sábado, 10 de junho de 2023

DESTINO - ILHA O SAL, CABO VERDE, SANTA MARIA (Maio/2023)



(Imagem retirada da NET)

A viagem não é longa saindo de Lisboa. As temperaturas são amenas. O vento é uma constante. A envolvente do hotel é agradável e verdejante, à custa de rega amiúde e em contraste absoluto com o restante da ilha que é quase na sua totalidade árida e em que a água doce será o bem mais precioso. Estamos na Ilha do Sal, uma das 10 ilhas do arquipélago de Cabo Verde, a que fica mais a Norte e perto da costa africana. É a que tem o turismo mais desenvolvido e está mais perto de Portugal continental. 

Saindo do aeroporto, dirigimo-nos para a zona dos hotéis junto à povoação de Santa Maria a uns escassos 20Km. Chegámos de noite; a camioneta sacolejava na auto-estrada esburacada, aqui e ali ladeada por uma vegetação enfezada; os candeeiros que iluminavam a avenida dos hotéis tinham os globos de vidro partidos na sua grande maioria; fomos parando em vários hotéis para deixar alguns dos nossos companheiros de viagem... Aí tudo era diferente daquilo que mal vislumbrávamos no breu da noite. Os hotéis pareciam verdadeiros oásis, com as suas recepções amplas, iluminadas e arejadas. Até que, chegou a nossa vez de descer, mochila nas costas e mala na mão. Tínhamos chegado à principal zona turística da Ilha do Sal, onde o areal é a perder de vista perto do povoado de Santa Maria e onde a brisa se faz sentir dia e noite.    

Promessa de um paraíso em terras caboverdianas...

(Imagem retirada da NET)

A nossa estadia tinha começado. A impressão com que tínhamos ficado aquando da nossa chegada permaneceu: a envolvência do hotel era extremamente agradável. Aqui, a vegetação escassa, enfezada e inclinada pelo vento da parte de fora do hotel, dava lugar a um jardim cheio de flores e plantas tropicais... seria esta uma constante na ilha? Breve verificámos que não era o caso. Logo do lado de fora do hotel, do outro lado da estrada, o que se vê são terrenos áridos e paupérrimos em vegetação. No entanto, aqui sentíamo-nos protegidos dos ventos constantes desta terra e voltados em concha para um mar lindo matizado de turquesa e azul marinho... daqui é possível desfrutar duma vista tranquila e magnífica, em grande parte criada pelo Homem já que, a sobrevivência natural da maior parte das espécies vegetais, é praticamente impossível sem a rega artificial. 









Piscina e/ou praia? - escolha à disposição... Era só passar para lá do calçadão empedrado de basalto negro e assentar arraiais debaixo de um dos guarda-sóis de tronquinhos de madeira entrançados numa estrutura de ferro, com as suas espreguiçadeiras e pára-ventos assentes numa areia fina e branca... 

Ao fundo, Santa Maria espreita convidando-nos a visitá-la e aos seus habitantes locais que se movimentam no seu tão típico pontão, numa azáfama de chegada das pequenas embarcações dos pescadores com peixe que de imediato é amanhado e comercializado... E onde, as actividades náuticas e a venda de artesanato dão um acréscimo de movimentação, sobretudo por volta das onze da manhã. 



No céu, as nuvens passam rápidas em promessas de chuva que não cai em terra... Nuvens altas, outras mais baixas, em flocos de algodão ou camadas densas que são o desespero de uma ilha seca e sedenta de água doce, mas que, pelo facto de não ter relevos capazes de as "fixar", as vai vendo seguir o seu caminho tornando esta terra pobre e dependente de tudo... Valha-lhe agora o turismo! Uma aposta que é para continuar, agora que os efeitos da pandemia estão mais atenuados... 







 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

DESENHO A GRAFITE - NOVA PAIXÃO





Comecei com as mãos, serviram para treinar o sombreado e o tracejado... Duma marcação forte e demasiado rígida passei a uma subtileza maior. Não é fácil fazer a modelação, mas fui seguindo passo a passo trabalhos que achei interessantes e retirei do Pinterest. Sinto que é um exercício óptimo para ir aperfeiçoando o Desenho. Para além de relaxante, é muito gratificante ir vendo a evolução nos resultados finais de cada trabalho.








Passei, então às Naturezas Mortas... HB para o esboço, a marcação das caixas auxiliares de construção dos desenhos e até mesmo a marcação solta e suave dos primeiros sombreamentos com o tracejado. B4 e B8, para a finalização das zonas mais escuras. Sempre um traçado leve e normalmente cruzado, procurando que o tracejado tivesse alguma coerência para definição de formas e volumes. Adorei fazer este tipo de trabalho e espero continuar a desenvolvê-lo, procurando ter mais desenvoltura no manuseamento dos lápis e aperfeiçoar a capacidade para ir desenhando com mais facilidade qualquer tipo de objecto com recurso às "caixas".

 Naturezas Mortas: 








(Abril/ Maio de 2023)


(7/Junho/23)


Retrato:
(12/Junho/2023)
(15/Junho/2023)

Era para ser só a grafite, mas acabei por finalizar o retrato com lápis de cor e modificá-lo. Foi mais forte do que eu... Voltei de novo aos retratos, mas desta vez não me satisfizeram... Nem a mim nem à mãe dos miúdos.


(15/Junho/2023)

Só em Julho voltei a pegar nos retratos novamente, repetindo-os uma vez mais e fazendo-os basicamente a grafite, com alguns retoques a pan-pastel:



Desta vez, agradou à mãe dos dois pequenitos. Foi difícil conseguir o pretendido, mas acabou por ficar bem e mais simples. E, eu fiquei contente também, porque o principal é agradar a quem os trabalhos se destinam, o que terá sido o caso.



Num género completamente diferente, tentei o retrato destes dois irmãos. Mais tipo desenho, mas adorei fazê-los. Lápis de grafite, de cor, pan-pastel e pastel seco foram os materiais usados sobre um papel de cor. Traçado rápido, simples e solto. Sobretudo, o primeiro, ficou exactamente aquilo que pretendia. Penso que nele consegui captar a expressão do olhar e a sua doçura... 

Ainda não foi desta que trabalhei apenas  a grafite no Retrato, mas hei-de vir a tentá-lo mais tarde, possivelmente. Gostava de traçar volumes, luzes e sombras apenas com o recurso ao manuseamento dos lápis de grafite, tal como o fiz nas mãos e Naturezas Mortas.





terça-feira, 11 de abril de 2023

O "LONELY GEORGE" DA PRAIA DE ALTURA... (ALGARVE/PORTUGAL)

 


Já lá vão mais de trinta anos que rumamos ao Algarve para as férias de Verão... e, até mesmo neste ponto mais a Leste, perto de terras de Espanha, como as coisas têm mudado!... Desta praia partiam os barcos para a faina no mar, pescando o peixe que aquele dava. Hoje, restam as barracas dos pescadores escondidas na duna com a hora da sua demolição já marcada e este barco de pesca de recreio que, como antigamente, é puxado por um trator que desce da duna para o vir buscar...  


Tal como o Lonely George das Galápagos, (último exemplar da sua sub-espécie de tartarugas, que morreu em 2012 na Ilha de Santa Cruz , no Equador, com 102 anos), também o Sr. Jorge de Altura é um resistente que ainda se mantém na actividade da pesca nesta Praia de Altura, já não como meio de subsistência mas por desporto e carolice...   






Não há muitos anos, era assim... descansavam na areia da praia os barcos coloridos, com que os pescadores procuravam o seu sustento, e que regalavam a vista dos veraneantes mais atentos.




Hoje, tivemos o privilégio de ver a chegada e subida do barco do Sr. Jorge até à duna, último exemplar de uma pequenina frota que dava cor e carisma a esta praia que se vai modernizando, mas possivelmente perdendo alguns dos seus encantos como eram os seus barcos de pesca descansando na areia e o momento da sua chegada do mar.