quarta-feira, 3 de junho de 2015

POEMA DE FERNANDO PESSOA










"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.


Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, 

seja pelo destino ou por algum desentendimento, 
segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... 
nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: 
não deixes que a vida passe em branco, 
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, 

que tivessem morrido todos os meus amores, 
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"




(Desenho a Neopastel inspirado em trabalho de Michael Naples)
 (Malay- Junho/2015)


(Poema de Fernando Pessoa)


sexta-feira, 29 de maio de 2015

REFLEXOS






"O mundo é um espelho, pois se sorrires para ele, ele sorrirá para ti."



"Reflexos" - Trabalho a espátula e óleo sobre tela
(Maio/2015)(*)









"Reflexos"



sexta-feira, 15 de maio de 2015

PALAVRAS - Almada Negreiros



Almada Negreiros
(Imagem retirada da NET)



"Há palavras que fazem bater mais depressa o coração – todas as palavras – umas mais que as outras, qualquer mais que todas.
Conforme os lugares e as posições das palavras. Segundo o lado de onde se ouvem – do lado do Sol ou do lado onde não dá Sol."  
Almada Negreiros



Recebi esta mensagem (enviada por C.V.Z.) que me deixou a pensar. De facto, as mesmas palavras nem sempre são entendidas da mesma forma por pessoas diferentes. Mas até mesmo por nós próprios pois o sentido delas pode variar com o nosso estado de espírito... Já tem acontecido!





segunda-feira, 11 de maio de 2015

COSTA OESTE AO LARGO DA SERRA DE SINTRA (PORTUGAL)












(Maio/2015)

A Serra de Sintra ficou para trás. Agora a terra debruça-se sobre o mar em alcantilada encosta salpicada de pequenas entradas preenchidas de areia ou praias mais extensas delícias de alfacinhas e saloios... 

Chega-se às arribas por asfalto, picadas ou caminhos de terra batida, degraus protegidos por barreiras seguras ou ausentes que por vezes se tornam numa aventura descer...

Aqui e ali um moinho acena-nos com as suas pás lembrando-nos de que apesar de o dia ser ameno e luminoso, por vezes, Éolo (o Deus dos ventos) faz daqui sua passagem transformando cereais em pão saloio como o afamado pão de Mafra...


domingo, 10 de maio de 2015

PELA COSTA MAIS OCIDENTAL DA EUROPA






Dia de Sol... Temperaturas de Verão... Cabelos cobertos pelo chapéu... O vento que amornava o rosto... 

Os caminhos nem sempre de asfalto conduziam-nos por escarpas interrompidas por pequenas praias aninhadas aqui e ali e que, hoje, Maio, estavam cheias de gente sequiosa de Sol e até de banhos de mar...

Ao fundo o Cabo da Roca. Ponto mais Ocidental da Europa. Apesar de uma ligeira neblina não deixava de transparecer o azul do céu e a beleza do voo das gaivotas que nos foram acompanhando ao longo de todo o passeio.







Pequenas vilas encarrapitadas nas escarpas convidam à descida à praia, que nalguns casos é quase uma aventura...


terça-feira, 5 de maio de 2015

O NÚMERO 7






Nos nossos dias, como nas mais diversas civilizações da Antiguidade são praticamente inumeráveis as associações feitas ao número 7:

7 - São os dias da semana.
7 - É o número de dias de cada período lunar.
7 - São as notas da escala musical.
7 - São as cores do arco-íris.
7 - "Sete e sete são catorze, com mais sete são ..." - Está presente em inúmeras formas de dizer.
7 - Eram os planetas na classificação ptolomaica.
7 - Eram os metais que correspondiam aos sete planetas de Ptolomeu.
7º- Foi o dia da construção do Mundo, foi aquele em que Deus descansou, segundo a Bíblia.
7 - São os andares que têm o Céu e o Inferno no Maometismo.
7º- Era o dia em que na China Antiga as festas se deveriam realizar.
7 - São os emblemas de Buda.
7 - São os Céus búdicos.
7 - Era o número das flautas de Pã.
7 - Eram as portas do Sol.
7 - Eram as cordas da lira de Apólo.
7 - Eram as Hespérides na Grécia Antiga. 
7 - Eram as portas de Tebas.
7 - São os raios de Sol segundo a tradição Indu.
7 - Era um número sagrado para os Sumérios.
7 - É a chave do Apocalipse.
7 - São os centros subtis do ioga.
7º- Era o dia do mês que mandava o culto de Apólo que se fizessem as celebrações.
7 - Eram os companheiros que acompanhavam Alexandre Magno ao deserto.

Não deixa de ser interessante ver estas coincidências (?). Mas, se calhar, se pegássemos noutro número, talvez fossemos capazes de fazer outro tipo de associações. Só que as do 7 são muitas e curiosas.

    

Dia da Mãe!




__ "Toma Mãe... Dia da Mãe é todos os dias. Aqui tens a minha flor!"

Vou guardá-la, também na memória e aqui...



sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Velho Lápis Staedtler e a vida




(*)(Abril /2015)
(Pintura a óleo sobre tela inspirada em pintura de Neil Nelson)


Errar é humano, mas quando a borracha se gasta mais do que o lápis, é porque estamos a exagerar...


(Inspirado em frase de J. Jenkis)





sexta-feira, 3 de abril de 2015

MARÉ VAZA - PAREDE (CASCAIS/PORTUGAL)




Água que corre para o mar...



Maré vaza

Memória de maré cheia, onda solta, e quebrando na escarpa...

Ao longe, os surfistas esperam as ondas que tardam em arrastá-los para a praia,

quais gaivotas saboreando o ondulado do mar.


(Parede - Abril/2015)


"Ó MAR SALGADO..." - Poema de Fernando Pessoa




(Praia da Parede - Abril/2015)



"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."


(Poema de Fernando Pessoa)




(Painel de azulejos - Colégio da Bafureira)
(Parede- Portugal)




quinta-feira, 2 de abril de 2015

CHORÕES SOBRE O MAR... S. PEDRO - (CASCAIS - PORTUGAL)




Tal como os chorões que nos invadiram, hoje, o inimigo, para nós portugueses, também veio de longe. Só que este, em vez de vir da Austrália e ser bem visível e belo, veio da China, é invisível e espalhou-se por todos os continentes. Tem um nome de rei __ Coronavírus__, e realmente tornou-se rei, só que esperemos que se vá embora para todo o sempre.



S. Pedro - Marginal de Cascais - (Lisboa/Portugal)
(Abril/2015)



As ondas que parecem abraços
Calorosos, afectuosos, apertados...
Trazem os salpicos que se espalham sobre os chorões.
Chorões de flor púrpura que despencam sobre o mar
Em cascatas densas que se lançam sobre a rocha.
Planta estrangeira, veio de longe lá da Austrália, até à nossa velhinha Europa,
Para trazer até nós as suas folhas carnudas e flores estreladas
Que invadem tudo mesmo o olhar que nos regalam.
Dizendo adeus aos barcos que se põem ao largo, 
Rumando, (quem sabe?!...), para a distante Austrália de onde os chorões partiram.












FIM DE TARDE NA PRAIA DE S. PEDRO - CASCAIS - (LISBOA/PORTUGAL)




















(Praia de S. Pedro) - (Abril/2015)