quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

CANCRO DA MAMA - TRÊS MESES DEPOIS...



Jardim da Fundação Champalimaud ( Dezº 2017)



O dia é já de Inverno. Cai uma morrinha lá fora e o sol só consegue furar timidamente as nuvens aqui e ali... Hoje, viemos tranquilos. A espera faz-se na sala já tão nossa conhecida. Amplas vidraças, cheia de luz, apesar do dia cinzento. Estava cheia. Gente também ela cheia de dúvidas e esperanças, tal como nós. Mas, hoje, nós, com mais certezas de se estar a controlar a situação. __"Vigilância", é agora a palavra de ordem.

Faz três meses que acabei a Radioterapia... Hoje, foi a nossa despedida deste ano na Fundação. Tanto a Drª J., médica de Oncologia, como o Dr. M. da Radioterapia me deram os parabéns. As consultas de hoje  foram rápidas e bem dispostas. É assim quando felizmente tudo vai correndo bem. É isso... está tudo bem, agora é só fazer um pouco mais de Fisioterapia da mama e voltar daqui a três meses para fazer novos exames e ver se tudo continua mesmo bem...

Uopps!... A cabeleira ia caindo numa das consultas... e isso foi motivo de riso divertido... Agora uso-a porque o cabelo ainda está muito curtinho, mas, já começa a ser tempo de o assumir, como já o faço em casa. É só deixar passar mais um tempinho para que cresça mais um pouquito. E, depois, não há vento ou camisola que me "arranque" o cabelo...

Dieta e exercício... Muito exercício, para reduzir o peso que aumentou consideravelmente... Agora que tudo está normalizando, é altura de os começar a fazer. Recompor os "estragos" feitos!...

E pronto!... Agora só daqui a três meses volto a este local onde passei alguns sustos mas onde também fui fortemente apoiada e ajudada a ultrapassar qualquer momento de maior fragilidade.

Bem hajam todos quantos aqui trabalham e que, não só no aspecto técnico e científico tão bem nos apoiam mas que, do ponto de vista humano, nos fazem parecer que afinal o cancro pode não ser uma situação tão dramática assim, desde que haja uma vigilância que permita uma intervenção atempada.


Obrigada ainda a quem me acompanhou nesta viagem partilhada e hoje se sentou comigo uma vez mais enquanto esperávamos olhando para este jardim adormecido que espera renascer outra vez na Primavera.


Graças a ti, cada etapa foi sendo suavizada até chegarmos ao dia de hoje.
Por isso, uma vez mais:
OBRIGADA, FOI SOBRETUDO A TUA PRESENÇA QUE TORNOU TUDO MAIS FÁCIL!



AGORA, SÓ DAQUI A TRÊS MESES!...







terça-feira, 12 de dezembro de 2017

CAROL NELSON - TRABALHOS ABSTRACTOS EM ACRÍLICO



















Trabalhos em acrílico com técnicas mistas de Carol Nelson
(NET)


Cores fortes, texturas bem marcadas e diferentes numa pintura em acrílico utilizando, frequentemente, técnicas mistas com diversos tipos de materiais como o papel de arroz, metais e médiuns de texturas, caracterizam a pintura de Carol Nelson, uma americana do Colorado.


Carol Nelson
(NET)



Foi paixão à primeira vista. Assim que vi alguns dos trabalhos de Carol Nelson, fiquei encantada e com uma vontade enorme de tentar qualquer coisa parecida. Toca de pegar no pincel, na espátula e em tintas acrílicas e vai de marcar linhas e depositar cores. As linhas negras, os laranjas, os amarelos, os verdes e o azul turquesa... As texturas foram dadas unicamente com depósitos mais abundantes de tinta. Toca e foge... A irregularidade da forma... Adorei fazer este trabalho, mas não ficou descartada a ideia de tentar mais alguma coisa, e, quem sabe, também com técnicas mistas?!... O Futuro o dirá.



(Trabalho a acrílico sobre tela - Julho / 2016)



Teria sido pura coincidência ou as texturas e tonalidades desta pintora do Colorado também podem ter sofrido a influência das paisagens magníficas e únicas do Grand Canyon atravessado pelo Rio Colorado no Estado do Arizona?!... Possivelmente, qualquer semelhança será puro acaso, mas a beleza das cores e das formas destas paisagens multicolores faz lembrar as texturas e algumas das tonalidades dos trabalhos de Carol Nelson, ou será que é o contrário?!...




Rio Colorado e Grand Canyon
(NET)




quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ABSTRACTOS E O ACRÍLICO...




"Cidade" - Pintura a acrílico sobre tela (Novº 2017)









"Abstracto" - Pintura a acrílico sobre tela (Dezº 2017)




__"Não me entendo com o acrílico. Parece-me mais fácil o óleo." __ dizia. Mas é um engano, cada um no seu género, tem as suas vantagens e desvantagens. O óleo seca muitíssimo mais devagar, o acrílico seca rapidamente e, por isso, com este, podemos ir pondo camada sobre camada numa só sessão. O acrílico, ao secar rápido, assim que seca, impede que se possam difundir umas camadas nas outras como acontece com o óleo. Tem que se ser mais rápido e tentar obter o efeito pretendido sem grandes hesitações. Um engano pode ser rapidamente corrigido, mas, por outro lado, se a tinta seca, dificilmente se consegue voltar exactamente ao que estava anteriormente. 

Estou a aprender estas novas técnicas para pintura no abstracto e estou a adorar. Dá um prazer imenso. As formas vão surgindo rapidamente. Sobrepõem-se camadas sobre camadas mas isso só é possível quando poisamos a espátula ou o pano amachucado suavemente sobre a superfície da tela para não cobrir inteiramente as cores e camadas que estão por baixo e utilizamos diferentes texturas obtidas com a utilização de rolos, espátulas ou outros materiais. O uso da margem de uma folha de papel ou de fitas autocolantes para obter linhas direitas dá resultados muito interessantes. Enfim, um sem número de truques e novas descobertas que me fazem dizer: __"Afinal, pintar com acrílicos também pode ser uma descoberta e constituir um gozo imenso".

   





segunda-feira, 30 de outubro de 2017

CANCRO DA MAMA - UM FINAL FELIZ?!...




Outubro chega ao fim. Um mês já passou após a última sessão de Radioterapia e quase três meses após a Quimioterapia, mas ainda se manifestam alguns dos efeitos colaterais de um e de outro dos tratamentos.

As pestanas já começaram a nascer e a crescer, mas as sobrancelhas estão desalinhadas e ralas; lentamente, o cabelo vai crescendo também, embora ainda sinta necessidade de recorrer à cabeleira e turbantes; a dormência nos dedos e planta dos pés vai diminuindo; as unhas, tanto das mãos como dos pés, vão recuperando; a mama ainda está sensível, ainda tenho que a proteger do calor excessivo e da pressão das roupas e do cinto de segurança do carro, ainda tenho que fazer a hidratação com o uso de cremes, mas aos poucos vai recuperando, inclusivamente no que respeita ao seu volume e vermelhidão.

Todo o processo tem sido lento, mas está dentro do que seria de esperar. Tudo vai normalizando, mas sinto um certo "cansaço" relativamente ao uso da cabeleira ou do turbante. Gostaria de ter coragem de prescindir deles e assumir o meu cabelo curtinho, como vejo outras mulheres fazerem __ mas ainda não chegou a altura.

Resta a alegria de pensar que o fim já não vem muito longe e de já terem passado as piores fases.

Será que no fim do ano já dispenso os meus "disfarces"?!... A vontade de me assumir como estou começa a imperar...

Um ano passou desde que tudo começou. Finalmente começo a ver o fim deste percurso necessário para vencer esta doença que, sem aviso e de repente, nos surge no caminho.





Foi um mar de sensações boas e más que foram indo e vindo quais ondas do mar, apoiadas por quem comigo foi privando. No final desta "viagem", ficam as lembranças dos momentos de conquista conseguidos de etapa em etapa e a sorte de se ter detectado A TEMPO uma situação que, caso contrário, poderia ter consequências muito mais graves.

A vigilância não acabou. Tudo se poderá repetir?!... Fica a esperança de que, por agora, a situação tenha sido controlada e de que não volte a ocorrer.




sábado, 30 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - O TEMPO E O QUE REALMENTE IMPORTA...





"Time has a wonderful way of showing what really matters"


"Cada dia é uma vida nova para o homem que sabe viver"


De facto, são dois conselhos que devemos pôr em prática embora nos esqueçamos disso tantas vezes...

Por vezes, deixamos que as formigas das preocupações nos estraguem o único dia que temos realmente  __ o dia de HOJE. São preocupações umas maiores outras mais pequenas. Precisamos relativizá-las para sabermos quanto valem realmente. E, para isso, há um segredo que vem da minha bisavó. Pensar hoje, se aquilo que nos apoquenta hoje, daqui a dez anos poderá ainda ter importância. Se assim for, procuremos resolver o problema da melhor forma que pudermos. Se não... o melhor é "esquecer" e/ou viver o dia da melhor forma possível sem nos preocuparmos demasiado. É assim que o tempo nos pode mostrar o que realmente importa.

Os efeitos colaterais tanto da Quimioterapia como da Radioterapia não passam logo. Fiz a última sessão de Quimioterapia no início de Agosto, estamos em Outubro, e ainda sinto a dormência nos dedos e planta dos pés; os tornozelos ainda incham com facilidade; as unhas das mãos continuam manchadas; as pestanas caíram quase todas e as sobrancelhas agora é que estão mais ralas; os cabelos crescem mas muito lentamente...

Não há passes de mágica. Há que ter paciência. Não são precisos 10 anos para que as coisas passem. Não é muito confortável... mas são pequenos problemas a serem ultrapassados com o tempo. Quanto?!... Não sei. Mas é como diz a canção: "Don't worry, be happy!..."

Hoje, estou tranquila. Acredito naquilo que me foi feito para erradicar a doença. Será que há garantia de que  realmente estará ultrapassada para sempre?!... apenas o tempo terá forma de mostrar que todos temos razão para acreditar que HOJE valeu, vale e valerá a pena... E que a confiança na Ciência, tecnologias e em todos quantos se dedicam a esta causa é o caminho certo do Presente e do Futuro...




(Imagem retirada da NET)




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA E A HISTÓRIA DA GAIVOTINHA QUE QUERIA VOAR








Quando um médico nos trata o corpo e também nos diz, para incentivar: (...)" as palavras podem estar impregnadas de vibrações e, por isso, não devemos perder nenhuma oportunidade de manifestar bons sentimentos." (Dr.M.) Então, ele trata-nos também da alma.

Sem dúvida de que, como reza a história de "História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar": "Um poeta não voa com as asas de pássaro, mas voa com as palavras" . Nós não somos poetas mas também podemos voar... E, o nosso voo acompanha a subida das palavras que inflamam a nossa imaginação e nos vasculham a alma em busca de factos e sentimentos que queremos partilhar e perpectuar no tempo.

"Só voa quem se atreve a fazê-lo" __ miou Zorbas o gato grande, preto e gordo da história.

Por isso, também eu aqui estou, apesar dos voos incertos, a partilhar experiências e sentires de mim e dos outros...

A última experiência marcante foi a passagem por um cancro da mama triplo negativo que foi debelado e, hoje, já considero como um passado recente que fica registado para, futuramente, poder servir de apoio a quem possa passar por situação semelhante __ Um cancro que não tem que ser necessariamente da mama. Foi uma experiência que foi sendo registada à medida que o tempo foi passando. É uma exposição pessoal, contada na primeira pessoa mas que poderá ter muito de comum com o que se possa passar connosco, com uma amiga/o, ou com simples conhecidas/os.

Hoje, que encerro aqui os meus relatos relativamente a esta passagem na qual voei nas asas do destino, espero ter uma aterragem tranquila que se possa estender a quem possa eventualmente ler estas palavras que não são de poeta mas de quem por aqui passou e, hoje, encara o Futuro com confiança...




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - "DIA D" / O TEMPO E A VIDA







6,44. Desperto do meu sono.

Dia D - Desembarque dos aliados na Normandia




Hoje, é o "dia D" para mim, não o do desembarque dos aliados na Normandia mas o da minha saída da série de exames e tratamentos na Fundação Chapalimaud a que estive sujeita. Estou do lado de cá. Esta guerra parece estar ganha... O alívio é grande. Terei de voltar, sim. mas para exames de controlo e mais tarde de rotina.

Ao longo de 15 sessões, tivemos que nos dirigir diariamente para o Centro da Fundação _ com descanso aos Sábados e Domingos. Os tratamentos de Radioterapia não são dolorosos. Mas, à medida que o tempo passa, as radiações a que a mama é sujeita, vão deixando marca: a mama intumescida, vermelha e quente; hipersensibilidade na mama e no mamilo e "picadas/guinadas" na mama e cicatriz. Tudo efeitos secundários que poderão prevalecer ou surgir durante 4 a 8 semanas após o final do tratamento. Pois é... É a despedida deste percurso e o preço a pagar pelo último dos tratamentos feitos.

São-nos dadas em pormenor indicações para os cuidados a ter daqui para a frente durante pelo menos um mês após a Radioterapia. O que inclui manter-se SEMPRE a hidratação da pele diariamente bem como a sua protecção quando necessária. A vigilância deve continuar...

E um ano está quase a passar desde que tudo começou em Outº / Novº do ano passado!...

Há casos piores e outros mais simples. Este foi o que me calhou. Mas passou sem grandes percalços... e mais "rápido" do que podia supor. Contei minutos e horas, semanas e meses. Agora, contarei apenas dias, meses e anos, se tudo correr bem... 

E, hoje, não deixa de ser o meu "dia D", o da minha saída de um percurso de tratamentos para uma fase de controlo e vigilância... Como se costuma dizer: "Assim Deus queira". E vai querer com certeza!...




(Imagem retirada da NET)








O CANCRO - O SONHO E O DESERTO...





"Uma vida não basta ser vivida; também precisa ser sonhada"
(Mário Quintana)




É esse sonho que faz mover montanhas; que permite concretizar projectos; aceitar tudo por que se passa, achando ainda assim que vale a pena o percurso mesmo que este se faça no meio de espinhos. Sim... que também as rosas os têm e perfumam as nossas vidas.


Acabo hoje os meus tratamentos. Sonho ficar definitivamente curada; e que, tal como os cactos, estes espinhos me tornem mais forte e resistente, já que, como eles, somos passageiros temporários regados com a esperança de uma cura possível, que nos faça ser capazes de florir por mais rigoroso que seja o deserto. 



(Imagem retirada da NET)




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD E SEUS HORIZONTES







"Não somos paredes, somos horizonte", parece ser o lema deste centro de investigação e tratamento, sobretudo no que respeita ao cancro.

De facto, não se fica pelas paredes, apesar de se lembrarem as pessoas que as levantaram através das fotografias que têm nos corredores que conduzem aos sectores de investigação, diagnóstico e tratamento. O Centro é, sobretudo, as pessoas que incluem os jardineiros, homens e mulheres, até aos médicos , investigadores e toda a gente que os assiste e que apoia quem precisa do resultado dos seus diagnósticos e/ou dos seus estudos, bem como dos tratamentos __ os doentes, sobretudo, do foro oncológico.






O sorriso e a disponibilidade são a norma de quem aqui trabalha.





O conforto e a hospitalidade são também a norma .


O horizonte é o objectivo que se tem e vai conquistando passo a passo na caminhada deste Centro a que eu, como tantos outros, estamos ligados e para sempre gratos...




Cactos porquê?

Porque tal como nós, são os espinhos que os tornam mais fortes e resistentes; mas são capazes de florir nos desertos quando regados com a chuva que os alimenta temporariamente.

Nós somos passageiros temporários regados com a esperança de uma cura possível.



Setembro / 2017



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UM RAIO DE LUZ...






Que um raio de luz ilumine o nosso dia em especial o da nossa querida professora que, hoje, é operada ao coração. Hoje, é ela que precisa da nossa boa energia.

" É verdade, Malay, apesar das nuvens que pairam, a chuva também é redentora, tal como o Sol, também é necessária à Vida (...) Façamos e demos as nossas mãos que ela tão bem ensinou a dar a pincelada, as luzes e as cores." __ Lourdinhas

Foste tu, queridíssima, que nos ensinaste que as nuvens não são brancas mas têm todas as cores do arco iris; foi a tua luz que sempre nos recebeu de braços abertos quando batíamos à tua porta; ensinaste-nos também as cores da tolerância, simplicidade e humildade...

Temos pois que  caminhar juntos esperando o renascer da nossa mestra com o coração tão grande que nos consegue albergar a todos de novo. 

*****
Como o teu mestre te ensinou!...





sábado, 16 de setembro de 2017

CARTA ABERTA A QUEM MAIS QUERO







Queridos, P., M., V., J.P., N. e tantos amigas e amigos,


Alguma coisa temos que fazer por aqui... A Fé no fundo é estarmos de bem connosco mesmo e sermos úteis ao próximo. A Tia M. do C. tinha razão, o P. é um homem de Fé, embora não o saiba. 


Emagrecer e não engordar só depende de nós. Ter Fé é um Dom... E, como o Céu e o Inferno estão dentro de nós, é a nós que compete encontrar a nossa Fé.

Desde que vamos estando de bem com a nossa consciência não temos mais com que nos preocupar...





sexta-feira, 15 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - A MINHA NOSSA SENHORA






Figura pintada à mão pela Tia Maria do Céu




O cabelo vai crescendo. A radioterapia chegando ao fim. Breve, breve... a minha Nossa Senhora partirá noutra missão. Se tenho Fé?!... Vivo-a através das dos outros. Por enquanto, está na minha mesinha de cabeceira. Ainda me acompanha. Mas alguém vai precisar mais do que eu. E, aí vai ela, para dar apoio e ajudar na recuperação.

Se estou curada?!... Não sei. Só o passar do tempo o dirá. Nessa altura, certamente, já terei de volta a Senhora que nos tem acompanhado. Também a minha amiga terá recuperado. E, poderei agarrar, de novo, esta delicada figura que um dia foi pintada por alguém de Fé inabalável. Sentir-lhe o manto macio, a aurela redonda que lhe cobre a cabeça, as pequenas mãos delicadamente esculpidas, tanto de dia como de noite, numa prece de agradecimento pelas graças que nos foi concedendo.

É preciso ter Fé. É preciso acreditar... E tudo o mais vem por acréscimo.





quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - RAPARIGA DO BRINCO DE PÉROLA E EU...




Durante todo este tempo me senti a rapariga dos brincos. Os meus brincos de pérolas estiveram sempre nas minhas orelhas. Não os levei no dia do meu casamento, porque dizem que brincos de pérola em dia de casamento dão azar. Mas, agora, estou a usá-los durante todo este período como um amuleto. Foi o meu pai quem mos deu há tantos anos que não faço contas. Chegou a altura de me darem sorte.


Os turbantes que usei por casa, eram azuis como o da "Rapariga do Brinco de Pérola" de Vermeer. Quadro que tentei reproduzir sob orientação da minha professora de pintura e que é a única coisa material (das muitas que têm significado para mim) que faço questão de ter junto a mim até o dia do juízo final.


No fundo, quis o destino que aquele fosse em parte o retrato da sua autora o quadro da "Minha Menina" em que a única coisa que fiz sem ajuda da minha mestra foi a parte do turbante feito a espátula e o toque de brilho no brinco de pérola. Sim, durante todo este tempo em que estive sem cabelo o quadro era um reflexo de mim e eu o espelho dele.


Agora, os cabelos vão crescendo e aos poucos irei libertar-me de uma imagem que foi a minha a da "rapariga dos brincos de pérolas", para passar de novo  a ser a Malay que utiliza os brincos de pérolas em dia de festa, ou em ocasiões especiais que podem ser qualquer dia em que festejo isso mesmo __ a VIDA!...








CANCRO DA MAMA, OS MEUS CABELOS BRANCOS E A RAPARIGA DO BRINCO



Passo as mãos nos cabelos que vão despontando. Oh, sensação de prazer!... Os cabelinhos vão crescendo numa nuvem que emoldura o crânio. Vêm branquinhos quase todos. À medida que os afago sinto arrumar também o coração.

Como Mahatma Gandhi disse, "se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves da alma". No meu caso, vim de uma prova que agora me permite apreciar em particular o suave afagar de uma cabeça que começa a ficar coberta de uma suave penugem que me traz o prazer  de ter uma nova alma cheia de esperança em novas etapas que se aproximam.

Daí que procure fazer como diz um ditado chinês, arrumar o coração assim como arrumo os cabelos que agora vão cobrindo a minha cabeça.




terça-feira, 12 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - " UM TESTEMUNHO NA PRIMEIRA PESSOA"







Ainda faltam alguns tratamentos de Radioterapia, mas já considero como se tivesse chegado ao fim. Sinto-me bem e com forças para esta etapa final. Sei que só a partir de alguns tratamentos de Radioterapia é que os efeitos colaterais se poderão fazer sentir. Mas, isso eu já o descrevi, num "post" anterior. Neste momento, o que me interessa é que o fim desta caminhada se aproxima. Chega, assim, a altura de fazer um balanço. Balanço que fica registado num pequeno livrinho que escrevi compilando os "post", do meu “Blog” RECOMEÇO, e que fui escrevendo ao longo dos meses, desde a altura em que se detectou que alguma coisa não estava bem a nível de um dos meus seios. 


É verdade... Declarou-se o cancro da mama em que de 3,6 cm de carcinomas, 6 milímetros eram invasivos e potencialmente "perigosos".


Hoje, fica a lembrança de uma luta travada por aqueles a quem dirigi este pequeno caderno, a que chamaria "diário de bordo”, que foi entregue especificamente a quem mais me acompanhou nesta caminhada que se chama:  "Cancro da Mama - Um Testemunho na Primeira Pessoa". 


De forma perfeitamente aleatória, passo a citar algumas dessas pessoas:


__ O médico de Radioterapia (Dr.J.M.); as assistentes operacionais (S. e E.) e administrativas; os técnicos de Radioterapia (N.,D., R. e A.); bem como as enfermeiras (C. e E.).
__ As pessoas do Hospital de Dia que me acompanharam na Quimioterapia.
__ Os médicos (Drª J.R. e Dr. M.C.); enfermeiras e assistentes operacionais que me acompanharam nas consultas de Oncologia.
__ Quem me acompanhou na operação: médicos (o Dr. D.P. em especial), enfermeiras e auxiliares.
__ A equipa da Drª C. A. que, na Radiologia, detectou o carcinoma e o localizou.
__ Os técnicos e assistentes da Imagiologia e Medicina Nuclear que fizeram o TAC, a cintigrafia e todos os exames requeridos.
__ As enfermeiras e assistentes operacionais das Análises Clínicas.


Enfim, com receio de deixar alguém de fora, para além das pessoas da limpeza e do jardineiro, há um nunca acabar de pessoas que têm como objectivo tornar esta viagem o mais confortável e esperançada possível.


A propósito, o meu cabelo já começa a crescer e as minhas unhas estão pintadas graças à minha cabeleireira e sua equipa que tanto me apoiaram nesta aventura. Para não falar de familiares e amigos...


Por tudo isto, a minha gratidão não tem limites e ficará como um marco desta guerra cujas batalhas foram sendo vencidas.


E se houver uma recidiva?!... Então, logo se verá o que fazer. Para já fez-se tudo o que estava ao nosso alcance com responsabilidade, empenho e sempre com um sorriso ou uma palavra de incentivo.


Uma palavra ainda para a Filipa e seus colegas da reprografia que com empenho e profissionalismo me ajudaram a fazer a compilação deste pequeno "diário de bordo".


Não poderia ainda de deixar de destacar o meu médico ginecologista, o Dr. H.N., que me disse: " Não podemos considerar um azar, mas uma sorte termos os métodos de diagnóstico e tratamento tão avançados e eficazes quanto possível". 




Manuela Coutinho
(Malay)
http://malay-2014.blogspot.pt 




Todos somos importantes nesta luta. A luta contra o CANCRO...






domingo, 10 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - CARLA ANDRINO - UM EXEMPLO A SEGUIR...





"Carla Andrino esteve este Sábado na Mata Nacional do Bussaco para plantar uma árvore. Uma iniciativa que reuniu outras figuras públicas e que não deixou ninguém indiferente."




"A atriz, que lutou contra um cancro da mama, emocionou-se com o gesto, tal como contou através das redes sociais. "Acabei de plantar uma árvore na Mata Nacional do Bussaco. Obrigada VIDA, aplaudo-te de pé!", escreveu na legenda da imagem, onde se vê que o cabelo já está a crescer.

Recorde-se que Carla Andrino, de 51 anos, foi diagnosticada com um tumor na mama em Outubro de 2016 e terminou os tratamentos no passado mês de Agosto."

(Texto e imagens tirados da NET - 10/9/2017)



São testemunhos destes que nos ajudam a ultrapassar situações semelhantes. Disseram-me: __ "Isto é assunto só de família, não deves contar a ninguém, fica entre nós!" Ao que respondo: __ "Não estamos na Idade Média em que nem se sabia porque é que as pessoas morriam; não estamos no século passado, em que muitas vezes o cancro era escondido e pouco se falava sobre o assunto, porque não era vergonha, mas não era fácil falar disto... Hoje, século XXI, sabemos que pode haver cura e que é a tempo que se devem tomar medidas para evitar um mal maior. É isso, "CANCRO" é uma palavra de ordem onde todos devem estar informados e não considerar que somos uns "coitados", mas uns lutadores que sabemos o que queremos e temos que desmitificar e evitar esta doença que é cada vez mais frequente, abrangendo pessoas de todas as idades, (talvez antes já fosse assim), mas a prevenção e o detectar a tempo os carcinomas é cada vez mais uma realidade.

Sim, não desisti de deixar o meu testemunho. Por isso aqui está ele para quem o quiser ler... Tal como o cabelo da Carla Andrino, e de tantas outras mulheres que vejo na Fundação, o meu cabelo já cresce só que está um mês atrasado o que significa que está mais pequeno...

Sejamos todas como a Carla Andrino, e tantas outras mulheres, que não baixam os braços e partilham o que passam ou passaram para que todos juntos possamos encarar uma doença como o cancro com naturalidade, tranquilidade e força na crença de que, se for a tempo, apenas é uma fase passageira...







sábado, 9 de setembro de 2017

CANCRO DA MAMA - RADIOTERAPIA - EFEITOS COLATERAIS E CUIDADOS A TER





Pôr do Sol na varanda - 8/9/2017




O Verão caminha rapidamente para o fim. São cinco/seis horas da tarde. O Sol de Setembro, ainda quente, acalenta a conversa serena entre mim e a minha mãe que, sentadas vamos olhando o mar. Vou rodando para a sombra à medida que o Sol vai descendo. Protejo, o meu seio (mama) em tratamento, com a camisola e a echarpe vermelha.

Eis que o telemóvel toca. É uma amiga que, quer saber de mim, como o tem feito ao longo de todo o percurso que tem sido o tratamento da minha doença.

No meio da conversa levanta duas questões. A primeira, quanto aos efeitos colaterais da Radioterapia no caso do carcinoma da mama. Ao que respondo com o que me foi explicado na consulta de acompanhamento pela enfermeira C.:
__ Possibilidade de aumento do volume da mama; vermelhidão e comichão na zona tratada ( mama e axila); escurecimento do mamilo; cansaço... sendo estes os efeitos colaterais mais prováveis.

Também quis saber quais os cuidados que eu tinha que ter. Como não apanhar Sol na mama, directa ou indirectamente, apesar de poder ir para uma esplanada ou para o ar livre, mas evitar a exposição da mama na praia ou na piscina ao calor do Sol. Para isso, utilizar, por exemplo, um lenço que proteja melhor o peito e tê-lo protegido por uma peça de roupa até ao cimo da clavícula.
Evitar cozinhar junto a uma fonte de calor, tendo também o cuidado, por exemplo de, ao levantar a tampa de uma panela, o fazer de modo a que o vapor não venha em direcção ao peito.
Evitar passar a ferro, não impedindo que o façamos se for uma peça de roupa ou outra. 
Enfim, evitar situações de calor ou frio excessivo.
No caso de ter comichão na pele não coçar e não aplicar nada a não ser gelo embrulhado num paninho, por exemplo.
Assim como no banho (duche) não utilizar nenhum produto de higiene. Utilizar unicamente a água fria ou morna; nem pôr cremes hidratantes ou qualquer outro produto na pele afectada pelo tratamento. Assim como também não utilizar desodorizante na axila tratada.
Não usar sotiãs apertados, podendo substituí-los por uma peça de algodão mais justa.

No geral, foram estas as recomendações que retive.

Ao terminar o telefonema, a minha amiga, manifestou a sua satisfação com a forma positiva e descontraída com que eu enfrentava a situação.

De facto, o estar-se a aproximar do fim de todo este processo de erradicação da minha doença e ser informada passo a passo daquilo que é natural que possa acontecer, torna possível enfrentar a situação de modo esperançado e resignado com os efeitos que os tratamentos provocam.



 Jardim do Centro Champalimaud 8/9/2017