quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DOURO - DESTINO DE FÉRIAS DE VERÃO / UMA AMÁLGAMA DE LEMBRANÇAS E EMOÇÕES




(Douro- 2018)

Ao dar a curva, temos uma vista privilegiada sobre aquele lugar que continua aninhado no monte, igual a si como há dezenas de anos atrás. Certamente mais velho e mais deserto das gentes que lá moravam, mas isso não vemos daqui de longe na estrada. É um lugar igual a tantos outros que se vão encontrando nas curvas e contracurvas de uma estrada que não deixa de vista o Rio Douro.

A casa do Avô era um destino de férias de eleição. Tanta coisa ficou gravada na nossa memória!... As histórias de uma família que aqui ganhou raízes durante gerações. Para nós era a alegria de sermos bem recebidos por um avô benevolente e falador que tinha sempre coisas para contar enquanto, recostado na sua cadeira, ia enrolando a mortalha do seu cigarro sobre a carreirinha de tabaco, que dispunha cuidadosamente dentro dela, e o fechava depois de passar a língua na borda da folha de papel, em gestos tranquilos e de prazer como parecia ser o seu sentimento quando nos recebia de visita. Tudo era diferente dos ritmos e sentires da cidade. A apanha de fruta directamente das árvores ou das uvas das videiras. A frescura da água da fonte que alegremente íamos buscar num cântaro para o almoço. O cheirinho inesquecível a maçã no armazém escurecido onde se guardavam, amontoadas no chão feito de tábuas ou espalhadas em tabuleiros, as batatas e as frutas da época e que,  para nós, era mais um local de aventuras, para além dos campos em volta da povoação. O fresco da loja onde se guardavam as pipas de vinho em casca de carvalho. O chiado das rodas do carro de bois que penosamente subia a ladeira calçada a pedra, no meio da povoação, e que passava mesmo  ao fundo das escadas que desciam do varandim da porta da casa. O cantar dos galos logo pela manhãzinha, que ao despique anunciavam o começo de um novo dia, e as vozes das gentes, que cedo se iam movimentando na povoação e nos campos em volta, eram sons que ecoavam pelo ar leve e fresco das manhãs. Os jogos de cartas na sala de jantar com as suas janelas de guilhotina e caixilhos de madeira pintados de vermelho debruçadas sobre o vale onde corre o Rio Douro e por onde se espreita o Marão na outra margem. Jogos em que ia participando a família quase toda nas tardes mornas quando, já mais velhos, pouco mais havia para fazer, para além de conversar, ler algum livro ou ir dar um passeio a pé pela berma da estrada. O som cadenciado do sino da capela da aldeia que marcava as horas e as meias, mesmo por cima das nossas cabeças. O som da buzina e a música estridente e intermitente dos altifalantes que rompiam o sossego da terra e anunciavam a chegada da carrinha dos frangos, mesmo quando ainda vinha longe, e ia passando ao longo da estrada percorrendo os montes que ia torneando devagar. Os foguetes, cujos estalidos ecoavam através dos montes e vales nos dias de festa, ou que anunciavam mais uma romaria festejando a devoção a mais um santo ou Senhora, padroeiros das inúmeras capelinhas e igrejas das redondezas. A passagem pela venda da aldeia, com a sua atmosfera meio obscura e o seu balcão de madeira gasto e corrido, para fazer algum recado ou dar dois dedos de conversa. Os cumprimentos gentis das gentes com que nos cruzávamos quando subíamos ou descíamos a íngreme ladeira que ia dar à casa ou passeávamos ao longo da estrada apanhando as amoras silvestres que ninguém queria mas faziam as nossas delícias. A porta sempre aberta para quem viesse, pois era ofensa manter fechada… Um sem número de cheiros, sons, vivências e lembranças que ficaram gravados na nossa memória dos dias de férias vividos naquela aldeia encarrapitada numa das inúmeras encostas do Douro em tempo de Verão.

O tempo passou. Hoje, é só uma amálgama de boas lembranças e gratas emoções. Emoções como a saudade de um tempo que já não volta numa terra que continua aninhada no monte à espera de que outros a descubram, agora, possivelmente, com outros sons, outros cheiros e outros sabores, mas a mesma paisagem... 




 A capela do povoado à beira da estrada



terça-feira, 9 de outubro de 2018

DOURO - UMA TERRA EM SOCALCOS, VERDE E GRANITO: O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO











O Marão é uma presença agreste mas bela que acompanha a paisagem de parte das terras altas e produtivas do Douro…



De dia, vêem-se as pás gigantes das enormes torres eólicas que, lá no alto, vão girando a ritmos variados consoante os ventos que sopram no cimo da Serra, numa manifestação pacífica das novas tecnologias; enquanto que, um casario que se vai espraiando encosta acima em aglomerados mais ou menos dispersos, surpreende pelo facto de ser muito difícil encontrar zonas planas de maior área em qualquer ponto da parte ocupada pelo Homem, para onde quer que olhemos.  



De noite, até cerca das dez horas em que ainda estão acesas a maioria das luzes das casas que se espalham até onde a vista alcança, podemos deliciar-nos com a calma que paira no ar e aqueles inúmeros pontos luminosos que mais parecem um presépio feito de luzes.


Pequenos presépios parecem também as pequenas aldeias e lugares que se encavalitam monte acima, perdidos entre diversas árvores de fruto, cerejeiras, oliveiras, castanheiros e pinheiros, bem como nas suas latadas de videiras ou nos socalcos de vinha que rasgam as encostas bastante íngremes.


Porém, a presença de casas que hoje se encontram ao abandono, são vestígios de outros tempos em que as gentes permaneciam nos campos, antes de emigrarem para as cidades ou para o estrangeiro. Muitos dos filhos da terra partiram em busca de melhores vidas. Vidas menos duras do que a do trabalho do campo desta terra tão generosa mas tão difícil de cuidar.





Ainda assim, novas gentes têm vindo para estas terras acidentadas procurando tirar delas o melhor partido possível. Uma das potenciais fontes de riqueza, para além de uma lavoura um pouco mais modernizada, sobretudo no que respeita à vinha, será possivelmente o turismo. Velhas casas solarengas têm sido restauradas para receber possíveis visitantes; rotas turísticas como a do Românico, no Norte de Portugal, que também incluem esta zona, permitem duma forma mais organizada dar a conhecer mosteiros, igrejas e memoriais, pontes, castelos e torres que têm em comum a arquitetura românica característica desta região; a par disso, as provas de vinhos que se vão fazendo nas maiores casas da região estão a tornar-se moda.



Mas as tradições ainda se fazem sentir, é assim que capelas e igrejas vão fazendo soar as trindades em fim de tarde através dos montes e vales e são ponto de encontro em dia de missa, feriados e nas romarias que se vão sucedendo ao longo dos meses mais quentes mesmo junto à estrada, onde participam gentes da terra e aqueles que partiram para mais ou menos longe, mas que retornam periodicamente para matarem saudades das suas origens.




Descendo das terras altas, vamos ao encontro do Rio Douro que acompanha este vale como uma fita azul que torna verdejante e bela esta parte da região. Ao fundo vê-se o Peso da Régua, cidade que hoje é bastante rica em oferta hoteleira e é ponto de paragem dos barcos turísticos que sobem e descem o Rio Douro em busca da beleza impar e exemplo do esforço humano que são estas terras do Vale do Douro.


As grandes casas de lavoura junto à Régua acompanham os caprichos dos montes nas sua curvas e contracurvas vestindo-os com os seus vinhedos em fiadas bem alinhadas que aproveitam qualquer palmo desta terra tão generosa para produzir o Vinho do Porto apreciado em todo o Mundo.
   

O Douro!... É assim que partimos destas terras que foram dos nossos bisavós, avós e pais. Sabemos que, embora só cá possamos voltar de visita, foram terras de gente rija, gente de palavra e trabalhadora, amante dum mar verde e ondulado que irá ter continuação nas novas gerações que para cá vêm com novas armas e ideias de como viver numa terra que ainda tem tanto para dar…


(…)

"Oh! Douro-Poema, Homem-Menino
Se soubesses quanta vida me dás!
Em ti, nenhum sonho é pequenino
Minha alma jamais olha p’ra trás!"


(…)



Excerto de um poema de Teresa Teixeira e Jéssica Neves




Para nós, ficam a lembrança e a saudade dos tempos que foram bons e valeram tanto a pena!




segunda-feira, 1 de outubro de 2018

DOURO - AS GERAÇÕES VÃO PASSANDO MAS A BELEZA DESTAS TERRAS PERMANECE





Deixámos para trás aquelas paisagens que enchem o olhar de beleza e o coração de saudade de um tempo que ficará para sempre gravado na nossa memória. É uma subida ingreme e esforçada para aquele sonho de menino. Era ali que um dia desejava vir a construir uma casa. O tempo passou e o sonho tornou-se realidade. É ainda a sua casa de férias... a casa do Douro. Uma casa rústica e simples com uma paisagem deslumbrante.




Daqui, do lado a sul do rio, vislumbra-se um Marão alcantilado, imponente e belo recortado no horizonte da margem direita em direcção ao Norte… Ao fundo, no vale, vêem-se o rio e os comboios que vão passando espaçadamente junto ao rio Douro ligando a Régua ao Porto, bem como os barcos que trazem turistas para visitar este mundo da lavoura e, sobretudo, das cerejeiras, oliveiras, castanheiros e vinhedos. Vinhedos esses bem tratados  que desfilam em terras de acesso difícil onde o Homem reforça a sua presença nos socalcos arrancados às encostas dos montes duma forma geométrica aparentemente impossível. 




As lembranças de nós, dos avós, pais, tios e primos que por estas terras andaram em alturas de férias de outros tempos, vêm-nos à memória. Viemos meninos, convivemos com as gentes da terra que eram gentes hospitaleiras. Gentes que se conheciam todas. Gentes que tinham as suas rotinas e os seus trabalhos interrompidos de bom grado por quem vinha de passagem e férias saborear o que de bom a terra tem para dar. Gentes que tinham o tempo todo do mundo, para além das exigências dos trabalhos do campo. Gentes que se juntavam no átrio da pequena capela à beira da estrada nos momentos de lazer ou nos Domingos soalheiros para ver quem passava e dar dois dedos de conversa. Muitos já morreram, muitos partiram para outras paragens, poucos ficaram.





A estrada continua perigosa com as suas curvas e contra curvas roubadas aos montes e as suas bermas estreitas. Mas, a velocidade e descontração dos automobilistas que se aventuram por ela, não impedem ainda hoje as gentes da terra de se deslocarem a pé de lugar para lugar, tal como nós o fazíamos de cajado na mão para se visitar o Avô em Covelas, a Enxertada, ou S. João de Fontoura, ou a prima Aura no Estremadouro, ou a venda da Massorra…, enquanto se apanhavam as gordas e negras amoras silvestres que pendiam das silvas que ladeavam a estrada ou nos refrescávamos na fonte de águas puras que, então, se podiam beber. Ao longo da estrada, muitas casas decrépitas deixam adivinhar outros tempos de vida e movimento naqueles montes que se vão sucedendo uns aos outros. No entanto, lugares como as Castanheiras ou Rendufe permanecem na mesma, com as suas casas senhoriais bem preservadas, debruçadas sobre os montes que descem para o vale e ladeando a estrada principal por onde se passa. São casas de granito, paredes caiadas, muros de pedra, portões de ferro trabalhado que parecem seguras do seu passado e esperançadas no seu futuro. Para além de que novas vinhas e novas casas vão aparecendo, estas ainda sem história mas projecto de novas vidas que aqui se irão enraizar, ainda que seja como casas de campo, de fim de semana ou de fim de uma vida de trabalho para quem de longe vem de emigrado.





O horizonte é salpicado de casario que, ao estar iluminado à noite, mais se assemelha a um presépio. Ao entardecer, o Sol despede-se como uma mancha vermelha de fogo que encima o cume de montes e serras, deixando atrás de si um manto de neblina e cinza que se vai tornado negro enquanto que os pontos de luz vão aparecendo dispersos revelando a presença humana em locais que de outra forma a vista não alcançaria.




Lá no fundo, o sino da Igreja da Senhora da Guia, em S. João de Fontoura, faz-se ouvir por vales e montes. Ecoa no manso da tarde e acentua o sentimento nostálgico de tranquilidade e bem estar de quem se senta na varanda da casa, para saborear os últimos momentos de um espaço que hoje já vai fazendo parte da nossa história de família. Mesmo que nós tenhamos vindo só para gozo de férias ao longo dos anos, somos mais uns a partir desta terra generosa com alguma saudade dos tempos que ali vivemos. Novas gentes virão que, como nós, poderão vir a saborear a beleza da paisagem e a viver uma nova história que atravesse gerações nesta acidentada e bonita terra do norte de Portugal que é banhada pelo Rio Douro.






(Fotografias tiradas em Setembro de 2018)




DOURO - CALDAS DE AREGOS - UMA PARAGEM NO TEMPO OU NOVOS RUMOS?!...




Manhã cedo ainda se faz sentir a frescura da noite para o começo de um dia que se adivinha quente. Setembro está acabar, mas o Verão tardio ainda se faz sentir.


Caldas de Aregos é uma vila que teve os seus tempos áureos no século XX, anos 40, quando as suas termas eram chamariz de gentes que vinham em busca de tratamentos sobretudo para o reumático. Foi assim durante anos com a avó do meu pai e tantas outras gentes que, das redondezas ou de longe (até mesmo do estrangeiro), para lá se deslocavam para ir a banhos nas águas "milagrosas" das termas. A minha bisavó fez parte dos utentes habituais das Caldas que para lá se dirigiam por períodos compreendidos entre os meses de Maio e Outubro. No entanto, a história das termas remonta ao século XII, altura em que a Rainha D. Mafalda aí criou uma albergaria para tratamento de várias doenças.




Com a construção da Barragem do Carrapatelo e Invernos rigorosos a estância termal fechou no final dos anos 70. Mais tarde, em 1992, foi construído o actual balneário. Em 2009 o município adquiriu as termas das Caldas de Aregos e parte importante do seu património com o objectivo de impulsionar as dinâmicas necessárias para transformar as Caldas de Aregos num destino atractivo para o investimento privado e num destino turístico de excelência.

Consegue-se ver hoje em dia esse esforço, sobretudo com a marina resguardada na margem do rio de onde partem barcos de recreio e turísticos para passeios neste troço do rio Douro aconchegado por uma paisagem paradisíaca.







Porém, não há grande oferta para nos instalarmos neste recanto do Rio Douro. Mas, o  Douro Marina Hotel e Spa é uma opção de qualidade, onde as instalações remodeladas são agradáveis assim como o atendimento do seu pessoal simpático e atencioso.


No entanto, mesmo ao seu lado, ainda estão por recuperar vestígios dos tempos áureos deste lugar tão apreciado em várias épocas da sua história. Caldas de Aregos é um local que querem voltar a reactivar, apesar da estrada de acesso ser pouco fácil, mas que ainda assim não ficará demasiado longe do Porto. 




Quem sabe o seu futuro possa não passar apenas pelas suas águas termais mas também pela sua localização duma beleza sem par junto a um Douro que oferece as suas águas para passeios inesquecíveis nesta zona acidentada e tão bela a norte de Portugal.






(Fotos tiradas em Setembro de 2018)





domingo, 23 de setembro de 2018

"SONHO" - UM ABSTRACTO EM EXECUÇÃO








(Pintura a acrílico sobre tela - Setº 2018)


É sempre arriscado enveredar por um abstracto, mas é um jogo que dá muito gozo. 



Depois de dada uma base colorida, manchou-se a tela diluindo-se a tinta acrílica com água ou borrifando-se a tinta já aplicada na tela para obter os aguarelados; arrastou-se a tinta com uma espátula ou pincel para ajudar a obter as manchas ou conseguir o efeito de riscado… Por outro lado, no caso de querer evitar arrastar a tinta já aplicada, deixou-se secar bem as camadas inferiores, se necessário com a ajuda de um secador, e foi-se fazendo a aplicação de um produto isolante sempre que se queria conservar o trabalho já feito, já que se trata de acrílico solúvel com água enquanto não estiver perfeitamente seco… 

As formas foram surgindo… mas vai ficando sempre a dúvida quanto à harmonia do conjunto. É isso que me está a acontecer com este trabalho. Gosto do aguarelado de parte das manchas de cor e do preto, de algumas das texturas, mas falta qualquer coisa. Ainda está confuso… Vamos ver, numa fase seguinte, o que o espera… que elementos de ligação… Tirar o que está a mais, ou acrescentar um toque que falte?!… Reforçar e/ou fazer a sobreposição de mais elementos, manchas ou riscos; fazer a eliminação de alguns deles; ou ficar-se por aqui?... Está tudo em aberto.

Afinal, mudou radicalmente. Uma vez mais, com a orientação de quem com naturalidade, criatividade e dom nos vai ajudando a resolver os problemas que se vão pondo na execução dos nossos trabalhos (*), chegámos a um resultado com o qual fiquei muito satisfeita. Tem qualquer coisa de especial, foi feito numa altura especial, tanto assim que lhe dei o nome de "Sonho" e lhe arranjei espaço em frente à minha mesa de trabalho. É mais um marco nesta aventura do uso da tinta com os mais diversos materiais e truques para além do pincel… Foi um "quadro sonhado", "vivido como um momento único" que "eterniza minutos de energia criativa e de felicidade"(*) partilhado no mundo mágico da Pintura guiado com tanta simplicidade e entrega. Por isso, estou grata a quem me permite viajar neste mundo com maior segurança, motivação e criatividade. Um sonho que aos pouquinhos se vai tornando realidade.



("SONHO" - Pintura a acrílico sobre tela - Outubro/2018)(*)





O FORTE DE SANTO ANTÓNIO DA BARRA E O FIM DO REGIME DITATURIAL DE SALAZAR








Desde miúda que, ao passar na Marginal entre S. Pedro e S. João do Estoril, conseguia vislumbrar esta pequena fortificação, envolta em algum mistério e por uma vegetação mais ou menos densa que pouco deixava adivinhar da sua presença e estrutura. Hoje, recuperada, está aberta ao público e eu tive, finalmente, a oportunidade de a visitar mais de perto. Não chegámos a entrar no interior das instalações, o que fica para uma próxima oportunidade, porque não admitem cães e, hoje, levávamos o nosso Teco.

A estrutura desta pequena fortificação remonta à época da Dinastia Filipina, quando Filipe I incumbiu o engenheiro militar e arquitecto  napolitano, frei Giovanni Vicenzo Casale, de elaborar uma planta de Cascais bem como uma carta da costa até São Julião da Barra. Entre as preocupações do monarca estava a melhoria o sistema defensivo da barra de Lisboa (1586), zona pela qual se concretizou a campanha  do Duque de Alba para tomar a capital e o trono portugueses, e em que a ameaça de corsários ingleses e holandeses era uma possibilidade. Com estas fortificações, D. Filipe pretendia, portanto, evitar o acesso a Lisboa pelo rio e eventuais desembarques na linha de costa entre São Julião da Barra e Cascais.



As bonitas guaritas cilíndricas com cúpulas nos vértices são pontos de vigia tanto de terra como do mar. Hoje, desactivadas são, no entanto, vestígios daquilo que delas se esperava em tempos mais remotos.



Esta fortificação marítima apresenta uma planta poligonal irregular estrelada que a torna única neste conjunto de fortificações que estão dispersas ao longo da linha de costa de Cascais até Santo Amaro.


 Entre as duas linhas de muralhas do forte abre-se o fosso.



O forte, debruçado sobre o mar, parece atento a todo o movimento que se faz naquele lençol azul, debruado com uma fina renda de espuma… É hoje um ponto turístico. Teve no passado inúmeras funções.





Um dos períodos mais emblemáticos do Forte de Santo António resultou da escolha, por parte do presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar,, para aqui estabelecer a sua residência de Verão entre 1950 e 1968. Seria neste forte que, em 3 agosto de 1968, Salazar sofreria um acidente doméstico, ao cair quando tentava sentar-se numa cadeira. Este episódio foi decisivo no processo de decadência do seu regime. O agravamento do seu estado de saúde conduziria à nomeação, em 18 de Setembro, do Professor Marcello Caetano, como Presidente do Conselho e ao início das alterações das condições políticas em Portugal que viriam a culminar com o fim de uma ditadura de 40 anos. 




(Informações retiradas da NET e fotos de 22 de Setembro/2018)

O forte visto do mar.
(Foto retirada da NET)