terça-feira, 5 de janeiro de 2021

RETRATO - VENCENDO ETAPAS, A PARTIR DE UMA MESMA FOTOGRAFIA...





À medida que o meu trabalho no Desenho foi evoluindo, fui registando essa evolução por meio de fotografias. Fiquei surpreendida. Hoje, ao olhar para os vários trabalhos por ordem cronológica, posso constatar que houve uma real melhoria. Pelo menos no uso do carvão.



Em Agosto, o desenho a carvão possível era este em que a modelação do rosto ainda deixava muito a desejar. Apesar de, tanto num caso como no outro, partir da mesma fotografia e de fazer a marcação prévia dos principais pontos do rosto, o resultado foi bem diferente.


Em  Outubro, voltei a tentar a mesma fotografia com carvão e pan-pastel. A diferença é notória. De onde se conclui que, como tudo na vida, a prática ajuda muito. Vai-se ganhando uma maior destreza e à vontade.


O próximo desafio é utilizar os lápis de cor. Em Julho, o trabalho possível era o que se segue. Vamos ver o que é possível fazer daqui para a frente...


Em Julho, delineava os contornos com uma demasiada definição dos traços, usava pouca variedade de tons, a modelação do rosto era pouco conseguida... Não conseguia captar a expressão dos olhos e do rosto.



Agora, com base neste exercício, irei tentar uma maior riqueza de tons, sem fazer marcações excessivas dos limites de cada parte do rosto como os olhos e a boca.


Estou ansiosa por ver o resultado... 
Serão as próximas etapas.

Primeira experiência - desenho a lápis de cor...
Ainda está demasiado marcado,

Segunda tentativa. 


Terceira tentativa...


Já está bastante melhor, sobretudo, (e por curiosidade), em relação ao que conseguia há alguns anos atrás:

Desenhos a aguarela e marcador...



Agora, sem rede, seguindo apenas a fotografia, passei à boca e ponta o nariz:






Aqui ainda está demasiado marcado, desenhado...



Na última etapa... Já ficou melhor.



Finalmente, passei ao rosto na sua totalidade. Já consegui um melhor resultado. Não tem nada a ver com o que conseguia em Julho. Muito mais modelado, com degradés em vez de uma marcação rígida, com sobreposição de camadas de cor... O que torna o trabalho muito mais interessante e menos "desenhado": 




Em Janeiro, é o que é possível, utilizando os lápis de cor...




domingo, 3 de janeiro de 2021

SOBRE O ANO NOVO - Com poemas de Fernando Pessoa





Mais um ano que passou, um novo que começou... Mas, como diz o poeta, nada acaba ou começa de novo, tudo continua. Tal como um rio, o tempo vai desfilando tranquilo e sem percalços ou em agitada movimentação. Mas no nosso coração e pensamento tudo pode começar pleno de novas intenções, novos projectos, novos recomeços. É o ritmo das marés, e das subidas e descidas deste rio que é a vida, que traz novas esperanças, novas alegrias e o acreditar em que este ano será melhor. Rio que pode desaguar num mar de esperança num tempo de melhores oportunidades e de resolução de problemas para todos nós. Bem vindo 2021!...


Mar do Guincho


 

Sobre o ano novo, poema de Fernando Pessoa:



"Ficção de que começa alguma coisa!

Nada começa: tudo continua

Na fluida e incerta essência misteriosa

Da vida, flui em sombra a água nua

Curvas do rio escondem só o movimento

O mesmo rio flui onde se vê

Começar só começa o pensamento."



DEPOIS DE TUDO 

(Poema de Fernando Pessoa)


"De tudo ficam três coisas:

A certeza de que estamos sempre a começar...

A certeza de que é preciso continuar...

A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.


Por isso, devemos:

Fazer da interrupção, um caminho novo...

Da queda, um passo de dança...

Do medo, uma escada...

Do sonho, uma ponte...

Da procura, um encontro."



Façamos pois, do ano de 2021, um ano melhor!




(Primeira imagem retirada da NET; poemas enviados por amigas)





quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

RETRATO - BALANÇO DE 2020...





Último trabalho de 2020



2020, ano de relativo isolamento, de dúvidas e de preocupações com este novo inimigo da Humanidade _ o COVID-19...  Teve muito de negativo, mas nem tudo o foi. No que respeita ao Desenho, para mim, foi um ano muito produtivo. Sempre à distância, mas com  disponibilidade total, fui sendo orientada nesta aventura. E, desde 13 de Abril, em que o exercício se baseava em educar a mão com círculos e espirais, a evolução nesta arte de rabiscar o papel foi crescendo. Hoje, já a mão hesita menos, o traçado é mais solto, a fidelidade à cópia é mais precisa, a rapidez de execução maior... Foram horas esquecidas de puro prazer e de conquistas graduais. Primeiro, objectos, depois os rostos, seguindo os "canons" ou fazendo "batota"... e, neste momento, estou preparada para seguir para novos rumos. Para além dos carvões, passar a experiências de cor e tudo mais que quem me guia neste caminho tiver para me ensinar.... 
 


(Abril 2020)






Em Julho, esta era a fidelidade possível, mesmo recorrendo à "batota", 
ou seja, à marcação prévia dos pontos principais do rosto...




O meu pai aos 19 anos... 
(Dezº 2020)



Feliz ano de 2021, com a realização dos nossos sonhos...



 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

RETRATO - EXPRESSÕES DE CRIANÇAS



 


Que privilégio conseguir captar a expressão  doce, risonha ou séria do rosto de uma criança!...  Pela primeira vez, alguém me "encomendou" um trabalho. O que para mim foi um orgulho e o que me deu um gosto imenso. Se fazer o retrato de um adulto ou de um jovem é uma fonte de prazer, captar a alegria, a espontaneidade e doçura numa criança, então não tem igual... 







sábado, 19 de dezembro de 2020

RETRATO - PEQUENOS TOQUES FAZEM A DIFERENÇA...

 




Mais um retrato que se vai recriando até se encontrar um equilíbrio de formas, luzes e sombras...



Primeiras etapas. As marcações estão ainda a medo...


Ao acrescentar cor aos brincos, o trabalho ficou mais "disperso"...


Bastou alargar mais um pouco a mancha do cabelo e voltar a tirar a cor vermelha dos brincos para se encontrar  um novo equilíbrio...



É engraçado ver como um traço mais intenso, uma mancha mais clara ou mais escura são o suficiente para fazer a diferença.





quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

RETRATO - SENHORES DO TEMPO

 



O carvão tem destas coisas... basta um toque para se alterar o que estava por baixo e não se poder voltar atrás... Facilmente se esborrata o que já estava aplicado. Mas há um truque que aprendi com este trabalho, ir pondo o fixativo entre camadas. Deixa de se poder fazer a fusão com o carvão já aplicado, é certo. Mas, quando isso não é necessário, conseguem-se tons mais fixos e definidos...

Foi um trabalho que deu luta. Modifico, ou não modifico? Mas o que se perdeu em riqueza de traço e de mancha, ganhou-se em fidelidade à fotografia e leveza do retrato.

O Desenho (e a Pintura) deve ser das poucas situações em que, com um toque aqui e outro ali, se consegue rejuvenescer a pessoa retratada ou torná-la mais velha.Tornamo-nos senhores do tempo, fazendo o tempo girar, ora para a frente ora para trás... Para isso, basta um traço, uma mancha, uma sombra, um toque...




sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

EVOLUÇÃO DE UM RETRATO A CARVÃO

 


Etapa final




Esboço



Esfumados



Detalhes



Finalizando o trabalho...

Achei graça a não definir muito os cabelos para realçar o sorriso e emoldurá-lo





quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

RETRATOS... EXPERIÊNCIAS



Trabalho final...

Quando tentamos dar um cunho mais pessoal a um trabalho, mesmo que possamos partir de algo que já tenha uma resolução prévia, corremos o risco de não sermos bem sucedidos, de massacrar o trabalho, ou de o estragar definitivamente.



Numa primeira fase e neste retrato, fui fiel à imagem obtida por tratamento da fotografia com recurso a filtros específicos. Consegui um trabalho simples, equilibrado e do qual havia quem gostasse, incluindo eu... Só que também houve quem não gostasse e aí hesitei. Como será que reagirá quem a ele se destina? Gerou-se a insegurança... vacilei.


Depois, comecei a trabalhá-lo no sentido de o tornar mais pessoal... Estraguei tudo!... Ficou bastante confuso e, a bem da verdade, até mesmo borratado e pouco definido.



Não desistindo dele, voltei a torná-lo mais "legível". Apaguei o pastel seco que estava a mais, com uma borracha, e uniformizei o fundo com negros e cinza.



Finalmente, utilizei o vermelho num registo diferente...  gostei do resultado final, apesar de o trabalho ter perdido a espontaneidade inicial e de ninguém, cá por casa, ter morrido de amores por ele... Agora é que já não há borracha que lhe valha....



Assim ficou a lição de que, às vezes, tanto se quer aperfeiçoar (ou "inovar") que se estraga o que estava feito. Basta um traço, uma mancha errada, para que já não haja remédio. Mas valeu pela experiência, pela tentativa de encontrar uma solução e pela certeza de que não se pode agradar a todos. O principal mesmo, é identificarmo-nos com aquilo que fazemos, não esquecendo, no entanto, a quem se destina.

Muitas das vezes, as coisas não correm bem. Mas fica a experiência e, como alguém disse, deve-se tentar sempre ir em frente, independentemente dos resultados, quando por, alguma razão, não se está satisfeito. 




Não contente com a primeira experiência parti para outra...




Por estranho que pareça, gostei.


 

Mas acabei por fazer um retrato mais clássico e fiel à fotografia...




 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

ALENTEJO (SERPA) - NOSSA TERRA TRANSPORTADA

 





ALENTEJO


A lua que te ilumina,

Terra da cor dos olhos de quem olha!

A paz que se adivinha

Na tua solidão

Que nenhuma mesquinha

Condição

Pode compreender e povoar!

O mistério da tua imensidão

Onde o tempo caminha

Sem chegar!...


(Miguel Torga)


O MEU ALENTEJO


Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,

Doirando tudo. Ondeiam nos trigais

D' oiro fulvo, de leve... docemente...

As papoilas sangrentas, sensuais...


Andam asas no ar; e raparigas,

Flores desabrochadas em canteiros,

Mostram por entre o oiro das espigas

Os perfis delicados e trigueiros...


Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...

Olhando esta paisagem que é uma tela

De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,

Que possa imaginar coisa mais bela,

Mais delicada e linda neste mundo?!


(Florbela Espanca)


A dois alentejanos de gema que Serpa, no Alentejo, um dia viu partir rumo à Capital em busca de novos horizontes, mas que levaram consigo, bem apertadinha no coração e na bagagem, a terra que os viu nascer.



Desenhos a carvão e pan-pastel num registo entre o clássico e o mais moderno