domingo, 11 de junho de 2023

UMA EXCURSÃO PELA ILHA DO SAL (PARTE DA MANHÃ)



Finalmente, íamos conhecer a ilha. O senhor Marino, o nosso guia, estava pontualmente à nossa espera no átrio do hotel. Tinha sido uma marcação feita no calçadão quando da nossa chegada numa das nossas visitas a Santa Maria... 

Constatámos que os pontos da ilha a visitar não eram muitos e que facilmente se tinha uma perspectiva desta ilha estreita e alongada no sentido Sul/Norte.



Primeiro ponto de paragem, depois de passarmos pelo centro da cidade de Santa Maria, foi a Praia dos Búzios, onde as conchas dos mesmos se acumulam partidas, depois dos mariscadores retirarem o corpo do molusco.



Aqui se pode ver bem nitidamente a razão do azul turquesa das águas do mar junto à borda. Apesar da ilha ser vulcânica e, à partida, com rochas e areias escuras numa grande parte da ilha, nalgumas zonas, como em Santa Maria, o depósito das areias brancas e finas vindas do oceano acumula-se junto às praias. Assim, a pouca profundidade da água e as águas límpidas dão, como resultado do reflexo da luz no seu fundo, esta cor maravilhosa em contraste com o azul escuro da parte mais profunda que não fica longe da costa. 



De seguida, parámos nas primeiras salinas, salinas de Santa Maria, ainda hoje em actividade, mas com os dias contados dada a fraca rentabilidade do sal e a dureza do seu trabalho.







Seguimos, então, para a costa Leste, onde o vento predominante vem do mar e se transforma num desafio para o Kitesurf... Daqui se pode ver, um pouco mais para Norte, a Serra Negra, um dos poucos relevos mais acentuados da ilha. 

A actividade de Kitesurf varia ao longo do ano. Nesta praia, realizam-se alguns campeonatos com alguma projecção internacional e existe uma escola desta modalidade, daí o seu nome, Kitesurf Beach.

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É engraçado verificar como tudo é passível de ser reciclado. Aqui os pneus velhos servem de divisórias...


Já na costa Oeste, passámos na Baía da Murdeira. Descemos no restaurante Ninho dos Piratas, de onde se vê mais um relevo da ilha, o Monte Leão, nome devido ao facto de o perfil do mesmo fazer lembrar um leão deitado. O restaurante está engraçado, é explorado por um holandês, e o tema principal está ligado aos piratas: começa pela própria construção do edifício que se assemelha um navio e tem várias figuras de piratas, canhões, e variados adereços alusivos ao referido tema, qual parque temático.

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Nestes locais verifica-se sempre uma certa preocupação ecológica, como o contentor de garrafas vazias!... 

Após uma breve paragem para um café, seguimos para Espargos, a capital da ilha, onde se encomendou o almoço. Lagosta grelhada, como não podia deixar de ser. E, entretanto, seguimos a nossa excursão, passando por um dos sítios mais secos e pobres da ilha, em que os banhos são da água tirada de poços, na maior parte, de água salobra. Os chamados "banhos de caneca". Têm sido feitas construções sociais para realojamento, mas o bairro de lata da Terra Boa continua a aumentar. 

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Terra Boa, porquê? Porque é das poucas zonas da ilha em que quando chove é possível fazer o cultivo de alguns legumes, plantas para alimentação humana e forragem para o gado. No entanto, o "Deserto" está ali, paredes meias. A tal ponto que, perto, se pode ver uma miragem. A secura é de tal ordem, que ao longe se tem a "visão" um lago com água onde só existe terra e pó ...

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Ainda antes de seguirmos para o almoço, fomos ao Olho Azul na Buracona. Um local vedado e particular em que a entrada é paga e em que a costa é escarpada e as águas são fundas mesmo junto ao limite das escarpas de rocha negra. As areias são na grande maioria escuras e a natureza vulcânica da ilha é bem evidente... aqui o branco sobre as rochas junto ao mar não é mais do que uma cobertura de algas secas.




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Seguimos numa fila para ir espreitar o buraco, onde os raios de sol incidem de tal forma na água que os reflexos são de um azul turquesa cristalino. E é só... tira-se a fotografia e segue-se pelo caminho marcado e balisado. No entanto, o local é muito belo pela sua costa agreste e negra em contraste com o azul do mar que é escuro mesmo à beirinha.




As plantas, mesmo regadas, estão num esforço de sobrevivência muito grande. Mas, foi possível, ainda assim, ver a flor do algodão e o seu fruto em pequenos arbustos plantados propositadamente para exposição... no entanto, aqui, até os próprios cactos estão dependentes do sistema de rega.


De seguida, mais uma vila piscatória, Palmeira... o único porto activo na ilha desde 1960 com ligação directa a outras ilhas do arquipélago, nomeadamente, Boa Vista e S. Nicolau. Aqui são recebidos os contentores com tudo aquilo que vem das outras ilhas, tal como alimentos e tudo que falta nesta ilha desprovida de quase tudo que é necessário à sobrevivência do dia a dia da população da Ilha do Sal.






Finalmente, rumámos a Espargos, para o almoço. Espargos é o maior centro populacional da ilha com uma população de aproximadamente 8000 habitantes e que está situado perto do Aeroporto Internacional Amilcar Cabral, principal razão da sua origem e desenvolvimento. Povoação esta, recentemente, elevada à categoria de cidade. 

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E assim terminámos esta parte da excursão, para seguirmos para outros pontos de interesse, da parte da tarde, situados na zona Leste da ilha: como a Baía dos Tubarões e as Salinas de Pedra Lume.



(*) - As fotografias assinaladas, foram retiradas da NET


SANTA MARIA, ILHA DO SAL EM CABO VERDE (Maio/2023)




No Pontão de Santa Maria...

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Ir ao Sal e não visitar a cidade de Santa Maria com o seu Pontão não seria uma visita completa, para além de que pouco mais há que fazer para além da praia e da piscina do hotel. Assim, fomos à descoberta de um povo afável e que vive essencialmente do turismo e da pesca.

 
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Das águas azuis e profundas, que ficam pouco para além daquela mancha de azul turquesa que delicia o olhar, vem uma variedade de peixes coloridos dos quais se destacam os atuns de todos os tamanhos. A sua chegada é festejada com algazarra e alegria. De imediato são distribuídos os peixes por homens e mulheres que, com mãos hábeis, amanham o resultado da pescaria carregada nas embarcações que aportam ao cais. Há cães que rondam o aglomerado das gentes, crianças e adultos sentados nas traves de madeira do cais ou em cima das redes parecem esperar não se sabe o quê, a par daquela movimentação fervilhante de gentes quando da chegada de mais um barco. O ambiente é colorido e simpático. De quando em vez, um "splach" na água, mais um jovem (ou mesmo uma criança) que se atira ao mar, parece que lhes está no sangue e nasceram para nadar. Turistas de pele clara misturam-se com as gentes cor de chocolate da terra, numa babel de línguas em que predomina o criolo. Os convites a excursões pela ilha e a actividades náuticas variadas são comuns. Existe algum artesanato e, logo na entrada do Pontão, podemos ver a senhora dos côcos que vêm da Boa Vista, já que na Ilha do Sal os coqueiros são quase que uma miragem só possível de concretizar junto aos hotéis... de forma ágil abre os côcos com uma catana e um canivete para gaudio dos possíveis fregueses que chupam por uma palhinha o fresco e esbranquiçado leite de côco. 
 








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Do pontão seguimos para fazer uma pequena incursão ao povoado. 

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Em frente ao Pontão segue-se uma rua empedrada de basalto, onde se podem ver algumas tendas de artesanato e algumas lojas que vendem também serviços como os das bicicletas para alugar e tatuagens... rua essa que leva ao interior da cidade.

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Ao virar da esquina, encontrámos uma rua mais larga ladeada de candeeiros de rua e de palmeiras donde partem ruas estreitas para quarteirões de casas, muito desordenadas com cores vivas algumas, mas muito inacabadas outras com as suas paredes não rebocadas. Na zona, podem ver-se ainda os táxis tão típicos azuis e amarelos que oferecem os seus préstimos a quem passa e somos também abordados por vendedores de artesanato que nos indicam e convidam a entrar nas suas lojas. Cumprimentam-nos em Inglês, Francês, Italiano ou Português numa tentativa de irem ao encontro da nossa nacionalidade... Quando respondemos à saudação e percebem que somos portugueses, frequentemente, referem-se a Ronaldo numa manifestação de agrado.


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Depois de uma pequena incursão pelas ruas da cidade, onde vimos pequenos hotéis e pensões, voltámos à praia, onde procurámos um sítio para almoçar... 



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Acabámos no LobStar junto ao Pontão... Onde o prato principal é a lagosta... o que foi uma experiência gastronómica bastante agradável. O ambiente era engraçado, os empregados vestidos de marinheiros eram simpáticos e a decoração, onde predomina o azul e branco, é de bom gosto e alegre. Não voltámos a repetir mas valeu a pena.





Finalmente, voltámos para a praia do hotel pelo areal que borda toda a marginal dos hotéis... Foi um dia preenchido e que deu para conhecer um pouco da realidade da ilha. Realidade essa em que deu para ver que, o contraste entre a qualidade do ambiente nos hotéis e da vida das gentes locais, é muito gritante. 


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(*) - Fotografias assinaladas foram retiradas da NET