domingo, 12 de outubro de 2014

"SILÊNCIO" - de FERNANDO PESSOA





(Malay - Outubro, 2014)



É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter a sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.


(Poema de Fernando Pessoa)



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Quando me amei de verdade" - Poema de Charles Chaplin





"Quando me amei de verdade,
compreendi que em qualquer circunstancia,
eu estava no lugar certo, no momento exato.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… auto-estima.

Quando me amei de verdade,
pude perceber que a minha angústia,
o meu sofrimento emocional, não passa de um sinal
de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é… autenticidade.

Quando me amei de verdade,
deixei de desejar que a minha vida fosse diferente,
e começei a ver que tudo o que acontece
contribui para o meu crescimento.
Hoje sei que isso se chama… amadurecimento.

Quando me amei de verdade,
começei a perceber como é ofensivo
tentar  forçar alguma situação ou alguém,
apenas para realizar aquilo que desejo,
mesmo sabendo que não é o momento
ou a pessoa não está preparada, incluindo eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… respeito.

Quando me amei de verdade,
comecei a livrar-me de tudo o que não fosse saudável...
pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa ,
que me empurrassem para baixo;
De início, a minha razão chamou egoísmo a essa atitude.
Hoje sei que se chama… amor-próprio.

Quando me amei de verdade,
deixei de preocupar-me por não ter tempo livre
e desisti de fazer grandes planos.
Abandonei os projectos megalómanos de futuro.
Hoje faço o que acho correcto,
o que  gosto, quando quero e ao meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… simplicidade.

Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre  razão e,
com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a… humildade.

Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Agora,  mantenho-me no presente,
que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um día de cada vez.
Isso é… plenitude.

Quando me amei de verdade,
comprendi que a minha mente pode me atormentar e decepcionar.
Mas quando eu a coloco ao serviço do meu coração,
ela torna-se uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é… saber viver!"


Charles Chaplin

domingo, 28 de setembro de 2014

COMEÇO DE UM NOVO DIA...




(Malay* - 2010)




Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O fado nos dispõe,ali ficamos;
Que a sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.




Odes/Ricardo Reis


terça-feira, 16 de setembro de 2014

DA NOSSA JANELA VEMOS O MAR...








Da nossa janela vemos o mar,
mar de sonhos, fantasias e alegrias...
Um mar em que as estrelas se perdem na noite,
e em que o sol se encontra pela manhã...




"Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou

O amor é o carinho

É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor"




("O Velho e a Flor"- Poema de Vinicius de Moraes; Fotos de Malay 2014)



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"UM COPO E DUAS FLORES"





("Um Copo e Duas Flores", inspirado em quadro retirado do Pinterest)
(Setembro - 2014)


Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna Primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as flores da vida
Na rama verde e florida.
Na verde rama do amor! 

(Poema retirado e adaptado de Castro Alves) 


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

FLOR





(Foto tirada pelo R. - Junho/2014 - "A beleza, por vezes, está mesmo debaixo do nosso nariz...")



Sê um rio que flui tranquilamente e uma flor que espalha o Sol...





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SOMOS O QUE FAZEMOS... (Padre António Vieira)





"Materialização dos teus Sonhos" 
(Técnica  mista - Malay*- Julho/2014)


"Nós somos 
o que fazemos.
O que não se faz não existe.
Portanto, só existimos
nos dias em que fazemos.
Nos dias em que não fazemos,
apenas duramos."

(Padre António Vieira) 



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PÉTALAS DE ROSA





Setembro...
O Verão chega ao fim.


Outono derruba as minhas pétalas, mas não destrói a memória do meu perfume... na próxima Primavera terei as minhas pétalas de novo antes que outro Outono venha e as leve outra vez...














sábado, 30 de agosto de 2014

OLHAR O MAR (GUINCHO - CASCAIS - PORTUGAL)





Onde puseram teus olhos
A mágua do teu olhar?
Na curva larga dos montes
Ou na planura do mar?



De dia vivi este anseio;
De noite vem o luar,
Deixa uma estrada de prata
Aberta para eu passar.

Caminho por sobre as ondas
Não paro de caminhar.
O longe é sempre mais longe...
Ai de mim se me cansar!...

Morre o meu sonho comigo,
Sem te poder encontrar.


(Poema de Armando Côrtes- Rodrigues)








(Fotos tiradas no Guincho - Agosto 2014)

GUINCHO (CASCAIS - PORTUGAL)







"A vida é feita de momentos. Alguns são apagados levados pelas ondas da vida. Outros ficam perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade!" (Jorge Soares)

A fotografia fixa a onda de um momento de partilha e cumplicidades... Que estes se possam repetir e obrigada pela tua companhia...






(Fotos tiradas no Guincho - Agosto/2014)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

RECADO








A casa estava quase vazia de coisas. Era o último livro, caderno ou papel que restava. Sentei-me na escada e folheei esta pequena agenda. Será que ainda valeria a pena guardar?!... Tería alguma coisa escrita?!... E tinha...


Abri a pequena agenda de 2002. Para além das identificações e alguns números de telefone nada mais tinha escrito do que estas palavras que li e reli. Bem precisava delas. Se calhar, como no momento em que as transcrevi para a página de notas:


"  Esvazia a tua mente de todo o pensamento
   Apazigua o teu coração
   Cada ser no Universo regressa à origem comum.
   Regressar à origem é a serenidade.
 Se souberes de onde vens tornar-te-ás tolerante, desinteressado e alegre, bondoso como uma avó, digno como um rei.
  Enfrentarás tudo o que a vida te reserva e, quando a morte chegar estarás pronto."


Guardei a agenda, embora não tivesse mais nada escrito. Hoje, faz parte da minha mesa de trabalho... Só espero não ter que a abrir demasiadas vezes!...




terça-feira, 26 de agosto de 2014

DESPEDIDA DA CASA VELHA...




É hora de partir... uma nova etapa começa...


Uma casa cheia de recordações...


O filho que cresceu...


Os anos partilhados...




A determinação de uma vontade apoiada...


Um nunca acabar de recordações...


 As chaves de alegrias e tristezas...


A Alegria-do-lar...


O Príncipe Negro que se oferece...


O Ibisco cor do sol, da alegria e da amizade...



Um "__ Até sempre!..." preso na lembrança, no toque do sino lá do cimo da igreja e na visão daqueles que por cá foram passando... Hoje, deixamos este espaço que foi nosso a outros... Que os momentos felizes sejam tão bons como foram tantos dos nossos e que os menos bons acabem por passar varridos pela vontade de vencer e aceitar...