quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

RETRATOS... EXPERIÊNCIAS



Trabalho final...

Quando tentamos dar um cunho mais pessoal a um trabalho, mesmo que possamos partir de algo que já tenha uma resolução prévia, corremos o risco de não sermos bem sucedidos, de massacrar o trabalho, ou de o estragar definitivamente.



Numa primeira fase e neste retrato, fui fiel à imagem obtida por tratamento da fotografia com recurso a filtros específicos. Consegui um trabalho simples, equilibrado e do qual havia quem gostasse, incluindo eu... Só que também houve quem não gostasse e aí hesitei. Como será que reagirá quem a ele se destina? Gerou-se a insegurança... vacilei.


Depois, comecei a trabalhá-lo no sentido de o tornar mais pessoal... Estraguei tudo!... Ficou bastante confuso e, a bem da verdade, até mesmo borratado e pouco definido.



Não desistindo dele, voltei a torná-lo mais "legível". Apaguei o pastel seco que estava a mais, com uma borracha, e uniformizei o fundo com negros e cinza.



Finalmente, utilizei o vermelho num registo diferente...  gostei do resultado final, apesar de o trabalho ter perdido a espontaneidade inicial e de ninguém, cá por casa, ter morrido de amores por ele... Agora é que já não há borracha que lhe valha....



Assim ficou a lição de que, às vezes, tanto se quer aperfeiçoar (ou "inovar") que se estraga o que estava feito. Basta um traço, uma mancha errada, para que já não haja remédio. Mas valeu pela experiência, pela tentativa de encontrar uma solução e pela certeza de que não se pode agradar a todos. O principal mesmo, é identificarmo-nos com aquilo que fazemos, não esquecendo, no entanto, a quem se destina.

Muitas das vezes, as coisas não correm bem. Mas fica a experiência e, como alguém disse, deve-se tentar sempre ir em frente, independentemente dos resultados, quando por, alguma razão, não se está satisfeito. 




Não contente com a primeira experiência parti para outra...




Por estranho que pareça, gostei.


 

Mas acabei por fazer um retrato mais clássico e fiel à fotografia...




 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

ALENTEJO (SERPA) - NOSSA TERRA TRANSPORTADA

 





ALENTEJO


A lua que te ilumina,

Terra da cor dos olhos de quem olha!

A paz que se adivinha

Na tua solidão

Que nenhuma mesquinha

Condição

Pode compreender e povoar!

O mistério da tua imensidão

Onde o tempo caminha

Sem chegar!...


(Miguel Torga)


O MEU ALENTEJO


Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,

Doirando tudo. Ondeiam nos trigais

D' oiro fulvo, de leve... docemente...

As papoilas sangrentas, sensuais...


Andam asas no ar; e raparigas,

Flores desabrochadas em canteiros,

Mostram por entre o oiro das espigas

Os perfis delicados e trigueiros...


Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...

Olhando esta paisagem que é uma tela

De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,

Que possa imaginar coisa mais bela,

Mais delicada e linda neste mundo?!


(Florbela Espanca)


A dois alentejanos de gema que Serpa, no Alentejo, um dia viu partir rumo à Capital em busca de novos horizontes, mas que levaram consigo, bem apertadinha no coração e na bagagem, a terra que os viu nascer.



Desenhos a carvão e pan-pastel num registo entre o clássico e o mais moderno




 

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

DESENHAR _ UM SONHO À NOSSA MEDIDA...





Desde menina que um dos meus passatempos favoritos era o de desenhar. Sempre fui rabiscando qualquer coisa, mesmo sem orientação nesse sentido. Até que a oportunidade surgiu e tenho tido a felicidade de ter quem me acompanhe nestas lides. Dá um prazer imenso... Umas vezes é-se mais bem sucedido, outras não. Passinho a passinho tenho vindo a registar esta minha caminhada. Neste momento, é o Desenho uma das minhas actividades preferidas e, graças ao confinamento parcial em que nos encontramos, tenho tido a oportunidade de a desenvolver. O retrato, neste momento, (com "batota", já que copio as linhas gerais), é aquilo que mais me entusiasma. 





Cada um dá o que pode... Só que alguns nasceram com um dom especial. É o caso deste pequenito que apenas com lápis e um esfuminho improvisado, cria obras de um realismo espantoso. Vale a pena ver... É nesta altura que pensamos que, apesar de todos o nossos esforços, não somos assim tão "dotados". Mas vale a pena insistir pelo prazer e gosto que dá pegar em vários materiais e ir à descoberta das nossas possibilidades e capacidades. Nem todos nascemos artistas, mas não podemos desistir dos nossos sonhos, quando sonhamos aquilo que está ao nosso alcance e, sobretudo, temos quem nos motive para continuar. Se temos a oportunidade, temos que a agarrar, já que nem sempre está ao alcance de todos, por mais talentosos que sejam... talvez seja o caso deste pequenito e será certamente o de tanta outra gente a quem, apesar do seu real talento, isso é negado pela força das circunstâncias.





 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

RETRATO A SÉPIA, PASTEL E CARVÃO






A utilização de um papel de cor para fundo, permite trabalhos interessantes e mais fáceis de fazer a pastel e/ou a carvão...





O retrato a sépia, tal como a sanguínea, também fica interessante e é uma variante. 





Por vezes, os erros ajudam-nos a encontrar novos caminhos... 







Retratos a carvão e pan-pastel num registo mais moderno.





NOVA FORMA DE RETRATO - INTRODUÇÃO DA COR









Quando para além das luzes e sombras, jogamos com a cor, o desafio é maior e dá ainda mais gozo. A aplicação do pan-pastel para as zonas maiores e dos lápis de pastel seco para os pormenores complementam-se na perfeição.





Um apontamento de cor num todo a preto e branco...


 

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

RETRATO A CARVÃO, UMA NOVA FORMA DE EXPRESSÃO...





Começou assim... numa surpresa para uma amiga.


Retratos a carvão e pan-pastel, uma nova forma de trabalhar a imagem a partir de fotografia com a batota de marcação prévia dos principais traços do rosto.  Tem sido uma descoberta e uma possibilidade de trazer para mais perto família e amigos. Com a aprendizagem de novas técnicas para mim, muitas delas velhas de séculos, é possível adivinhar formas, volumes e expressões daqueles que nos são mais queridos. Tem sido uma caminhada gradual em que a cada desenho vou descobrindo as potencialidades destes maravilhosos instrumentos de trabalho. 


Carvão, pastel seco e as "bonecas"...


O pan-pastel

Ver aparecer as formas e a alma de cada expressão a partir de uma folha de papel branco, riscado, afagado com um simples lápis ou pó de carvão aplicado com uma "boneca" de trapo com um pouco de algodão, parece magia. E, com a ajuda do pan-pastel aplicado com esponja nos últimos trabalhos, o prazer de o fazer ainda sai mais reforçado...
  

























Progressos só possíveis devido ao saber, dedicação, entusiasmo e incentivo de quem, mesmo à distância, nos acompanha. Por tudo isso, obrigada...