quarta-feira, 9 de novembro de 2016

MÃES GALINHAS, PAI GALO __ UMA CONVERSA, UM EQUÍVOCO E UMA LEMBRANÇA...






Tinha quatro anos. O meu filho andava no Infantário. Era habitual fazer-se a festinha de final de ano em que meninos, meninas e educadoras apresentavam os seus números a uma plateia recheada de pais. Mas, desta vez, seria diferente. Eram alguns dos pais que iriam actuar para uma plateia recheada de filhos. Desta vez, seriam os pais os palhaços, malabaristas, cantores, actores, dançarinos, contadores de histórias...

Os ensaios eram feitos ao final do dia. Idealizar e improvisar os fatos, afinar a voz, acertar o passo de dança, memorizar letras e falas, eram tarefas acrescidas a um dia de trabalho que se revelavam divertidas para um punhado de pais entusiastas, juntamente com os seus filhos e educadoras.

O dia chegou e entrámos no palco seis galinhas coloridas e um galo. __ "Doidas, doidas, doidas andam as galinhas para pôr o ovo lá no buraquinho. Raspam, raspam, raspam...". Canções infantis coreografadas por um grupo de galinhas vermelho, verde, azul, roxo, amarelo, laranja e o seu galo que rodopiavam no palco improvisado dentro do sincronismo possível. Eu era a galinha vermelha... Ainda guardo as minhas "penas" encarnadas de papel "crepon", o bico e a crista de cartolina pintada.





Os anos passaram. Os nossos pintainhos cresceram. Um dia encontrei o pai galo numa festa de final de ano da Escola. Era ele pai de seis filhos e tinha feito também parte do número dos palhaços. Dirigi-me a ele de mão estendida. __ "Como está?! O senhor era o galo..."; __" Não.", respondeu, " sou fulano de tal...". __"Sim, mas era o galo..." . E o equívoco esclareceu-se.

Sem dúvida de que, ser mãe galinha ou pai galo naquela capoeira colorida, foi um marco que ficou na história do desenvolvimento dos nossos pintos. Continuámos pais e mães galinhas no nosso dia-a-dia ao acompanhar os nossos filhos. Agora que eles cresceram, esperemos que não precisem estar mais debaixo das nossas asas mas possam voar para novos destinos estando "doidos" por desenvolver os seus próprios projectos e proteger os seus pintos. Hoje, resta-nos a esperança de que tenhamos cuidado bem das nossas capoeiras.





(Imagens retiradas da NET)







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