quarta-feira, 19 de junho de 2019

SERÁ QUE AINDA VAMOS A TEMPO?







Um Amigo faz com que nos excedamos a nós mesmo e é o primeiro a entrar em nossa casa, sempre que por ele chamamos. Um Amigo em vez de condenar as pessoas, procura compreendê-las, saber o motivo porque actuam de uma determinada forma, dando ensejo à simpatia, à tolerância e à bondade. Foi isso que Cristo, Alá, Buda ou os grandes chefes espirituais nos ensinaram independentemente do nosso credo ou até de sermos agnósticos ou mesmo ateus.

O maior desejo do homem é sentir-se  apreciado. Assim, o elogio é o melhor incentivo para o Homem que trabalha, trabalhou ou há-de trabalhar para encontrar a felicidade, sua e a dos outros.... Um Amigo aceita-nos ainda mesmo com os nossos erros. Aceita-nos como somos, até porque somos fruto das circunstâncias sejam elas genéticas ou ambientais. Tal como com os animais, plantas e toda a Natureza, para obtermos bons frutos temos que cuidar deles e esperar ser bem sucedidos nessa tarefa. 

Será que ainda vamos a tempo? Por todo o lado, vai começando a haver o despertar de consciências que não aceitando o mal que já se fez no nosso passado e no nosso planeta, o procuram remediar para que renasça outra vez a esperança de um Mundo melhor. Não será tarefa fácil. Mas há que começar por algum lado...




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sábado, 15 de junho de 2019

SONHAR É POSSÍVEL SOBRETUDO SE FOR PARTILHADO...


QUE SERÁ QUE É FEITO DELE?


 O CÉU E A TERRA


Qual é verdeira? É uma questão de prespectiva. Aquilo que para uns pode ser o Céu, para outros é o Inferno. Depende do ponto de vista e da nossa capaciade de transformar o azedo do limão num sumo doce e saboroso, para quem gosta de limonada...


Que será feito dele? Quase sempre que se entrava na vila ele lá estava deitado, no meio dos seus parcos pertences, na calçada e à sombra da árvore, encostado aos altos muros que davam para a Marginal... De Verão e de Inverno, dormindo, comendo ou talvez meditando, de dia ou de noite, votado à indiferença de quantos que por lá passavam de carro. Vista privilegiada sobre a Baía de Cascais. As barbas brancas sempre por fazer.

O Natal aproximava-se. Aquela visão incomodava. Até que um dia ela se aproximou dele levando-lhe que comer, um agasalho e um coração com um botão... Aceitou que comer. Guardou a manta que disse ainda ir pensar se ficava com ela. Mas recusou o coração. Segurou nele e, olhando para ela, disse, olhando-a firmemente nos olhos: __ " Não. O coração não. Guarde-mo. Quero que fique com ele. Tome conta dele." Ela respondeu: __" Está bem eu guardo-o! Mas diga-me, porque insiste em permanecer aqui deitado na rua de dia e de noite, de Verão e de Inverno?". __ "Eles querem dar-me uma casa. Eles querem-me tirar da rua. Mas eu cansei-me de gritar. Agora grito calado. Fico aqui à vista de toda a gente...". Seria descompensado, louco?!... A conversa tinha uma certa coerência, tinha uma voz forte e bonita, aquele homem que parecia tão distante tinha sentimentos, tinha ideias, mas continuava na rua porque estava "cansado de gritar". Mas gritar o quê? Não respondeu.


Um dia desapareceu como que por magia. Passaram-se dias, meses...  Ficou a marca na calçada na zona onde se instalava... As pedras estavam mais escuras. Era debaixo daquela árvore que assentava praça. O tempo foi passando, vieram as águas das chuvas, veio o quente do Sol, os homens da limpeza da câmara e a marca desapareceu. Debaixo de qual das árvores se deitava com os seus haveres. Ficou apenas na lembrança de quem por lá passava a imagem de um homem aparentemente abandonado de tudo e todos... Se calhar abandonado dele próprio. Um homem que gritava calado. O que "gritaria" ele?!... Este Natal já lá não está. Vamos ficar sem saber.

O lugar ficou vazio. Mas o coração ficou guardado. Quem sabe se o "grito" daquele homem de barba branca e cabelo grisalho se faz sentir através dele?!... Quem o ouvirá? Quantos homens e mulheres não gritam calados mas desesperadamente no silêncio das suas casas, ou nos cantos onde dormem, a sua SOLIDÃO?!...

Se calhar, não é preciso procurar muito longe... e nos lugares mais inesperados vamos encontrar quem precise dos nossos corações.





“SE DEUS EXISTE...”



SE DEUS EXISTE ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS





Poderemos caminhar firmes em direcção aos nossos projectos se acreditarmos nos nossos sonhos e em algo que conduz os nossos passos...








A PARTILHA DO PÃO E DO VINHO
,
SONHO DE UM MUNDO DE JUSTIÇA











quinta-feira, 13 de junho de 2019

A VIDA VAI-NOS DANDO SINAIS PARA OS QUAIS ESTAMOS MUITAS VEZES DISTRAÍDOS



(*)

Qual o sentido da Vida, perguntamo-nos tantas vezes à medida que os anos vão correndo... Até que a resposta vem quando menos se espera e é talvez com os mais velhos que o vamos aprendendo... Quando o seu percurso lhes ensinou o que realmente é essencial. Este poema de Mário de Andrade, que um dia me chegou às mãos, faz-nos pensar se realmente estamos no caminho certo, se não estamos a ser tolos e a dar importância àquilo que não tem.  


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço."

(...)

Por vezes, '"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"



(*)

Pensemos nisto, enquanto a nossa taça ainda tem cerejas que possamos saborear. Para muitos de nós não é fácil, somos norteados pelo orgulho, vaidade, preconceitos, necessidade de ir para além de nós...  E a vida afinal passa tão rápido, é tão curta e acabamos por nos perder do essencial. Tenho a felicidade de conhecer "pessoas de verdade" para quem muito do que o poeta defende é já uma realidade para elas... Quem sabe um dia não possamos vir a ser "pessoas de verdade" de pleno direito.



sexta-feira, 24 de maio de 2019

CHINELAS NA AREIA E A PASSAGEM DO TEMPO...






De chinelas nos pés ou descalços seguimos sobre a areia morna e seca ou molhada pela água do mar que vai acompanhando o ritmo das marés; passadas mais ou menos largas; e eis que chega o momento de sentar na areia, deixar cair os corpos suados e abandonar as pernas lado a lado, num relaxamento total de satisfação e de algum cansaço. Um momento para repousar, relaxar, conversar ou simplesmente estar; deixar os ouvidos acompanharem o bailado do som das ondas que languidamente vão e vêm; deixar os olhos passearem-se pela paisagem que vai mudando com a hora do dia; sentir a presença de quem mais não quer do que a presença de quem está a seu lado num diálogo que não precisa de palavras, numa entrega descomprometida  ...  

Os anos vão passando, mas quando o que mais queremos é estar juntos nos momentos possíveis e em completa sintonia e desapego de tudo que possa ser supérfluo, numa entrega total ao momento presente, todos os escolhos que se nos deparem parecem de menor importância e renascemos com uma nova força para continuar... Assim é e tem sido ao longo dos anos... Por quantos mais, não se sabe, mas muitos e muitos já foram.

Pegadas deixadas na areia que rapidamente se apagam e nos lembram que a vida é isso mesmo. São traços que vamos deixando ao longo do caminho, acompanhados ou sozinhos, e que breve se apagam com a subida das marés mas que ficam na lembrança duma partilha que por nada queremos trocar... São momentos efémeros, mas que distribuídos na passagem dos anos se perpetuam na passagem do tempo e nos trazem o sentimento de pertença a alguém ou a algum lugar.  







sexta-feira, 17 de maio de 2019

."O CESTO DAS MAÇÃS" DE PAUL CÉZANNE, em análise por Arteeblog, num post de 19 de Janeiro de 2018






Paul Cèzanne - The Basket of Apples (A Cesta de Maçãs), c. 1893
 óleo sobre tela – 65 x 80 cm – Art Institute of Chicago, Chicago, IL, USA


Ao procurar mais informação sobre este quadro de Paul Cézanne, encontrei esta análise do quadro e descrição do posicionamento de Paul Cézanne  na história do mundo da Pintura feita de uma maneira tão esclarecedora e tão concisa, que me atrevo a transcrevê-la agora no meu Blog. É pedido para não copiar este texto do Arteeblog sem autorização deste mesmo Blog, mas pede-se também, por outro lado, para o compartilhar usando os ícones para e-mail ou redes sociais. Na impossibilidade de o poder fazer, transcrevo-o aqui, reforçando a autoria do texto como sendo do Arteeblog e postado em 19 de Janeiro de 2018.

"Esta pintura ajudou a formar uma ponte entre o Impressionismo e o Cubismo. Apesar de sua perspectiva desigual, ela tem uma composição equilibrada. Nela, a garrafa inclinada, a inclinação da cesta e as linhas cortadas dos biscoitos engrenam com as linhas da toalha de mesa. Além disso, o lado direito da mesa não está no mesmo plano do lado esquerdo, como se a imagem refletisse simultaneamente dois pontos de vista. A mesa é um retângulo impossível sem ângulos retos. A modelagem pesada, pinceladas sólidas e cores brilhantes dão à composição uma densidade e um dinamismo que uma natureza morta mais realista nunca poderia possuir.

“A Cesta de Maçãs”, uma das raras obras assinadas de Cézanne, fez parte de uma importante exposição dedicada ao artista pelo comerciante de arte parisiense Ambroise Vollard em 1895. Como Cézanne passou a maior parte de sua carreira pintando isoladamente em sua Provença natal, essa foi a primeira oportunidade em quase vinte anos para que o público visse o trabalho do artista que agora é saudado como o pai da pintura moderna.

Segundo Paul Cézanne, "arte é uma harmonia paralela à natureza, não uma imitação da natureza”. Na busca de estruturas e composições, afirmava que o artista não é obrigado a representar objetos reais no espaço real. As formas geométricas e a perspectiva desconexa de Cézanne, fizeram dele uma inspiração para Pablo Picasso, o cubismo e arte abstrata do século XX.

Paul Cézanne (Aix-en-Provence, 19 de janeiro de 1839 - Aix-en-Provence, 22 de outubro de 1906) foi um artista francês e pintor pós-impressionista cujo trabalho lançou as bases da transição da concepção artística do século XIX para um mundo da arte novo e radicalmente diferente da arte no século XX. As pinceladas exploratórias frequentemente repetitivas de Cézanne são altamente características e claramente reconhecíveis. Ele usou planos de cor e pinceladas pequenas que se acumulam para formar campos complexos. As pinturas transmitem como Cézanne estudava intensamente seus temas. Cézanne formou a ponte entre o impressionismo tardio do século XIX e a nova linha de investigação artística do início do século XX, o Cubismo. Tanto Matisse quanto Picasso diziam que Cézanne "é o pai de todos nós"."



(Artigo do Blog Arteeblog, postado em 19 de Janeiro de 2018)




segunda-feira, 13 de maio de 2019

"O CESTO DAS MAÇÃS" DE PAUL CÉZANNE - ETAPAS NA SUA "REPRODUÇÃO"...






Paul Cèzanne - The Basket of Apples (A Cesta de Maçãs), c. 1893 
óleo sobre tela – 65 x 80 cm – Art Institute of Chicago, Chicago, IL, USA

Será que esta foto retirada da NET corresponde a uma foto tirada ao original de Paul Cézanne?! Queria fazer a "reprodução" deste quadro, deste pintor considerado o Pai da Arte Moderna. Para isso, fui pesquisar em livros e encontrei o que procurava. Fiquei então com a ideia de que não aprecio alguns dos seus quadros, no entanto, gosto de muitas das suas naturezas-mortas e este é, sem dúvida, um dos meus preferidos. O modo como lida com as formas, as cores e as texturas é-me extremamente agradável, daí que tenha ido à descoberta de mais este pintor. O jogo das cores e tons, a subtileza das pinceladas, a harmonia do quadro como um todo, muito dificilmente se poderá procurar reproduzir, mas apesar de todas as limitações, e com todas as ajudas, penso que valerá a pena tentar esta aventura...

O que ando a aprender é sobretudo a pintar mas o Desenho também me dá muito gozo. E, assim, comecei pelo esboço numa tela com as dimensões aproximadas das do quadro original de Paul Cézanne - 80X60 cm...




Deixar correr o lápis sobre a tela... tentar equilibrar as formas em tamanhos, perspectivas e posições relativas, ouvindo uma música de fundo, são momentos que para sempre ficarão ligados à execução deste trabalho... Não há necessidade de grande pormenor neste esboço a lápis. Para já, trata-se apenas de fazer as marcações das formas para depois as definir com as tintas usando pincéis, os dedos, a espátula...




Não se pretende ser muito fiel na reprodução do trabalho de Paul Cézanne, até porque, isso está fora do meu alcance, mesmo sendo orientada por quem sabe... 

Seguir o original, sim... mas com liberdade de alterar quando e onde necessário ou simplesmente porque apetece ou não se consegue melhor, para que este exercício seja um prazer e uma libertação e não uma "prisão"...




O pincel redopia, deposita tinta, mistura os tons, deixa o risco, a mancha, o sombreado ou a luz... Os dedos suavizam, esbatem, corrigem... A espátula espalha a tinta, raspa, reforça o tom, a forma ou a textura...




E as formas vão surgindo... os contrastes de cores aparecendo, os volumes... 


Gradualmente o quadro vai tomando corpo... 



Este trabalho não tem a subtileza do original, o encanto da pincelada nos frutos e do manchado das zonas mais lisas, nem a pretensão de o conseguir... tem erros de perspectiva, é muito mais riscado e marcado, mas está a dar-me um gozo tremendo ver as formas surgirem e os volumes a definirem-se. Sempre sob o olhar atento de quem nos deixa "soltar" e dar o nosso "cunho pessoal" à medida que vamos avançando, e está sempre disponível para nos dar a mão, o conselho, o incentivo e o toquinho que fazem a diferença...

















segunda-feira, 6 de maio de 2019

O DIA DA MÃE NÃO TEM DATA FIXA...





Quando nos vemos retratadas neste "cartoon" em que os filhos alegremente dizem à mãe surpresa e com ar cansado: "Mãe, nós contratámos algumas pessoas para te substituir enquanto você relaxa no dia das mães", é que nos apercebemos da quantidade de tarefas e papéis que cabem a uma mãe... 

Mas, realmente este dia é especial, quando nos preparam o pequeno-almoço com uma flor no centro da mesa, ou nos trazem aqueles trabalhinhos feitos na escola que guardamos para toda a vida, ou nos oferecem uma plantinha para pôr no parapeito da janela da nossa cozinha e tantos outros tesouros... então, o nosso papel de "faz tudo" durante o ano, fica largamente recompensado. Mais ainda quando nos pedem um abraço apertado ou nos dão um beijo especial, querem a nossa presença ou o nosso silêncio em qualquer um dos dias do ano, já que não nos importamos que o nosso dia possa não ser no primeiro Domingo de Maio...  




O tempo vai passando... mas, no Dia da Mãe, mesmo que já adultos, lembram-nos com pequenos gestos que, por mais crescidos que sejam, são e serão sempre os nossos meninos...                     








domingo, 5 de maio de 2019

DIA DA MÃE - A TODAS AS MÃES, TIAS E PROFESSORAS "ESPECIAIS"





Hoje, é o primeiro Domingo de Maio - "Dia das Mães"... Acordei com vontade de o dedicar a mães que conheço, fui procurar a minha lista de amigas e verifiquei que, cada uma à sua maneira, eram todas muito especiais; até mesmo aquelas que não sendo mães o eram como tias ou professoras...

Os nossos filhos são como frutos que vão crescendo e amadurecendo e a nossa maior empresa. Quase todas as mães são especiais, umas mais do que outras... Nem sempre somos super-mães, porque é muito difícil e, nem sempre a vida nos exige isso, mas desde que façamos a nossa aprendizagem do nosso papel de mães o melhor que conseguimos, já nos podemos considerar umas mães " muito especiais"...




De facto, "A vida não vem com um manual, vem com uma mãe", que nem sempre é quem gera mas quem cria, acarinha, ensina, ama e apoia...



Quando vemos os nossos frutos a amadurecer e a encontrar o seu caminho, então pensamos que alguma coisa de bom fizemos nessa nossa aprendizagem do nosso papel de mães, tias ou até mesmo de professoras. Podemos não ser "super", mas certamente seremos "especiais"... numa aprendizagem que se vai fazendo gradualmente com êxitos e fracassos mas que nos ajudam a crescer juntamente com o nossos meninos por quem acabamos por ser responsáveis...

Por tudo isso, estamos tão gratos às nossas mães, tias, avós e professoras "especiais", e nos é tão grato sermos nós capazes de ir aprendendo a desempenhar, também nós esse papel...





sexta-feira, 26 de abril de 2019

NOTRE-DAME DE PARIS EM CHAMAS - E AGORA?!...





Notre-Dame está a arder! Não é possível!... Tínhamos lá estado no Domingo anterior. Tínhamos ficado encantados com este monumento gótico que é o centro de Paris e um dos locais mais visitados do Mundo. A sua fachada exterior Oeste com as duas torres, as suas esculturas, as gárgulas e a enorme rosácea que encima as suas portas de entrada de uma beleza sóbria mas imponente, parece estar salva em grande parte. Mas, muito das outras zonas da Catedral, ficou destruído.
   

Fachada Oeste da Catedral



Parte Este da Catedral

Chegámos, então, pelas dez da manhã daquele Domingo... Alguns fiéis assistiam atentamente à missa que decorria junto ao altar-mor completamente desligados dos turistas que, tal como nós, depois de um momento de recolhimento, deslizavam pelas partes laterais da Catedral, observando a beleza dos vitrais que transmitiam uma luz tão própria daquele local sagrado...



No centro da nave principal, junto ao altar-mor, um coro acompanhava a missa com cânticos que ainda mais tornavam místico este lugar, cheio de obras de arte que, como viemos a saber, foram sendo, em grande parte, oferecidas todos os dias primeiros de Maio pelos trabalhadores parisienses ao longo dos últimos séculos. E que, felizmente, parecem ter sobrevivido à fúria das chamas, sendo retirados do local para preservação e restauro, apesar dos danos causados pela água que se utilizou para apagar o fogo.




Acordes do órgão da Catedral de Notre Dame, gravados no último Domingo antes do incêndio que o danificou para sempre...

(Gravação feita pelo JP) 

Zona Este da Catedral

Naquele Domingo, quando saímos, a missa ainda decorria e os cânticos, que acompanhavam o órgão que ficou destruído no incêndio, ainda se faziam ouvir... Hoje, também as magníficas rosáceas, Norte e Sul, estão muito danificadas. Estas poderão vir a ser reconstituídas mas nunca com as técnicas de vitral seguidas pelos alquimistas que os criaram e que para sempre ficarão perdidas no tempo.



Rosácea principal norte


Rosáceas mais pequenas da parte sul da Catedral


Notre-Dame de Paris renascerá de novo das cinzas... Tal como aconteceu ao longo de toda a história deste local de culto, que foi sofrendo transformações ao longo dos séculos, voltará a erguer-se com toda a sua beleza e glória, embora não seja a mesma coisa, já que muito do que for reconstruído ou restaurado deixará de ser contemporâneo de séculos de História de Paris, da França e até do Mundo... No entanto, será mais uma etapa dessa mesma História, que voltará a ser preservada para as gerações vindouras. 



Vista da parte Sul da Catedral a partir da margem do Sena

Tal como naquele Domingo soalheiro de início de Primavera em que a visitámos, o rendilhado magnífico deste tributo a Nossa Senhora que é a Catedral de Notre-Dame, voltará a resplandecer com materiais mais modernos, mais seguros e igualmente belos procurando respeitar a sua traça destruída pelo fogo... 

Tentando aceitar o inevitável, pelo qual parece não ter havido responsabilidades de destruição intencional, é pensar que Notre-Dame de Paris renascerá da união dos parisienses e até mesmo de muitos outros cidadãos do Mundo que a sentem como um pouco sua, fazendo parte da nossa memória colectiva. 


(Primeira foto retirada da NET, seguintes tiradas por J.P.)