Quando temos a sorte de ser acompanhados nesta descoberta, o prazer de o fazer torna-se redobrado.
"Recomeço" - mais uma janela aberta para o que nos rodeia ou para o nosso próprio estado de alma. Histórias de ontem, de hoje e, quem sabe, de amanhã...coisas da Vida, da Pintura, do Desenho, da Fotografia, da Escrita e da Poesia...
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
O YOUTUBE, FONTE DE INSPIRAÇÃO E FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM - Qiang Huang painting still life
Quando, até encontrar um pintor no youtube como Qiang Huang, é partilhado...
...o prazer de ver surgirem as formas, as cores e as luzes não tem limites. A alternância entre a subtileza e a firmeza dos traços parece pura magia. A beleza das tonalidades é entusiasmante... Dá logo vontade de nós pegarmos no pincel e tintas e começarmos a pintar, só que o resultado não é bem o mesmo!... Mas sempre serve para tentarmos melhorar e chegarmos onde pudermos, sobretudo se tivermos quem nos apoie e oriente...
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quarta-feira, 30 de outubro de 2019
COPIANDO E APRENDENDO COM OS MESTRES - PARTINDO DE UM TRABALHO DE QIANG HUANG
Desta vez o ponto de partida foi um trabalho belíssimo de Qiang Huang pelas suas cores e luminosidade ...

Fazer o esboço a grafite foi tarefa fácil

A partir de um programa do Youtube, encontrámos uma paleta de Qiang Huang. Será basicamente a partir dessa paleta que iremos tentar conseguir a maior parte das cores a utilizar no trabalho.
Numa primeira etapa, cobriu-se todo o trabalho com pinceladas rápidas passando inclusivamente por cima dos traços da grafite que foram previamente "limpos" com a borracha e um pano. Depois das pinceladas dadas de forma descomprometida sobre as várias zonas do trabalho, retirou-se o excesso da tinta com um pano. Estava, assim, pronto para se iniciar a aplicação de cor. Traçaram-se, então, os contornos com terra sombra, sem preocupação de grande rigor.
Agora é que as coisas se complicaram... Na pera da esquerda é possível ver-se o erro cometido ao aplicar a cor branca logo como base. Acinzentei as cores, não conseguindo brilho e beleza nos tons usados. Os tons ficaram pardos. Na pera do meio, delineada a cores pela mão da minha mestra, já se consegue ver a beleza e diversidade das cores e tons. Normalmente, deve utilizar-se a cor branca só para etapas posteriores...
A leveza que agora se sente na pera da esquerda, foi conseguida utilizando cores opacas como o amarelo limão, misturado com o azul ultramarino para obter os verdes. Para conseguir aplicar a cor sem arrastar a debaixo, utilizou-se o pincel com óleo em quantidade equilibrada e bastante carga de tinta. Mais uma vez é bem evidente a diferença do "toquinho" da nossa mestra. Mas agora parece que entendi melhor como fazer.
É fácil? Nem por isso. Pode parecer, quando vemos um mestre como Qiang Huang pintar ou a nossa mestra. Mas é com este tipo de trabalhos que vamos aprendendo. E o "bichinho" cá está a roer para continuarmos a tentar. Há que apostar também em tintas de melhor qualidade e é o que vou tentar fazer. Pelo menos, em cores opacas como o amarelo limão, para ter maior poder de cobertura.
Quase na etapa final deste trabalho que, uma vez mais, teve o apoio de quem me orienta e dá o seu "toque"... (o que faz a diferença!...)
Diferença que senti também ao utilizar os amarelos de tintas de melhor qualidade. Sem dúvida de que, a qualidade da tinta, é influente na obtenção de tonalidades mais bonitas e na sua força de cobertura.
Estes trabalhos pequenos e deste tipo permitem-nos aprender muito em termos de cor; da influência que um simples traço ou mancha podem ter no conjunto, na definição de formas, luzes e sombras; e até a manusear o pincel ou a espátula. Dá um prazer imenso, mesmo precisando de ajuda. E a observação da maneira como pintam mestres como Qiang Huang (num vídeo) ou a nossa mestra é preciosa. Vê-los pintar, para além de ser entusiasmante, permite-nos ir obtendo melhores resultados.
Diferença que senti também ao utilizar os amarelos de tintas de melhor qualidade. Sem dúvida de que, a qualidade da tinta, é influente na obtenção de tonalidades mais bonitas e na sua força de cobertura.
Estes trabalhos pequenos e deste tipo permitem-nos aprender muito em termos de cor; da influência que um simples traço ou mancha podem ter no conjunto, na definição de formas, luzes e sombras; e até a manusear o pincel ou a espátula. Dá um prazer imenso, mesmo precisando de ajuda. E a observação da maneira como pintam mestres como Qiang Huang (num vídeo) ou a nossa mestra é preciosa. Vê-los pintar, para além de ser entusiasmante, permite-nos ir obtendo melhores resultados.
Etapa final do trabalho!...
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
NOVO DESAFIO - "PAUL CÉZANNE" EM DETALHES... E NUMA NOVA COMPOSIÇÃO
Desta vez, foi-me proposta uma nova forma de trabalhar... Em vez de tentar "reproduzir" um quadro de Paul Cézanne, porque não tentar fazer uma nova composição a partir dos seus trabalhos?!... Assim fiz. Peguei numa pequena tela para fazer um estudo e esbocei o novo quadro a partir dos dois detalhes de pinturas que em baixo se representam.
Depois, numa segunda etapa, para aproveitar as tintas de óleo que já tinha na paleta dum outro trabalho, fiz uma espécie de esboço, apenas para marcar formas e volumes...
Finalmente, já com alguma ajuda e orientação, lancei-me para a execução do trabalho feito a tinta de óleo sobre a pequena tela... Cores mais vivas e mais empastadas. Tentando já uma versão mais definitiva. Para já ficou assim. Agora, há que esperar que seque para dar os últimos retoques e fazer alguma correcção se necessária...
Foi uma boa aposta. Aprende-se muito com este tipo de trabalhos. Aqui nos apercebemos de como importante é qualquer pequeno traço ou mancha para fazer a diferença. Aquele ponto de luz, ou o sombreado, ou as diversas tonalidades interferem, por vezes, até mesmo no todo do quadro...
É engraçado começarmos a aproximar-nos do fim e a começar a sentir a necessidade de equilibrar o conjunto com alguma mancha de tom, de luz ou sombra que ajude a criar uma harmonia no todo. E, sobretudo, sentirmos que não somos só nós a sentir isso quando pintamos em partilha e vemos a diferença dos "toquinhos" que são dados por mãos hábeis com que nós vamos aprendendo...
É engraçado começarmos a aproximar-nos do fim e a começar a sentir a necessidade de equilibrar o conjunto com alguma mancha de tom, de luz ou sombra que ajude a criar uma harmonia no todo. E, sobretudo, sentirmos que não somos só nós a sentir isso quando pintamos em partilha e vemos a diferença dos "toquinhos" que são dados por mãos hábeis com que nós vamos aprendendo...
sábado, 21 de setembro de 2019
NOVO TRABALHO INSPIRADO EM CÉZANNE - As várias etapas
Das Naturezas-mortas que vi de Cézanne, esta é uma das que mais me agradou, pela simplicidade dos elementos, pelo contraste de cores, pela força do traço... Penso que esta não será uma fotografia do original, mas dá uma ideia.
Uma vez mais me lancei nesta aventura sempre sob o olhar atento de quem nos vai orientando nestas lides.
Esta é a etapa final do trabalho...
Que, entretanto, foi passando por diversas fases:
Comecei por fazer um esboço do trabalho a grafite. Tentei, na medida do possível, respeitar a proporções. Risca daqui, marca dali, fui conseguindo uma aproximação. São formas relativamente simples de desenhar, ainda assim tivemos que ir corrigindo o que ia desenhando, até ter um esboço que satisfizesse razoavelmente e estivesse adequado às dimensões da tela.
Chegou a altura de começar a definir os espaços. Utilizando basicamente o terra sena queimada diluído com a aguarrás, foram-se dando pinceladas soltas e pouco definidas para dar uma ideia das formas no fundo do quadro.
Depois de fazer o mesmo com o terra sena natural para os restantes elementos, comecei a pintar o prato com as cerejas, já com as cores que numa primeira fase irão ficar definitivas, apesar de ainda faltarem elementos e pequenos retoques __ como, por exemplo, o reforço de zonas brancas do prato e pezinhos de cerejas.
A sensação é fantástica... senti uma liberdade enorme ao fazer as marcações das cerejas, ao reforçar as luzes e as zonas de sombra e ao fazer os "riscados" do prato. Ainda falta muito para terminar, mas cada passo é uma descoberta e um prazer...
É difícil descrever o que sentimos quando vamos atrás do pincel e das cores... quando o que se quer representar começa a querer sair da tela... quando vamos conseguindo ser cada vez mais autónomos, apesar de sempre dependentes de quem nos guia e tanta motivação nos dá.
E chegou-se ao fim de mais esta aventura. Aventura só possível quando se tem quem nos oriente e dê o seu "toquinho", o que faz a diferença... Por tudo isso, sou grata assim como pela oportunidade que tenho tido.
Mais uma etapa que me deu muito gosto...
Quase a finalizar o trabalho...
Agora são só retoques e velaturas:
Agora são só retoques e velaturas:
E chegou-se ao fim de mais esta aventura. Aventura só possível quando se tem quem nos oriente e dê o seu "toquinho", o que faz a diferença... Por tudo isso, sou grata assim como pela oportunidade que tenho tido.
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
SIM ... À VIDA (POEMAS DO BAÚ)
SOL
Ó sol amigo que nos dás o dia,
A luz que nos alumia!
Despertas a vida com o teu calor,
És alegria, és amor...
ÁGUA
Água azul, água pura, cristalina,
És seiva que dás vida!
Vens dos céus, és uma dádiva amiga,
És chuva que acaricia.
Corres nas fontes, nos rios a cantar,...
És a senhora do mar!
AR
Ar puro, ar leve, quanto és benfazejo,
Tu és meu e não te vejo!
És para todos nós a grande dádiva,
Seja noite, seja dia!
És sopro mágico que purifica,
És alma que tem vida.
TERRA
Terra, planeta azul, onde há viver,
Nascer, viver, desaparecer!
Mistério da vida sempre em movimento,
Princípio e fim _ breve momento!
Só o Homem, dotado de pensamento,
Pensa viver além do tempo...
(Autor desconhecido)
terça-feira, 6 de agosto de 2019
AS SEMENTES DAS MAÇÃS
"Cesto das maçãs" (*) - inspirado no trabalho de Paul Cézanne
(fases finais)
(fases finais)
Estará acabado? Assinado já está, mas ainda há coisas a retocar. Vai ser sempre um quadro especial, pois foi o último que estava a fazer ainda em vida do meu pai, quadro de que ele mesmo assim gostou e achava que prometia... quadro que só continuei depois que o meu pai partiu e eu senti que a vida tinha que recomeçar... Tinha pressa de o acabar... não o deixei acabar por si, agora terei que voltar a retocá-lo mais tarde com ajuda da minha mestra.
Uma cesta de maçãs... fruto tão apreciado por ele e, como em tantas outras coisas, uma forma única de as viver. As maçãs eram descascadas e cortadas em quartos em forma de ritual no final da refeição. Era então que, degustado o sabor da polpa, a textura da carne do fruto e o prazer de a mastigar vinha a parte cirúrgica daquele manjar. Destacadas do caroço da maçã as sementes eram guardadas e separadas uma a uma... Aquelas já não iriam ser o bem mais precioso do corpo carnudo do fruto capaz de gerar novos frutos. Iriam ser saboreadas até ao mais pequeno fragmento...
Ainda hoje lembro do cuidado que punha em abrir o tegumento de cada semente de maçã e separar os dois cotilédones, e de os degustar com pleno prazer. Era uma forma de terminar a refeição, um rematar do momento de partilha que deve ser um almoço ou um jantar de família ... por cima, só uma bolachinha e o cafezinho também ele feito num ritual muito próprio e tão característico.
Que saudades vou tendo de ter o privilégio de assistir a esta forma tão própria de acabar uma refeição com ele. Hoje fico com o quadro que me fará sempre lembrar das peculiaridades de um homem que soube saborear as coisas boas da vida como as sementes das maçãs.
Uma cesta de maçãs... fruto tão apreciado por ele e, como em tantas outras coisas, uma forma única de as viver. As maçãs eram descascadas e cortadas em quartos em forma de ritual no final da refeição. Era então que, degustado o sabor da polpa, a textura da carne do fruto e o prazer de a mastigar vinha a parte cirúrgica daquele manjar. Destacadas do caroço da maçã as sementes eram guardadas e separadas uma a uma... Aquelas já não iriam ser o bem mais precioso do corpo carnudo do fruto capaz de gerar novos frutos. Iriam ser saboreadas até ao mais pequeno fragmento...
Ainda hoje lembro do cuidado que punha em abrir o tegumento de cada semente de maçã e separar os dois cotilédones, e de os degustar com pleno prazer. Era uma forma de terminar a refeição, um rematar do momento de partilha que deve ser um almoço ou um jantar de família ... por cima, só uma bolachinha e o cafezinho também ele feito num ritual muito próprio e tão característico.
Que saudades vou tendo de ter o privilégio de assistir a esta forma tão própria de acabar uma refeição com ele. Hoje fico com o quadro que me fará sempre lembrar das peculiaridades de um homem que soube saborear as coisas boas da vida como as sementes das maçãs.
domingo, 4 de agosto de 2019
QUANDO ALGUÉM PARTE...
Quando alguém parte fica a dor, a saudade, o para sempre...
Foram momentos muito difíceis. O quadro enigmático pintado em 2013 por uma médica com o nosso nome, seria uma chamada?!... Um sinal?!... Bom ou mau?!... A Marginal, a roupa e o chapéu de chuva por pintar, o lenço cor-de-rosa esvoaçante... Foi aí que tudo começou... Durante todo o tempo, o lenço e os brincos e o colar de pérolas que ele me deu, foram uma constante em mim. Mas de nada valeu e o desfecho foi terrível... Isolamento quase total, a entrada no quarto só possível com batas, luvas e máscaras... Máscaras em forma de bico de pato __ que desespero não lhe deveriam provocar?!... Onde estava, o que fazia ali, a não aceitação de lá ficar, o amarrado à cama, o longe da família e dos espaços conhecidos... De tudo que se passou, foi o que mais doeu. Na véspera, a pergunta era insistente: "Alguém o chamava lá para cima... mas para quê?!... Porquê?!... Quem eram eles?!..." E na noite do dia seguinte partiu. Nessa tarde, ainda viu a minha cara desprovida da máscara que tanto incomodo causava, foi a derradeira despedida de um ser humano com rosto, o rosto de uma filha esperançada na sua recuperação apesar do mal estar que ele sentia. Terá sofrido muito conscientemente? O que mais dói é que não estávamos lá para lhe segurar a mão, fechar os olhos e dizer-lhe uma vez mais o quanto gostávamos dele... Não havia alternativa, mas ficou a mágoa duma despedida mal acabada, do seu abandono numa cama de hospital, já que a sua vontade de morrer em casa não pôde ser satisfeita. Aquele breve aceno com a mão amarrada às grades da cama, foi o que ficou do nosso último contacto visual que hoje me traz um mínimo de conforto...
Mais tarde, o seu rosto permanecia impassível e tranquilo dentro do caixão, momentos antes da sua cremação... uma última carícia naquele rosto tão amado e frio, um último adeus ao primeiro e mais importante homem de toda a nossa vida _ o nosso pai que partia para sempre mas que ficaria para sempre gravado nos nossos corações. Mais uma vez, partia sozinho para ser reduzido a cinzas, de acordo com o seu pedido e nossa vontade. De pó a pó voltava.
Foram momentos muito difíceis. O quadro enigmático pintado em 2013 por uma médica com o nosso nome, seria uma chamada?!... Um sinal?!... Bom ou mau?!... A Marginal, a roupa e o chapéu de chuva por pintar, o lenço cor-de-rosa esvoaçante... Foi aí que tudo começou... Durante todo o tempo, o lenço e os brincos e o colar de pérolas que ele me deu, foram uma constante em mim. Mas de nada valeu e o desfecho foi terrível... Isolamento quase total, a entrada no quarto só possível com batas, luvas e máscaras... Máscaras em forma de bico de pato __ que desespero não lhe deveriam provocar?!... Onde estava, o que fazia ali, a não aceitação de lá ficar, o amarrado à cama, o longe da família e dos espaços conhecidos... De tudo que se passou, foi o que mais doeu. Na véspera, a pergunta era insistente: "Alguém o chamava lá para cima... mas para quê?!... Porquê?!... Quem eram eles?!..." E na noite do dia seguinte partiu. Nessa tarde, ainda viu a minha cara desprovida da máscara que tanto incomodo causava, foi a derradeira despedida de um ser humano com rosto, o rosto de uma filha esperançada na sua recuperação apesar do mal estar que ele sentia. Terá sofrido muito conscientemente? O que mais dói é que não estávamos lá para lhe segurar a mão, fechar os olhos e dizer-lhe uma vez mais o quanto gostávamos dele... Não havia alternativa, mas ficou a mágoa duma despedida mal acabada, do seu abandono numa cama de hospital, já que a sua vontade de morrer em casa não pôde ser satisfeita. Aquele breve aceno com a mão amarrada às grades da cama, foi o que ficou do nosso último contacto visual que hoje me traz um mínimo de conforto...
Mais tarde, o seu rosto permanecia impassível e tranquilo dentro do caixão, momentos antes da sua cremação... uma última carícia naquele rosto tão amado e frio, um último adeus ao primeiro e mais importante homem de toda a nossa vida _ o nosso pai que partia para sempre mas que ficaria para sempre gravado nos nossos corações. Mais uma vez, partia sozinho para ser reduzido a cinzas, de acordo com o seu pedido e nossa vontade. De pó a pó voltava.
Como todos os bons pais, "era o melhor pai do mundo", com todas as suas inúmeras virtudes e certamente algumas falhas cometidas. Como todos os bons pais não deixará de velar por nós, onde quer que se encontre e é isso nos traz a aceitação da sua perda e a esperança de um dia (quem sabe?) nos podermos vir a reencontrar numa outra dimensão... Sim, porque a vida não pode acabar aqui. E a promessa está na pluma que guardo cuidadosamente entre as minhas "lembranças", desde o dia 25 de Julho de 2019... dia em que a pluma apareceu quando acendemos pela primeira vez as luzes da varanda depois que ele partiu. Varanda de onde à noite ia ver os aviões e, seguramente, as estrelas entre as quais hoje se encontra.
domingo, 28 de julho de 2019
PENUGEM BRANCA
A vida retomou o seu ritmo normal. Acenderam-se as luzes da varanda, as duas velas da mesa posta como se fosse um dia de festa, para se celebrar um aniversário e uma conquista na escola, apesar da saudade que ele nos deixou com a sua partida. A penugem voltou a aparecer, agora caída no chão da varanda. Desta vez não fugiu. Veio ter à minha mão. Foi só agarrá-la. Está guardada em lugar seguro. A alma está liberta e partiu, mas anda por perto tomando conta dos seus. Será uma estrelinha no Céu, uma penugem branca que afinal decidiu ficar ou um lugar cativo no nosso coração que baterá sempre forte enquanto restar a sua lembrança até ao fim dos nossos dias?... O que quer que seja tem o valor de um tesouro guardado como tantos outros ainda que o sejam só para nós.
Penugem branca leve, leve,leve,
que no ar balança e depressa foge,
para mais tarde aparecer,
agora branda deixando-se apanhar.
Deixando-se afagar
num suave bailar!
Foi naquele momento, na sua dança etérea,
de imparável movimento,
Que nos anunciou em forma de matéria,
que a sua alma tinha partido.
Mesmo para quem supostamente nunca mais a veria,
Mas a sentia viva e pulsante de companhia.
Penugem branca, delicada renda,
que em suave afago,
me lembras a hora dessa partida,
já depois das dez e meia da noite,
me lembras a hora dessa partida,
já depois das dez e meia da noite,
no momento da nossa chegada a casa sua...
Deixaste-me em suspenso por dias,
até ao momento em que iluminámos a varanda
até ao momento em que iluminámos a varanda
e voltámos a encarar a vida com o seu ritmo normal.
Suave matéria, penugem branca,
que traz o alento de continuar a vida ...
como se fosse Natal neste dia,
Mas o Natal que Ele tanto queria e defendia.
O Natal da presença amiga, da partilha do pão,
Da verdadeira aceitação e humildade...
"jocking"... mas sem maldade.
Fica a saudade...
Mas a vida continua,
Tal era a vontade sua...
O Natal da presença amiga, da partilha do pão,
Da verdadeira aceitação e humildade...
"jocking"... mas sem maldade.
Fica a saudade...
Mas a vida continua,
Tal era a vontade sua...
(Fonte de inspiração, o poema "Espuma" de Afonso Lopes Vieira)
sexta-feira, 12 de julho de 2019
VENTOS DE MUDANÇA - SONHO TORNADO REALIDADE?
(Adaptação do excerto de "Portugal HOJE _ a Missão que falta cumprir",
de Eduardo Amarante e enviado por uma Amiga)
A nossa missão, hoje, já não é a das caravelas portuguesas que bravamente partiram para o desconhecido em direcção ao horizonte que, hoje, está desbravado. A nossa Missão ainda não está cumprida. As novas tecnologias que tantas maravilhas fazem e nos trazem, poderão algum dia trazer também o surgir de uma sociedade mais igual, mais justa e melhor para todos nós na nossa casa única, que, pelo menos por hoje, é o nosso Planeta Terra... Estou convencida de que sim. De que essa Missão será cumprida... embora possa levar o seu tempo. E, quem sabe, se esse tempo não estará mais próximo do que à primeira vista nos parece?
O Titanic foi um sonho que não conseguiu chegar ao fim da viagem, mas foi um momento sublime de grandeza e paixão... Muitos sonhos ainda teremos que sonhar para que alguns deles se tornem realidade como o de transformar armas, pedras e água em pão e vinho que possa ser repartido por todos...
Tal como no passado, Portugal, hoje, está a desbravar novos caminhos físicos, de humanidade e até mesmo espirituais. Quem sabe não possa vir a cumprir a tal Missão que nos falta cumprir em uníssono com todos os povos do Mundo, onde se fala Português, Inglês, Francês e todas as outras línguas e dialectos.
HOJE, a partida dos navios faz-se por outras razões que não as da época dos descobrimentos... Nessa altura, e na História da Europa, o propósito maior foi o da expansão da Fé cristã, a descoberta de novos povos e culturas e de novas fontes de riqueza. Hoje, parte-se nos dois sentidos e talvez a motivação não seja assim tão diferente... Já ninguém sabe quem descobre quem, mas os motivos tanto são de paz, de intercâmbio, de apoio e de lazer, como também de guerra ou motivos pouco claros para o comum das pessoas.
Vamos procurar que os barcos grandes, pequeninos ou muito grandes consigam chegar a bom porto sempre em missão de paz. Vê-los entrar e sair do Estuário de Tejo, é também um entretém e sonho de quem vive por estas paragens. Sonhar partir num dos muitos paquetes que abandonam Lisboa ao fim da tarde para se perderem no horizonte; ver fundear os cargueiros à espera de poderem entrar no porto de Lisboa; ver os pequeninos barcos de pesca cujas luzes muitas vezes tremeluzem no escuro da noite; ou os pequenos barcos de recreio que se passeiam junto à costa, longe do horizonte, por vezes sozinhos, outras formando grupos que mais se assemelham a bandos de aves brancas ou de todas as cores poisadas no mar... Enfim, mais uma das coisas que nos é dado ver daquelas varandas viradas para o mar ou em passeios junto à Marginal...
Hoje, já não tenho a companhia de todos os que queria nessas descobertas... Mas o nosso coração tem que continuar e fica a doce lembrança dos momentos passados e a certeza de podermos revivê-los com os que cá ficam sempre que queiramos.
Vamos acreditar que filhos e netos venham a trazer ao Mundo aquilo em que os seus pais e avós acreditavam... Um dia, isto poderá deixar de ser um sonho e sim uma realidade!
segunda-feira, 8 de julho de 2019
A ÚLTIMA VIAGEM OU SÓ DE PASSAGEM?
Às três da tarde partimos para a sua última viagem? ou será que chegou a mais um ponto de partida?
Daqui partiram os marinheiros que descobriram novos povos desconhecidos do Mundo Ocidental... Passaram além do Cabo as Tormentas, mas transformaram aquele pequeno rectângulo do mapa da Europa no Império português; seguido do dos espanhóis, franceses e holandeses... Hoje, neste mesmo estuário do Tejo, e mais seguros, partimos para a viagem do Adeus... Adeus a um dos homens desconhecidos que, para mim e quem o conheceu de perto, está entre os mais valorosos do seu tempo e deste nosso "cantinho à beira mar plantado". Como são todos aqueles desconhecidos que lutaram e até deram as suas vidas por um ideal de Liberdade: Liberdade de ser, de estar e de pensar...
Pétalas de rosas, tantas quantas pudemos arranjar, o ramo das Amigas e dos vizinhos que souberam da sua partida para um novo destino...
Hoje, um escadote na sua casa o ajudou a partir para o Reino dos Céus, já que os escadotes nos ajudam a estar mais perto das estrelas e a ter uma perspectiva diferente do que se passa na Terra... e como o Sol é a nossa estrela mais próxima. É assim que, para nós, quando o Sol nascer ele estará perto de nós, encarregando o Lua de ser a nossa luz durante a noite mesmo em noites de lua nova, enevoadas ou em tempo de tempestade...
A NATUREZA E O HOMEM...
A Terra e a Natureza são uma só, Deus a fez à sua imagem e semelhança. Compete ao Homem viver em harmonia com ela... Será que ainda vamos a tempo? Pelas notícias que nos entram pelas nossas casas parece que será difícil. Mas, vozes, cada vez em maior número, pedem e defendem a PAZ, e vão crescendo mundo fora. A História faz-se por ciclos melhores e piores... Será que estamos na mudança de um ciclo para melhor ou para pior. Resta-nos a Esperança de que o caminho seja o da concórdia... Recomeçar deve ser a nossa palavra de ordem. Recomeçar, Restaurar, Remediar...
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