchinson para a Investigação sobre o Cancro concluiu que a quimioterapia ativa células saudáveis para alimentar o crescimento do tumor."

No meu caso, as cartas estão lançados, nada há a fazer. O ânimo da frase "é só uma fase menos boa e o caso fica resolvido", fica um pouco menos convincente. Porém, resta-nos a esperança de que as investigações não parem e de que o futuro nos traga mais certezas e melhores resultados no combate a esta doença que já vai estando mais controlada. 

A esperança é a última a morrer!



quarta-feira, 17 de maio de 2017

CANCRO DA MAMA - A CABELEIRA NOVA E OS TURBANTES...



Pearl Buck


"Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade" - Dizia Pearl Buck, uma das minhas escritoras preferidas de sempre.

DIA UM: Muitas vezes, esqueço-me de saborear bem as pequenas alegrias mas, sinceramente não quero fazer parte daquele grupo. Sobretudo daqui para a frente... Hoje, vou rapar o cabelo mas, em troca, vamos buscar a cabeleira e um dos turbantes que mandei fazer. Estou ansiosa por os experimentar, estava a ser um pouco deprimente ver o cabelo cair às madeixas. Assim, fica logo resolvido... Daqui a uns meses voltarei a ter o meu cabelo de volta. Para já, tenho que pensar em ultrapassar a doença como o principal objectivo. E um ciclo de tratamentos já passou sem grandes percalços. Só por isso, já me devo dar por feliz.




Pusemo-nos a caminho. Rapa ou não rapa? "Quer deixar para mais tarde? Em qualquer altura fazemos isso. Agora que já cá temos a cabeleira, é rápido...". "Não, fica já decidido. É uma situação inevitável e custa-me ver-me a descabelar às mãos cheias lentamente..." A máquina começou a cortar. De metade da cabeça pendiam os cabelos que restavam, do outro ia aparecendo um couro cabeludo desprovido de cabelos que desde bebé não via o Sol. Mas ainda tinha a cabeleira... Desbasta um pouco daqui, corta mais um pouco dali e fez-se o possível por a ajustar ao meu rosto. Talvez devesse ter esperado pela minha cabeleireira, está mais calhada com o meu jeito. O corte só se pode fazer uma vez. E este cabelo não cresce mais...

A cabeleira não é o meu cabelo. Talvez não corresponda no todo às minhas expectativas, mas é um cabelo que esconde de olhares curiosos uma cabeça que irá ficar calva durante bastante tempo. Não é difícil de colocar, até que é confortável e,  sobretudo, muito prática contra os meus receios iniciais.





Quanto ao turbante também não emoldura um rosto como o nosso cabelo. Falta-lhe volume, mas se se escolherem umas cores e padrões que vão bem com a roupa, são confortáveis para estar em casa e até mesmo para sair à rua, ir à praia...

Embora não faça muito o meu género, uns chapéus e uns lenços enrolados em jeito de turbante, também serão uma boa alternativa... É uma questão de nos habituarmos. Depois é só por um tempo e, quando dermos por isso, já passou.

DIA DOIS: Um pequeno segredo: soube-me tão bem lavar a cabeça na manhã seguinte no duche. Nada de toucas ou de atilhos para segurar o cabelo e não o molhar... Apenas o gel de banho e a água a correr do chuveiro da parede sobre e corpo e agora a cabeça também... será também esta uma das pequenas alegrias da vida que podemos aproveitar?!... É isso, apesar de tudo, o dia começou bem. Seguimos para a segunda sessão de Quimioterapia, agora o "ice-cap" já não fazia falta. Não no meu caso, mas tentou-se.

DIA TRÊS: Ainda não estou completamente satisfeita com a solução encontrada quanto ao turbante. Fui consultar a NET, ver o que podia encontrar no Instituto Natacha ou no Espaço saúde e beleza Minabel em Lisboa, duas casas de artigos da especialidade que me agradaram pelas imagens que vi... Os artigos estão disponíveis para entrega imediata, contrariamente ao local onde fomos comprar a cabeleira em que todos os artigos são encomendados por catálogo, o que certamente fará a diferença.


   



DIA QUATRO: Fomos ao Instituto Natacha. As instalações não corresponderam ao previsto, mas fomos bem atendidos e encontrámos algumas soluções de turbantes. Pelo menos, ficámos com algumas ideias e agora falta encontrar padrões engraçados. A procura ainda não acabou, mas já fiquei prevenida para os próximos tempos. Até um chapéu de aba larga com um lenço pode ser uma solução...  


Depois do desconsolo inicial quando o cabelo começou a cair e de um certo desnorteamento, isto é uma lufada de ar fresco. Sempre há alternativas que estão ao nosso dispor neste mundo que agora é o nosso, apesar de temporário...






terça-feira, 16 de maio de 2017

CANCRO DA MAMA - NO FINAL DO PRIMEIRO CICLO DE TRATAMENTOS





"A amizade permite criar novos horizontes de superação" (Michel de Montaigne). Enviaram-me esta frase que sinto como muito real. Na verdade, o apoio e carinho que tenho recebido de quem me rodeia tem sido essencial para superar a presente situação e, sobretudo, encontrar coragem para seguir em frente com o que tiver que ser feito...

É isso, não nos devemos lamentar nem fechar por causa do aspecto físico. Neste momento, o cabelo que me resta está preso por um fio. Só o vou tentar aguentar enquanto não tiver a cabeleira ou um turbante que me fique menos mal. A cabeleireira onde costumo ir já se prontificou para fazer um corte na cabeleira de forma a que esta mais se ajuste ao meu rosto, caso seja necessário. E, como sugere uma amiga, porque não aproveitar para mudar de visual agora que o Verão se aproxima?!... Vestir umas roupas mais soltas e alegres a condizer com os turbantes. Enfim, tudo menos deixar que a depressão se apodere do nosso espírito. Pode dizer-se que parece um pouco fútil esta preocupação com a imagem, mas a verdade é que também importa.

Assim como o apoio da família e dos amigos tem sido um incentivo para encarar a situação com mais naturalidade, espero que algumas das referências e relatos deste meu "blog" possam servir de alguma motivação para quem possa estar numa situação idêntica e, quem sabe, ser mais uma inspiração para não nos deixarmos ir a baixo. A verdade é que o exemplo de outras pessoas me tem servido como apoio para desdramatizar uma situação que não é muito fácil mas que, hoje em dia, se pode ultrapassar com mais facilidade e não é tão rara assim. Por outro lado, sem dúvida de que, para a superação destes obstáculos, muito contribui a atitude compreensiva e amiga de quem nos apoia. E, nem que seja por isso, já podemos estar gratas.






sábado, 13 de maio de 2017

CANCRO DA MAMA - A QUEDA DO CABELO





Normalmente, na mulher, o cabelo emoldura o rosto, suaviza os traços e é uma marca da sua feminilidade. Há mulheres bonitas que resistem até mesmo à falta de cabelo, mantendo-se bonitas e interessantes. Não será o caso da grande maioria de nós...

Estranha sensação a minha... Já contava que viesse a acontecer, mas não tão cedo... É verdade, fez dia 11 de Maio duas semanas passadas após a 1ª sessão de quimioterapia e, dia 12, começaram a cair alguns cabelos quando passava a mão ou a escova. Dia 13 caíam às mãos cheias. Era inevitável. Nem a utilização do "ice cap" ajudou. Agora, resta a coragem de enfrentar e cortar o cabelo bem rente, se não rapá-lo. Sim, é inevitável... Mas os medos são muitos, apesar de todo o apoio que me tem sido manifestado. É uma mistura de sentimentos difícil de definir...

Está escrito: "Depois das náuseas e vómitos, a queda de cabelo é um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia. Isso ocorre porque ela actua tanto nas células cancerígenas quanto nas saudáveis, e atinge principalmente as células que se multiplicam com maior rapidez, como os folículos pilosos, responsáveis pela produção dos cabelos. A quimioterapia é um tratamento sistémico, pois o remédio é injectado na veia e libertado na corrente sanguínea, ou seja, ele percorre o corpo todo, ocasionando a queda de cabelos e pêlos." 

"A queda dos cabelos não é imediata e começa a acontecer nos 14 a 21 dias depois da primeira sessão de quimioterapia. Eles voltam a nascer cerca de 90 dias após o fim do tratamento, em alguns casos, um pouco mais crespos..."

Pois é... para além do tempo dos tratamentos há que acrescentar aproximadamente mais três meses para que o cabelo cresça. Particularmente, hoje, parece-me muito tempo!... Mais uma vez fui surpreendida. Neste momento, se passar uma das mãos pelo cabelo vem uma mecha de cabelos. O cabelo começou a cair de uma forma assustadora. Iniciou-se uma nova etapa de todo este processo, e procuro coragem para enfrentar tantos meses sem cabelo. Está-me a acontecer. Mas ainda não parece real, apesar de toda a preparação prévia. Talvez seja este o efeito mais castigador da quimioterapia, embora não doa, nem se sinta por dentro e apesar de também ele ser temporário... "O que importa realmente é ficar bem. O cabelo é o menos"... Sem dúvida de que é. Mas, (oh, cabelo...), terei que procurar emoldurar o rosto de outra forma, com uma cabeleira ou um turbante, se não o conseguir encarar sozinho. Mais breve do que previa o saberei...



(Imagem retirada da NET)



quinta-feira, 11 de maio de 2017

CÚMPLICES







"Cúmplices não são os que concordam em absolutamente tudo, mas os que fazem do respeito seu ponto de equilíbrio."


Fabiana Paiva






(Imagens retiradas da NET)


POEMA DE FERNANDO PESSOA






Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
 



(Imagem retirada da NET)




 

terça-feira, 9 de maio de 2017

A NOSSA EXPOSIÇÃO NA 5ª DE RANA (CASCAIS/PORTUGAL)






Exposição colectiva na Quinta de Rana. Um espaço engraçado e arejado, onde a par de um cafezinho, um chá ou uma refeição ligeira se passam uns momentos agradáveis. Recanto "vintage", é um "brique-a-braque" de objectos, livros, malas de viagem e móveis que fazem parte da recordação dos tempos de meninos e dos nossos avós. Aqui uma mala de chapa de porão, igual às que estiveram anos esquecidas no nosso sótão e nos acompanharam nas nossas viagens entre o Ultramar e a Metrópole; ali uma infinidade de cadeiras dos mais diversos formatos e cores...    







Alinhados, os 24 quadros, são uma mostra da pintura que vamos fazendo sob orientação de quem sabe e com tanto carinho se disponibiliza. São quadros pequeninos que contam histórias, retratam uma paisagem, uma flor, um fruto, um barco, uma ideia... São um apontamento numa dada fase da nossa pintura que regalam a vista de forma harmoniosa. Enquanto, lá fora, a esplanada, com o seu pequeno lago onde se deliciam peixes e patos, convida a estar-se em dias de sol. "Long chaise" diversas na relva. O parque de brinquedos para crianças. O borboletário. Enfim, uma boa proposta para se passar um bocado do dia (tardes ou fins de tarde da semana ou do fim de semana), já que o jardim urbano da 5ª de Rana está aberto todos os dias, desde manhã cedo até às oito da noite, no horário de Verão...








sexta-feira, 5 de maio de 2017

EXPOSIÇÃO MAIO DE 2017 - NA QUINTA DE RANA (CASCAIS / PORTUGAL)





Uma vez mais estamos a expor. É uma exposição colectiva em que cada um de nós leva um quadro que não tem tema definido e cuja condição é o tamanho. São quadros de pequena dimensão. Estilos e técnicas muito diferentes. Muitos inspirados em obras de pintores mais ou menos conhecidos. Têm em comum serem feitos sob orientação de quem nos dá a mão nesta aventura que é pintar a óleo sobre tela. Têm ainda em comum o gosto pela arte de pegar no pincel...

Participei com a minha tangerina. Quadro cuja força da cor e contraste luz e sombra é grande, fugindo um pouco à suavidade de muitos dos trabalhos apresentados, como se pode ver nos quadros que seleccionei... 
























CANCRO DA MAMA - BALANÇO DO PRIMEIRO CICLO DE TRATAMENTOS (1)






Muita gente tem uma referência a algum caso de amigas que passaram por Quimioterapia. Só que a Quimioterapia inclui substâncias muito diferentes umas das outras, com consequências muito diversas que variam inclusivamente de pessoa  para pessoa. Há quem diga, fulana não sentiu nada nos primeiros tratamentos, só a partir do terceiro, quarto é que... Outras, logo no primeiro ciclo de tratamentos, se sentiram enjoadas ou mal... caiu o cabelo, não caiu...

Por isso, é muito difícil prever o que possa vir a acontecer no nosso caso concreto. Comigo a primeira noite após o tratamento não foi muito fácil. Vómitos e diarreia, mas depois tudo passou. Até chegar às injecções de Filgratim (dia 3 a 7 do ciclo). As cinco injecções de Filgrastim deste primeiro ciclo de tratamento já acabaram. O que nos dá agora algum descanso até ao próximo ciclo.

Resumindo, os efeitos secundários deste 1º tratamento não foram muito agudos, e terão correspondido provavelmente mais à acção da substância estimuladora da medula (o Filgrastim) __ (dores dos ossos e musculares; erupções cutâneas no pescoço; pequenos picos de febre; cansaço e uma pressão no peito), do que propriamente ao Docetaxel do tratamento de Quimioterapia.

É sabido que o efeito da Quimioterapia é cumulativo, por isso é natural que nos próximos ciclos os efeitos colaterais dos fármacos utilizados sejam mais agressivos e incomodativos. Até lá, logo se vê. O importante é pensar que o primeiro ciclo de tratamentos já está a decorrer e que é menos uma barreira a ultrapassar. Agora, a batalha trava-se dentro do nosso corpo __ enquanto células de rápida divisão como as cancerígenas, os glóbulos brancos e vermelhos são destruídas, novas células têm que ser repostas até ao próximo tratamento, sobretudo os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do nosso organismo. Vamos ver se dia 18 o meu organismo já está pronto para uma nova batalha, ou seja, um novo ciclo de tratamentos, e como vai  ele reagir.






CANCRO DA MAMA - FISIOTERAPIA APÓS CIRURGIA DA MAMA COM ESVAZIAMENTO AXILAR PARCIAL






Hoje foi a sexta e última sessão... Foi o suficiente e muito bom. Os tecidos da mama voltaram a ganhar flexibilidade com o desaparecimento dos nódulos e inchaços e o braço ganhou mobilidade sem a dor que era provocada pela existência de cordões linfáticos que apareceram após a cirurgia. O restabelecimento da sensibilidade total, agora, só com o tempo.

Não é fácil arranjar quem faça este tipo específico de Fisioterapia. Mas vale a pena a procura. Em menos de um mês tudo voltou quase ao normal, estando-se pronto para uma possível Radioterapia cuja eficácia seria dificultada se os tecidos ainda estivessem intumescidos.

Para além dos benefícios físicos, sentimo-nos mais acompanhadas por quem já presenciou muitas situações como a nossa. Para além de nos serem dados conselhos mais técnicos, são-nos relembradas atitudes a tomar perante esta fase do tratamento que inclui a Quimioterapia. Até mesmo atitudes de vida __ faça caminhadas; não fique fechada em casa, apesar dos cuidados a tomar; consuma determinados alimentos ricos em ferro como os bróculos e a beterraba; faça aquilo de que gosta, Pintura, leitura, Ioga (...); viva intensamente os seus dias; saboreie a vida...


Não serão necessárias muitas sessões, mas aceleram todo um processo de restabelecimento dos tecidos da mama e do braço que, de outro modo, poderia ser muito mais moroso; para além de nos permitir sentir mais acompanhadas nesta fase que inclui a cicatrização das incisões feitas quando da cirurgia e o início da Quimioterapia.

Resumindo: sentimo-nos muito mais seguras e fisicamente resulta muito bem, ou seja, valeu bem a pena!...