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Medo, insegurança, simples necessidade de afecto?... Se até os animais sentem quando é preciso um abraço, o Homem que é um animal dito racional, será que tem sempre essa percepção?!...
Quantas vezes não olhamos para o nosso gato que está sentado com os olhos semicerrados ou estendido ao sol com as patas esticadas e nos perguntamos em que será que ele estará a pensar?!... Será que pensa como nós?...
E os nossos cães?!... Podem não saber fazer cálculos matemáticos mas sabem certamente que um carinho traz uma mais valia para quem abraça e para quem é abraçado...
É assim também no mundo selvagem...
Abraço à urso...
E, porque não, um BEIJO DE CARINHO E AMIZADE!... |
"Recomeço" - mais uma janela aberta para o que nos rodeia ou para o nosso próprio estado de alma. Histórias de ontem, de hoje e, quem sabe, de amanhã...coisas da Vida, da Pintura, do Desenho, da Fotografia, da Escrita e da Poesia...
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
O QUE OS ANIMAIS NOS ENSINAM...
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
CANCRO DA MAMA - A QUIMIOTERAPIA E OS MASSAI
Pois é... que tem uma coisa a ver com a outra?!...
O pai disse-lhe, quando era pequeno: __" Um dia hei-de levar-te à terra do Pai!" E, assim, foi , não a Angola, mas a um safari no Quénia/Tanzânia. À terra dos Massai, do Quilimanjaro, das reservas naturais, onde uma miríade de animais fizeram as delícias de quem lá foi.
Um dos percursos incluía a ida a uma aldeia Massai. Pelos vistos, deve ser a única que está incluída nos programas turísticos desta zona, já que pouco depois desta visita vimos o filho do chefe daquela aldeia num programa da BBC, precisamente sobre a vida dos Massai no Quénia. Descendentes desses garbosos e valorosos guerreiros que, hoje, são lembrados nas danças tão típicas e belas destes homens altos e ginasticados...

Estivemos numa aldeia Massai e ainda hoje lembro o espanto e a graça naqueles homens másculos, que pareciam autênticas crianças e que, com risinhos de deleite, vinham passar a mão na cabeça do meu filho... Um cabelo curtinho e espetado, tal como o meu começa a estar agora que acabei a Quimioterapia...
É verdade!.. Este meu cabelo permitiu-me viajar no tempo e no espaço para aquela aventura que foi estar numa África não tão genuína, mas que continua a ser a terra do pai do meu filho __ África, no seu melhor!
Hoje, comecei a Radioterapia!... Correu tudo bem. São muito agradáveis e bons profissionais. Acho que estou em boas mãos... E o cabelo vai crescendo. Para já ficando curtinho, macio e espetado como o do meu filho era na altura.
(Fotos retiradas da NET)
terça-feira, 5 de setembro de 2017
AMIGOS, LIBERDADE DE ESCOLHA E FERNANDO PESSOA...
Tenham eles 34, 24, 18, 14, 10..., A preocupação é sempre a mesma... Será que estão bem? Podemos confiar? Que amigos têm? Serão boa companhia? Enfim, um nunca acabar de questões. Mas, como diz Fernando Pessoa no seu poema:
" (...) Não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades(...)
Eu poderia suportar, embora, não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!..."
Demos a liberdade aos nossos filhos de escolherem para amigos quem bem eles quiserem. Demo-nos por contentes por eles os terem, apesar do ditado que diz: "mais vale só que mal acompanhado". Somos mais velhos, teremos mais experiência de vida, talvez saibamos melhor o que mais convém ou não convém àqueles que são sangue do nosso sangue... mas a escolha tem que ser deles, o risco também, pois são os seus amigos que marcarão uma vida de afectos mais importantes que o próprio amor por uma só pessoa, como diz o poeta.
"Más companhias?!... Confiemos. Acreditemos no bom senso que lhes fomos transmitindo e descansemos nas vivências que os podem enriquecer apesar das pequenas adversidades que possam surgir. Permitamos-lhes uma vida colorida, cheia de bons momentos partilhados que tenham como retorno uma vida mais rica e preenchida. Uma vida de boas lembranças do tempo de juventude que possam perdurar e ser partilhadas até ao momento da partida.
sábado, 2 de setembro de 2017
FILHOS - MOTIVO DE PREOCUPAÇAO OU RAZÃO PARA NOS IMPORTARMOS?
Três rosas do nosso jardim...
Era Verão. Dia de Sol. Malas feitas. Os dois ultimavam as últimas coisas. Eis que ela corre à casa de banho. A sensação de vómito apoderava-se dela. Correm para a cozinha. Fazem o teste. Deu positivo. Afinal, não eram dois que partiam para aquelas férias e sim três. Ficam radiantes e vão dar a boa nova: __ " A Malay vai fazer botinhas de lã para o Algarve".
A partir daí alegrias e preocupações se vão sucedendo. O filho cresce e torna-se homem, mas as preocupações continuam. É, então, que ele diz: __ "Se te preocupas é porque não confias."
Quero confiar. Não me quero preocupar... Mas, a verdade, é que me importo.
Hoje, levanto-me e espero por ele. São três para as quatro horas da madrugada e ainda não chegou. A porta do quarto está aberta e a cama vazia. Não quero preocupar-me, quero apenas importar-me __ mas a dúvida persiste...
Acho que, apesar de tudo, me vou deitar. Levantei-me de novo às seis da manhã. A porta do quarto dele estava fechada. Voltei a deitar-me. Agora, sim, podia dormir...
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
CANCRO DA MAMA - CARTA ABERTA A UM AMIGO
Como diz a canção, "é o apoio de quem nos quer bem que nos ajuda a escalar montanhas e a atravessar as tempestades dos oceanos" ... Obrigada, pelo amigo que foi. Talvez não consigamos escalar montanhas e atravessar as tempestades dos oceanos, mas certamente que a subida e descida das mesmas será mais fácil, e não nos deixaremos afogar tão facilmente.
Mais uma vez, fui posta à prova pelo destino... mas acabei agora a Quimioterapia e, graças a si e àqueles que me apoiaram e apoiam, fui capaz de ultrapassar mais esta etapa com a maior naturalidade, coragem e esperança possíveis. Hoje em dia, a esperança na Medicina é tão grande a nível físico como mental. Mas, é no aspecto humano que os médicos não podem ser substituídos, por mais avançadas que estejam as tecnologias e os fármacos.
Tal como diz William James: "Muitas coisas que consideramos más podem ser convertidas, frequentemente, num tónico bom e revigorante, bastando para isso que se transforme uma atitude interior de medo numa atitude de luta."
Também se diz que: "Fica sempre algum perfume nas mãos que oferecem rosas." Hoje, tenho as minhas mãos perfumadas graças à sua disponibilidade, apoio e motivação, ao oferecer-lhe a minha gratidão e amizade.
A esperança é a última a morrer... E aqui fica o nosso segredo: nada acontece por acaso.
(Imagem retirada da NET)
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
CANCRO DA MAMA - FIM DE UMA ETAPA, A QUIMIOTERAPIA (3)
Fundação Champalimaud - 28/4/20117 - 1ª sessão de Quimioterapia
Hospital de dia do Centro Champalimaud, 1ª sessão com o "ice-cap". Início de uma nova etapa. Afinal, o cabelo caiu. Os efeitos adversos ocorreram de uma forma variada. Cada sessão apresentou efeitos diversos. As injecções de Filgrastim que deveriam activar a medula a produzir os glóbulos sanguíneos para ao fim de cada 21 dias estar pronta para nova sessão, provocava reacçãoes tão ou mais desagradáveis do que a própria Quimioterapia em si com o Docetaxel...
Mas tudo passou. Hoje, vislumbro a esperança de um novo caminho livre da doença e pronta para enfrentar um novo renascer. O cabelo que vai crescer de novo, as unhas que vão recuperar, a dormência dos dedos dos pés que irão atenuando, as manchas na cara que irei tratar... A fé de que não haverá uma recidiva depois de ter passado pelas seis sessões de Quimio.
Ficam a lembrança do apoio que fui recebendo ao longo deste período. O acompanhamento de um marido sempre presente, os telefonemas e companhia de amigas, o apoio incondicional da família...
Agosto de 2017... Uma roseira de rosas pequeninas marcará para sempre a esperança de uma nova vida só possível pelo conhecimento e apoio incansável de médicos, investigadores, enfermeiros e toda uma gente que trabalha para um mesmo fim: ultrapassar a doença e tornar este período que poderia ser dramático numa fase de luta cheia de esperança, força e crença numa recuperação que hoje será rápida...
Por tudo isto, OBRIGADA! Bem hajam por estarem ao meu lado nesta batalha!
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
"Ao envelhecer, e nos tornarmos mais sábios, lentamente nos damos conta de que: Um relógio de $300 marca a mesma hora que um relógio de $30. Uma carteira de $300 carrega o mesmo dinheiro que uma de $30. A solidão numa casa de 30 metros quadrados ou de 300 é a mesma. Espero que um dia perceba que a sua felicidade interna não vem das coisas materiais no mundo. Não importa se viaja em primeira classe ou económica, você morrerá se o avião cair. Espero que perceba que, quando se tem amigos e irmãos com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira."
A mensagem do papa Francisco é bem verdadeira. As pessoas valem não pelo que têm mas pelo que são...
A mensagem do papa Francisco é bem verdadeira. As pessoas valem não pelo que têm mas pelo que são...
CANCRO - A ÚNICA CERTEZA...
Jardim do Instituto Champalimaud - ano de 2017
Queda do cabelo e dos pêlos, dormência dos pés, cansaço, taquicardia, aftas, a base das unhas esbranquiçadas, vómitos, diarreias, etc, etc, são tudo consequências de um mal necessário da Quimioterapia que também, por si, é o mais variada possível. Quimioterapia, não é mais do que o nome generalizado para um número variadíssimo de fármacos que podem ser ministrados quer por via oral ou via intravenosa... Por isso, é muito difícil dizer como é cada caso específico, até porque, as reacções adversas, também variam de organismo para organismo...
Resumindo: Não interessa estar a fazer descrições, porque cada caso é um caso. Por exemplo, dentro do cancro da mama triplo negativo, há quatro tipos base e, dentro dos quatro tipos, uma variedade também grande. Uns tipos de cancro da mama reagem às hormonas e para isso basta-lhes a Quimioterapia oral durante alguns anos, outros como os triplo negativos precisam de intervenção cirúrgica e de Quimioterapia intravenosa para além da Radioterapia... Mas há uma coisa que é garantida e comum a todos eles, a necessidade de apoio de quem nos quer bem, que nos ajuda a ultrapassar mais este obstáculo e encarrar o Futuro com optimismo, confiança e esperança no Futuro e possibilidades da evolução na Medicina moderna...
"Muitas coisas que consideramos más podem ser convertidas, frequentemente, num tónico bom e revigorante, bastando unicamente para isso, que se transforme uma atitude interior de medo numa atitude de luta..." - William James. Luta essa que tem várias vertentes a começar no próprio doente, nos médicos, investigadores e em todos aqueles que, com um sorriso e humanidade lutam por uma mesma causa: vencer o que ainda é um obstáculo difícil de ultrapassar, porque apesar de todos os conhecimentos e investimento, ainda há muito por descobrir.
Mais uma vez fui posta à prova pelo destino... mas acabei, agora, a Quimioterapia e, graças àqueles que me apoiaram, fui capaz de ultrapassar mais esta etapa com a maior naturalidade, coragem e esperança possíveis. Hoje em dia, a esperança na Medicina é tão grande quer a nível físico como mental ... Mas é no aspecto humano que os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e auxiliares não podem ser substituídos por mais avançadas que estejam as tecnologias e os fármacos...
"CANCRO!..." Não pode ser palavra tabu, deve ser falado e discutido para que as pessoas a enfrentem com esperança e não tenham medo de algo que desconhecem e certamente, em pouco tempo, tal como muitas doenças mentais, terá sua cura...
É preciso acreditar... Verde é esperança! E como alguém um dia disse: __ " Yes, we can!..."
quarta-feira, 17 de maio de 2017
CANCRO DA MAMA - A CABELEIRA NOVA E OS TURBANTES...

Pearl Buck
"Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade" - Dizia Pearl Buck, uma das minhas escritoras preferidas de sempre.
DIA UM: Muitas vezes, esqueço-me de saborear bem as pequenas alegrias mas, sinceramente não quero fazer parte daquele grupo. Sobretudo daqui para a frente... Hoje, vou rapar o cabelo mas, em troca, vamos buscar a cabeleira e um dos turbantes que mandei fazer. Estou ansiosa por os experimentar, estava a ser um pouco deprimente ver o cabelo cair às madeixas. Assim, fica logo resolvido... Daqui a uns meses voltarei a ter o meu cabelo de volta. Para já, tenho que pensar em ultrapassar a doença como o principal objectivo. E um ciclo de tratamentos já passou sem grandes percalços. Só por isso, já me devo dar por feliz.
Pusemo-nos a caminho. Rapa ou não rapa? "Quer deixar para mais tarde? Em qualquer altura fazemos isso. Agora que já cá temos a cabeleira, é rápido...". "Não, fica já decidido. É uma situação inevitável e custa-me ver-me a descabelar às mãos cheias lentamente..." A máquina começou a cortar. De metade da cabeça pendiam os cabelos que restavam, do outro ia aparecendo um couro cabeludo desprovido de cabelos que desde bebé não via o Sol. Mas ainda tinha a cabeleira... Desbasta um pouco daqui, corta mais um pouco dali e fez-se o possível por a ajustar ao meu rosto. Talvez devesse ter esperado pela minha cabeleireira, está mais calhada com o meu jeito. O corte só se pode fazer uma vez. E este cabelo não cresce mais...
A cabeleira não é o meu cabelo. Talvez não corresponda no todo às minhas expectativas, mas é um cabelo que esconde de olhares curiosos uma cabeça que irá ficar calva durante bastante tempo. Não é difícil de colocar, até que é confortável e, sobretudo, muito prática contra os meus receios iniciais.
Quanto ao turbante também não emoldura um rosto como o nosso cabelo. Falta-lhe volume, mas se se escolherem umas cores e padrões que vão bem com a roupa, são confortáveis para estar em casa e até mesmo para sair à rua, ir à praia...
Embora não faça muito o meu género, uns chapéus e uns lenços enrolados em jeito de turbante, também serão uma boa alternativa... É uma questão de nos habituarmos. Depois é só por um tempo e, quando dermos por isso, já passou.
DIA DOIS: Um pequeno segredo: soube-me tão bem lavar a cabeça na manhã seguinte no duche. Nada de toucas ou de atilhos para segurar o cabelo e não o molhar... Apenas o gel de banho e a água a correr do chuveiro da parede sobre e corpo e agora a cabeça também... será também esta uma das pequenas alegrias da vida que podemos aproveitar?!... É isso, apesar de tudo, o dia começou bem. Seguimos para a segunda sessão de Quimioterapia, agora o "ice-cap" já não fazia falta. Não no meu caso, mas tentou-se.
DIA TRÊS: Ainda não estou completamente satisfeita com a solução encontrada quanto ao turbante. Fui consultar a NET, ver o que podia encontrar no Instituto Natacha ou no Espaço saúde e beleza Minabel em Lisboa, duas casas de artigos da especialidade que me agradaram pelas imagens que vi... Os artigos estão disponíveis para entrega imediata, contrariamente ao local onde fomos comprar a cabeleira em que todos os artigos são encomendados por catálogo, o que certamente fará a diferença.
DIA QUATRO: Fomos ao Instituto Natacha. As instalações não corresponderam ao previsto, mas fomos bem atendidos e encontrámos algumas soluções de turbantes. Pelo menos, ficámos com algumas ideias e agora falta encontrar padrões engraçados. A procura ainda não acabou, mas já fiquei prevenida para os próximos tempos. Até um chapéu de aba larga com um lenço pode ser uma solução...
Depois do desconsolo inicial quando o cabelo começou a cair e de um certo desnorteamento, isto é uma lufada de ar fresco. Sempre há alternativas que estão ao nosso dispor neste mundo que agora é o nosso, apesar de temporário...
Pusemo-nos a caminho. Rapa ou não rapa? "Quer deixar para mais tarde? Em qualquer altura fazemos isso. Agora que já cá temos a cabeleira, é rápido...". "Não, fica já decidido. É uma situação inevitável e custa-me ver-me a descabelar às mãos cheias lentamente..." A máquina começou a cortar. De metade da cabeça pendiam os cabelos que restavam, do outro ia aparecendo um couro cabeludo desprovido de cabelos que desde bebé não via o Sol. Mas ainda tinha a cabeleira... Desbasta um pouco daqui, corta mais um pouco dali e fez-se o possível por a ajustar ao meu rosto. Talvez devesse ter esperado pela minha cabeleireira, está mais calhada com o meu jeito. O corte só se pode fazer uma vez. E este cabelo não cresce mais...
A cabeleira não é o meu cabelo. Talvez não corresponda no todo às minhas expectativas, mas é um cabelo que esconde de olhares curiosos uma cabeça que irá ficar calva durante bastante tempo. Não é difícil de colocar, até que é confortável e, sobretudo, muito prática contra os meus receios iniciais.
Quanto ao turbante também não emoldura um rosto como o nosso cabelo. Falta-lhe volume, mas se se escolherem umas cores e padrões que vão bem com a roupa, são confortáveis para estar em casa e até mesmo para sair à rua, ir à praia...
Embora não faça muito o meu género, uns chapéus e uns lenços enrolados em jeito de turbante, também serão uma boa alternativa... É uma questão de nos habituarmos. Depois é só por um tempo e, quando dermos por isso, já passou.
DIA DOIS: Um pequeno segredo: soube-me tão bem lavar a cabeça na manhã seguinte no duche. Nada de toucas ou de atilhos para segurar o cabelo e não o molhar... Apenas o gel de banho e a água a correr do chuveiro da parede sobre e corpo e agora a cabeça também... será também esta uma das pequenas alegrias da vida que podemos aproveitar?!... É isso, apesar de tudo, o dia começou bem. Seguimos para a segunda sessão de Quimioterapia, agora o "ice-cap" já não fazia falta. Não no meu caso, mas tentou-se.
DIA TRÊS: Ainda não estou completamente satisfeita com a solução encontrada quanto ao turbante. Fui consultar a NET, ver o que podia encontrar no Instituto Natacha ou no Espaço saúde e beleza Minabel em Lisboa, duas casas de artigos da especialidade que me agradaram pelas imagens que vi... Os artigos estão disponíveis para entrega imediata, contrariamente ao local onde fomos comprar a cabeleira em que todos os artigos são encomendados por catálogo, o que certamente fará a diferença.
DIA QUATRO: Fomos ao Instituto Natacha. As instalações não corresponderam ao previsto, mas fomos bem atendidos e encontrámos algumas soluções de turbantes. Pelo menos, ficámos com algumas ideias e agora falta encontrar padrões engraçados. A procura ainda não acabou, mas já fiquei prevenida para os próximos tempos. Até um chapéu de aba larga com um lenço pode ser uma solução...
Depois do desconsolo inicial quando o cabelo começou a cair e de um certo desnorteamento, isto é uma lufada de ar fresco. Sempre há alternativas que estão ao nosso dispor neste mundo que agora é o nosso, apesar de temporário...
terça-feira, 16 de maio de 2017
CANCRO DA MAMA - NO FINAL DO PRIMEIRO CICLO DE TRATAMENTOS (2)
"A amizade permite criar novos horizontes de superação" (Michel de Montaigne). Enviaram-me esta frase que sinto como muito real. Na verdade, o apoio e carinho que tenho recebido de quem me rodeia tem sido essencial para superar a presente situação e, sobretudo, encontrar coragem para seguir em frente com o que tiver que ser feito...
É isso, não nos devemos lamentar nem fechar por causa do aspecto físico. Neste momento, o cabelo que me resta está preso por um fio. Só o vou tentar aguentar enquanto não tiver a cabeleira ou um turbante que me fique menos mal. A cabeleireira onde costumo ir já se prontificou para fazer um corte na cabeleira de forma a que esta mais se ajuste ao meu rosto, caso seja necessário. E, como sugere uma amiga, porque não aproveitar para mudar de visual agora que o Verão se aproxima?!... Vestir umas roupas mais soltas e alegres a condizer com os turbantes. Enfim, tudo menos deixar que a depressão se apodere do nosso espírito. Pode dizer-se que parece um pouco fútil esta preocupação com a imagem, mas a verdade é que também importa.
Assim como o apoio da família e dos amigos tem sido um incentivo para encarar a situação com mais naturalidade, espero que algumas das referências e relatos deste meu "blog" possam servir de alguma motivação para quem possa estar numa situação idêntica e, quem sabe, ser mais uma inspiração para não nos deixarmos ir a baixo. A verdade é que o exemplo de outras pessoas me tem servido como apoio para desdramatizar uma situação que não é muito fácil mas que, hoje em dia, se pode ultrapassar com mais facilidade e não é tão rara assim. Por outro lado, sem dúvida de que, para a superação destes obstáculos, muito contribui a atitude compreensiva e amiga de quem nos apoia. E, nem que seja por isso, já podemos estar gratas.
sábado, 13 de maio de 2017
CANCRO DA MAMA - A QUEDA DO CABELO
Normalmente,
na mulher, o cabelo emoldura o rosto, suaviza os traços e é uma marca da
sua feminilidade. Há mulheres bonitas que resistem até mesmo à falta de cabelo,
mantendo-se bonitas e interessantes. Não será o caso da grande maioria de
nós...
Estranha
sensação a minha... Já contava que viesse a acontecer, mas não tão cedo... É
verdade, fez dia 11 de Maio duas semanas passadas após a 1ª sessão de
quimioterapia e, dia 12, começaram a cair alguns cabelos quando passava a mão
ou a escova. Dia 13 caíam às mãos cheias. Era inevitável. Nem a utilização do
"ice cap" ajudou. Agora, resta a coragem de enfrentar e cortar o
cabelo bem rente, se não rapá-lo. Sim, é inevitável... Mas os medos
são muitos, apesar de todo o apoio que me tem sido manifestado. É uma mistura
de sentimentos difícil de definir...
Está
escrito: "Depois das náuseas e vómitos, a queda de cabelo é um dos
principais efeitos colaterais da quimioterapia. Isso ocorre porque ela actua
tanto nas células cancerígenas quanto nas saudáveis, e atinge principalmente as
células que se multiplicam com maior rapidez, como os folículos pilosos,
responsáveis pela produção dos cabelos. A quimioterapia é um tratamento
sistémico, pois o remédio é injectado na veia e libertado na corrente
sanguínea, ou seja, ele percorre o corpo todo, ocasionando a queda de cabelos e
pêlos."
"A
queda dos cabelos não é imediata e começa a acontecer nos 14 a 21 dias
depois da primeira sessão de quimioterapia. Eles voltam a nascer cerca de 90
dias após o fim do tratamento, em alguns casos, um pouco mais crespos..."
Pois
é... para além do tempo dos tratamentos há que acrescentar aproximadamente mais
três meses para que o cabelo cresça. Particularmente, hoje, parece-me muito
tempo!... Mais uma vez fui surpreendida. Neste momento, se passar uma das
mãos pelo cabelo vem uma mecha de cabelos. O cabelo começou a cair de uma forma
assustadora. Iniciou-se uma nova etapa de todo este processo, e procuro coragem
para enfrentar tantos meses sem cabelo. Está-me a acontecer. Mas ainda não parece
real, apesar de toda a preparação prévia. Talvez seja este o efeito mais
castigador da quimioterapia, embora não doa, nem se sinta por dentro e apesar
de também ele ser temporário... "O que importa realmente é ficar bem. O
cabelo é o menos"... Sem dúvida de que é. Mas, (oh, cabelo...), terei
que procurar emoldurar o rosto de outra forma, com uma cabeleira ou um
turbante, se não o conseguir encarar sozinho. Mais breve do que previa o
saberei...
quinta-feira, 11 de maio de 2017
CÚMPLICES
"Cúmplices não são os que concordam em absolutamente tudo, mas os que fazem do respeito seu ponto de equilíbrio."
Fabiana Paiva
(Imagens retiradas da NET)
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